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Sem-terra já deixaram acampamento em frente à fazenda de FHC
Os sem-terra foram para Serra Bonita,
a 10 quilômetros da fazenda
(Agência Estado)

Quinta, 14 de setembro de 2000, 11h29min
Atualizado às 16h03min
Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desmontaram hoje o acampamento em frente à fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis, MG. Eles transferiram as barracas para o distrito de Serra Bonita, a 10 quilômetros do local. Foi o segundo recuo do MST desde segunda-feira, quando foram ocupados prédios públicos em vários Estados, para reabrir negociações com o governo federal, que também suspendeu a liberação de créditos.

O Exército e a Polícia Federal já começaram a discutir a desativação do esquema de segurança na fazenda. A transferência do acampamento foi feita depois de uma longa negociação do MST com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, intermedida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). O MST havia desocupado prédios públicos em vários Estados na manhã de ontem (13). Mesmo assim, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, condicionou as negociações à desativação do acampamento em Buritis.

O MST negocia com o governo a liberação imediata de R$ 2 mil por família, para custeio da próxima safra, além do assentamento de 75 mil famílias acampadas. O movimento pressiona o governo para reativar o Projeto Lumiar, que foi suspenso após denúncias de cobrança de "pedágio" dos assentados pelo movimento. O MST alega que este é o principal programa de assistência técnica nos assentamentos.

"Nós estamos recuando duas vezes para abrir as negociações com o governo", disse hoje pela manhã um dos coordenadores nacionais do MST, Lucídio Ravanello, minutos antes da transferência das barracas para Serra Bonita. "É uma demonstração que damos à sociedade de que não somos arruaceiros." Ravanello afirmou que o governo federal precisa dar uma resposta rápida aos movimentos sociais, liberando logo o dinheiro para a safra.

O MST chegou a fazer uma horta a 30 metros da entrada da fazenda da família de Fernando Henrique, para demonstrar que permaneceria por tempo indeterminado no local. O próprio Ravanello disse depois que a horta fazia parte da "mística" que o MST utiliza para pressionar o governo. Ao meio-dia, no entanto, até as mudas de couve e algumas bananeiras foram levadas pelas famílias dos sem-terra. O MST pretendia cavar fossas e instalar barracas com remédios, caso não surgisse perspectiva de negociação. Os manifestantes acamparam ao lado da cerca de uma fazenda da construtora Camargo Corrêa, na área ao lado da estrada.

Proveito
Apesar dos recuos, a avaliação da direção nacional do MST é de que o movimento saiu vitorioso com a manifestação em frente à fazenda Córrego da Ponte, dos três filhos do presidente Fernando Henrique e do pecuarista Jovelino Mineiro. Segundo Lucídio Ravanello, o MST vai "tirar proveito da fazenda" e pode fazer novas manifestações contra o governo no local, pois isso preocupa muito o governo.

O MST preferiu ficar fora da disputa travada pelo governador de Minas Gerais, o ex-presidente Itamar Franco, com o presidente Fernando Henrique, em torno da permanência do Exército na fazenda. "Sabemos que estamos no centro da disputa política", disse Ravanello. "Mas o MST não vai entrar nesta crise político-institucional." Hoje a Polícia Federal e o Exército esperavam ordens de Brasília para sair da fazenda. A Polícia Militar já está em Buritis.

Ministro
Apesar da retirada dos sem-terra, militares do Exército e policiais federais continuam dando segurança à fazenda. Eles aguardam a chegada da Polícia Militar, que os substituirá no trabalho de evitar uma possível invasão pelo MST.

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Ouça a reportagem da rádio Eldorado AM sobre a retirada
Agência Estado/Redação Terra

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