Atualizado às 19 horasO ministro do Ministério Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, exigiu a desmobilização do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Buritis (MG) para retomar as negociações. O secretário executivo do ministério, José Abrão, garantiu que o governo não vai negociar sob pressão, mesmo depois da saída dos integrantes do MST da frente da fazenda Córrego da Ponte, de propriedade da família do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu vou recebê-los sempre, desde que nós não estejamos submetidos a uma ameaça", afirmou Raul Jungmann. Segundo o ministro, os integrantes do MST saíram da porteira da fazenda, mas o clima de ameaça permanece, pois ainda estão mobilizados. Jungmann lembrou a possibilidade de retorno à fazenda, em 5 ou 10 minutos, dos integrantes do movimento, se as negociações com o governo não lhes agradarem. "Isso não é postura de quem quer negociar", afirmou o ministro.
Depois da saída, os sem-terra foram para a vila Serra Bonita, a cerca de quilômetros da fazenda Córrego da Ponte.
Jungmann fez a seguinte proposta aos militantes do movimento: "Assim que o MST, que aqueles que estão mobilizados sejam desmobilizados, a liderança de Buritis será automaticamente recebida". Ele disse que se a desmobilização ocorrer o superintendente do Incra no Entorno estará pronto para tratar das questões locais. "Ato contínuo, estarei marcando uma audiência para recebê-los", concluiu Jungmann.
O ministério já tomou medidas, junto ao governo do Pará, diante do anúncio do MST de que pretende ocupar amanhã os prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Banco do Brasil em Marabá, Parauapeba e Belém. Haveria 280 famílias ligadas ao movimento no município paraense de Castanhal, prontas para invadir amanhã (15) os prédios púbicos nos três municípios
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