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Síndrome da Impostora: o desafio das mulheres na liderança

Pesquisas mostram que mais de 60% das mulheres líderes sentem que precisam provar constantemente sua competência

4 jan 2026 - 15h51

Com a proximidade do fim do ano, um sentimento comum volta a afetar muitas mulheres em posições de liderança: a síndrome da impostora. O período de balanços, metas e avaliações costuma intensificar a autocrítica e a percepção de que os esforços feitos ao longo do ano não foram suficientes, mesmo diante de resultados concretos.

Foto: Revista Malu

O que é a Síndrome da Impostora?

O fenômeno é amplamente observado. Pesquisas internacionais indicam que cerca de 70% das pessoas vivenciam a síndrome da impostora em algum momento da vida. Com maior incidência sendo entre mulheres e profissionais em cargos de alta responsabilidade. Levantamentos da Harvard Business Review mostram que mais de 60% das mulheres líderes sentem que precisam provar constantemente sua competência. Sobretudo em momentos de avaliação formal, como o encerramento do ano.

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Segundo a psicóloga Virginia Vairo, especialista em liderança com saúde, esse sentimento se potencializa pelo modo como o desempenho se mostra nas organizações. "No fim do ano, muitas mulheres passam a se questionar se fizeram o suficiente. Daí focam no que não foi alcançado e ignorando conquistas e aprendizados importantes. Ambientes que valorizam comparação e competição reforçam esse sentimento, especialmente quando entram em pauta reconhecimento, promoções e bônus", afirma.

A especialista explica que a cultura de performance e comparação contínua tem impacto direto na saúde mental. "A comparação constante gera sensação de inadequação, ansiedade vivida em silêncio e medo de perder credibilidade. Em ambientes que ignoram o impacto humano do trabalho, muitas mulheres sentem que precisam provar seu valor o tempo todo."

Como reconhecer os sinais

Entre os principais sinais de alerta está o momento em que a autocrítica deixa de impulsionar o desenvolvimento e passa a comprometer a autoconfiança. "Dificuldade de reconhecer conquistas, sensação de estar enganando os outros mesmo diante de resultados claros, medo excessivo de feedback, culpa ao descansar e a necessidade de entregar sempre além do esperado indicam que a autocrítica deixou de ser saudável", explica Virginia.

Para diferenciar excelência de cobrança interna excessiva, a psicóloga sugere uma reflexão simples. "A busca por excelência é saudável quando está conectada ao aprendizado, ao propósito e ao reconhecimento de limites. A cobrança excessiva nasce do medo de rejeição, confunde perfeição com valor pessoal e desconsidera contexto e esforço".

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No encerramento do ano, algumas práticas ajudam a reduzir o impacto emocional desse processo. "Registrar conquistas, aprendizados e impactos ao longo do ano cria uma visão mais justa da própria trajetória. Criar rituais de fechamento que vão além das metas e trocar a pergunta 'não fiz o suficiente?' por 'o que este ano me ensinou?' amplia a percepção de crescimento", orienta.

Por fim, Virginia Vairo reforça que sentir dúvida faz parte da liderança. "A dúvida não é sinal de incompetência, mas de que se está lidando com decisões complexas e responsabilidades reais. Reconhecer isso reduz a autocrítica e fortalece a autoconfiança", conclui.

Revista Malu
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