Depois de anos vivendo o tratamento de forma reservada, Silvia Buarque decidiu compartilhar uma das experiências mais marcantes de sua vida. A atriz revelou que enfrentou um segundo câncer de mama, passou por seis cirurgias ao longo de três anos e meio e escolheu tornar pública sua história para acolher outras mulheres que vivem o mesmo desafio.
Aos 57 anos, Silvia contou que recebeu o diagnóstico oito anos após tratar um primeiro câncer de mama, identificado em 2014. Na época, a doença foi controlada com a retirada do tumor e sessões de radioterapia. Já o segundo episódio exigiu uma decisão mais radical: a realização de uma mastectomia dupla seguida de reconstrução mamária.
Um exame de rotina mudou tudo
A descoberta aconteceu durante uma mamografia de acompanhamento. O exame apontou a presença de microcalcificações na outra mama. Embora muitas alterações desse tipo sejam benignas, a biópsia confirmou que, no caso da atriz, elas eram malignas. Diante do histórico e da avaliação da equipe médica, formada por ginecologista, mastologista e oncologista, Silvia optou pela retirada das duas mamas.
Em entrevista ao programa 'Conversa vai, conversa vem', ela relembrou que o momento mais difícil foi o período de incerteza até a confirmação do diagnóstico. "O pior é isso: o não diagnóstico, a espera, a expectativa, o medo".
Ao todo, foram seis cirurgias. Segundo a atriz, parte desse processo ocorreu porque a radioterapia realizada anos antes deixou a pele mais sensível, dificultando a reconstrução da mama e exigindo novos procedimentos.
Quando compartilhar também vira uma forma de cuidar
Silvia conta que, inicialmente, não pretendia falar publicamente sobre a doença. A decisão mudou quando percebeu o impacto positivo que sua história teve sobre a atriz Marina Vianna, que atualmente enfrenta o câncer de mama.
Ao visitá-la durante o período de recuperação, a amiga revelou que encontrava força ao vê-la atravessar aquele momento. "Ela me disse que a ajudei muito. Me deu a dimensão de como eu podia ser um farol para alguém. Quando fui fazer a mastectomia dupla, eu não tinha ninguém para conversar". Foi então que a atriz compreendeu a importância de dividir sua experiência para acolher mulheres que passam pelo mesmo processo e, muitas vezes, se sentem sozinhas.
O trabalho como parte da recuperação
Mesmo durante o tratamento, Silvia não interrompeu completamente sua carreira. Entre uma cirurgia e outra, participou das séries Impuros e Betinho - No Fio da Navalha, além dos filmes Entre os Dias e O que Resta de Nós. Ela também produziu e estrelou a peça A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe, espetáculo que considera fundamental para atravessar aquele período.
Segundo a atriz, mergulhar na arte ajudou a preservar sua saúde emocional. "Não teria produzido essa peça se não estivesse vivendo tudo isso. A vida me devolveu."
Autoestima e reconstrução
Silvia também falou sobre os desafios emocionais da mastectomia. Durante o tratamento, buscou referências de outras mulheres que haviam passado pela mesma experiência e encontrou inspiração na atriz Angelina Jolie, que realizou uma mastectomia preventiva em 2013. "Ela virou minha musa. O fato de uma das mulheres mais bonitas do mundo ser mastectomizada dava um certo alento."
Ela destacou ainda que tanto os planos de saúde quanto o Sistema Único de Saúde (SUS) garantem a reconstrução mamária após a mastectomia, um direito importante para mulheres que desejam realizar o procedimento.
Pedir ajuda faz diferença
Ao comparar os dois momentos em que enfrentou a doença, Silvia afirma que lidou de forma muito diferente com o segundo diagnóstico. Enquanto o primeiro provocou um intenso abalo emocional, desta vez ela conseguiu manter a rotina, seguir trabalhando e contar com uma rede de apoio formada por familiares, amigos e profissionais de saúde.
Segundo a atriz, a psicoterapia também teve papel importante nesse processo, assim como o carinho da filha e das pessoas próximas. Ela reconhece que pedir ajuda nunca foi fácil, mas aprendeu que esse apoio faz toda a diferença durante a recuperação.
"Tem vida durante e depois"
Ao encerrar o relato, Silvia deixou uma mensagem de esperança para quem está enfrentando o câncer de mama. "Passa. Não é um bicho de sete cabeças. O câncer de mama é um dos mais tratáveis e curáveis. Tem vida durante e depois. Não deixem de pedir ajuda."
Seu depoimento reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e do suporte emocional ao longo do tratamento. Também mostra que dividir experiências pode oferecer acolhimento, reduzir o sentimento de isolamento e lembrar outras mulheres de que elas não precisam enfrentar esse caminho sozinhas.