Toy Story 5: o que o filme revela sobre telas e infância

Toy Story 5 põe um tablet no lugar dos brinquedos. Veja o que a trama sugere sobre telas na infância, e quais as melhores recomendações

14 jul 2026 - 17h13
Foto: Personare

Toy Story 5 chegou aos cinemas brasileiros em 18 de junho de 2026 e trouxe para a tela grande um dilema que vejo todos os dias no consultório: o brinquedo perdendo espaço para o dispositivo eletrônico.

Atuo há mais de duas décadas como terapeuta integrativa, dedicando boa parte do meu tempo ao acompanhamento de crianças e adolescentes, e o que vejo nos atendimentos é exatamente o que a Pixar levou para o roteiro.

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Quero trazer aqui dados que comprovam o contexto perigoso em que vivemos, o que a Medicina recomenda e uma reflexão sobre o que a brincadeira perde quando a tela entra no lugar dela.

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O que muda dos outros Toy Story para o quinto filme

Toy Story 5 faz parte de uma franquia que retrata a vida dos brinquedos quando os humanos não estão vendo. Desde a estreia do primeiro filme até hoje, já se passaram 30 anos.

O longa que mais me marcou como mãe foi o terceiro, que aborda a saída do filho de casa e a passagem dos brinquedos para uma nova dona. Tenho filhos e, vendo-os crescer, sei que um dia viverei essa despedida.

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Neste quinto capítulo, o eixo é outro. Bonnie ganha um tablet chamado Lilypad, e os brinquedos precisam disputar a atenção da menina com a tela.

É uma ficção que conversa de perto com o que as famílias brasileiras estão vivendo agora.

A menina que brinca sozinha

Em Toy Story 5, Bonnie continua sendo uma menina que brinca e recorre à imaginação. O que chama atenção é que ela não tem amigos, e isso não se explica pela timidez.

No contexto do filme, as outras crianças deixaram os brinquedos de lado e estão todas nos jogos eletrônicos, sem interação entre si. Os pais dela, querendo ajudar, compram o Lilypad com a ilusão de que o aparelho traria mais amigos para a filha.

Os brinquedos se unem e ajudam a virar a chave. Deixo que você assista ao filme para ver como a aventura se desenrola, porque o desfecho vale a experiência no cinema.

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Por que o brincar é essencial no desenvolvimento infantil

O brincar sustenta o desenvolvimento psíquico e emocional da criança. É na brincadeira que ela experimenta a vida e, por meio da imaginação, vivencia diversos cenários, como um ensaio para a vida adulta.

Nesse processo, a criança elabora medos, testa papéis e aprende a lidar com frustração em um ambiente seguro. A literatura da Psicologia analítica já explorou esse território em contos clássicos, como mostra a leitura simbólica de Peter Pan e o medo de crescer.

O brinquedo como objeto de apego e de transição

Os brinquedos fazem parte dessa dinâmica de formas diferentes. Muitas vezes funcionam como objeto transicional nas mudanças de fase, dando à criança um apoio concreto para atravessar o novo.

Outras vezes, atuam como objeto de apego, trazendo conforto e até companhia. É exatamente esse lugar que Woody, Buzz e Jessie ocupam na vida de Bonnie, e é esse lugar que a tela ameaça ocupar.

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Como o brincar mudou de uma geração para outra

Cada época tem sua realidade. Antes, era comum as famílias terem mais crianças, e o brincar acontecia na rua e na casa dos vizinhos, com mais convivência.

Talvez não houvesse tantos brinquedos, mas a imaginação reinava, criando brincadeiras ou improvisando objetos.

Eu mesma adorava, na casa dos meus avós paternos, brincar com pedaços de madeira e montar casinhas, ou criar cenários com caixas de remédio. Para mim, era pura diversão.

Hoje o cenário é outro. Além de as famílias serem menores, muitas crianças ganham muitos brinquedos, e um artefato em especial tem afastado os pequenos das brincadeiras e desconectado uns dos outros: os jogos online e o uso excessivo de telas.

O que o uso excessivo de telas tende a provocar?

Na vida real, o excesso de telas e de jogos eletrônicos vai além da convivência. Pode prejudicar a saúde física, emocional e mental de crianças e adolescentes.

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Quando ficam conectados por muito tempo no mundo virtual, os prejuízos observados costumam se concentrar em cinco frentes:

  • Saúde ocular: com os olhos parados e vidrados na tela, o piscar diminui, o que compromete a lubrificação dos olhos.
  • Sono: o excesso de estímulos e o hábito de ficar até tarde diante das telas tendem a piorar a qualidade do sono.
  • Memória e aprendizagem: o tempo excessivo de exposição está associado a déficits nessas áreas.
  • Convivência: surgem distanciamento e conflitos nas relações familiares e sociais.
  • Sedentarismo: a criança se torna mais sedentária, com consequências para a saúde física geral.

Quanto tempo de tela a Pediatria recomenda?

A Sociedade Brasileira de Pediatria reúne orientações por faixa etária no manual #MenosTelas #MaisSaúde, atualizado em 2024:

  • Até 2 anos: nenhuma tela, nem de forma passiva.
  • De 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia, com supervisão.
  • De 6 a 10 anos: de 1 a 2 horas por dia, com supervisão.
  • De 11 a 18 anos: de 2 a 3 horas por dia, sem virar a noite jogando.

A entidade também orienta: nada de telas durante as refeições e desconexão de 1 a 2 horas antes de dormir, em qualquer idade.

Ao comparar essa tabela com a rotina da sua casa, muitas famílias descobrem uma distância maior do que imaginavam.

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Letramento digital: o caminho do meio

É importante que os pais se deem conta de que existe uma tarefa nova: o letramento digital. Ele significa avaliar criticamente o que crianças e adolescentes estão acessando, quanto tempo permanecem expostos e quais consequências isso traz para a vida deles.

Proibir raramente resolve. O que funciona é acessar na dosagem certa, com critério para entender os limites do que é possível e saudável.

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Existe tempo para tudo, para a interação no mundo virtual e para a do mundo real. Ambos fazem parte da nossa realidade e não precisam ser priorizados em excesso.

💡 A regulamentação recente ajuda a sustentar esse combinado dentro de casa. O Decreto nº 12.385, de 18 de fevereiro de 2025, regulamentou a Lei nº 15.100/2025 e trata da restrição do uso de aparelhos eletrônicos durante aulas, recreio e intervalos.

Desde a implementação, escolas relatam mais atenção em sala e mais interação entre os alunos. O combinado de casa fica mais fácil quando a escola sustenta o mesmo princípio.

Emparedamento digital e o custo da superproteção

O termo emparedamento vem da pesquisa da educadora Léa Tiriba, que em 2005 descreveu a condição de crianças confinadas entre quatro paredes, longe do chão de terra, do barro, da grama e do brincar livre ao ar livre.

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O conceito ganhou força no Brasil e inspirou o movimento do desemparedamento da infância.

O emparedamento digital é a camada seguinte desse fenômeno. Agora a parede é a tela. A criança pode até estar em casa, cercada de brinquedos e com o quintal ao lado, e ainda assim viver confinada, porque a atenção dela está presa em um retângulo iluminado.

O emparedamento digital tira a criança do mundo real, do contato com a natureza e de todo o bem-estar que ele proporciona. É na interação que ela aprende e se desenvolve, num treino para a vida.

Ao querer proteger os filhos em excesso dos possíveis perigos da vida, os pais acabam tornando-os alvos de pessoas mal-intencionadas nas redes sociais, além de expô-los aos prejuízos já citados e à falta de convivência real. Somos pessoas de verdade, e não avatares virtuais.

O custo da superproteção

Errar faz parte do aprendizado, assim como a frustração de nem tudo acontecer quando se deseja. Uma criança que nunca perdeu uma partida, nunca esperou a vez, nunca ouviu não, chega à adolescência sem repertório para atravessar o primeiro desencontro real.

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Quando a agitação e a ansiedade aparecem, práticas simples de apoio, como a Aromaterapia para acalmar crianças, podem entrar como complemento ao acompanhamento profissional.

Autorregulação emocional: a habilidade que sustenta o resto

Além do letramento digital, é preciso ensinar autorregulação emocional para que crianças e adolescentes saibam lidar com os desafios da vida cotidiana.

Essa habilidade se constrói na relação. Momentos de presença real, sem tela por perto, criam o repertório emocional que a criança vai usar depois.

É o que trabalho no Meditando com a Gurizada, e você pode começar em casa com esta meditação guiada para pais e filhos, que preparei para fortalecer o vínculo em poucos minutos.

Conclusão

Toy Story 5 acerta ao colocar o tablet no centro do conflito, porque essa é a disputa real de muitas casas brasileiras hoje. Os brinquedos do filme lutam por algo que a Psicologia já sabia: a brincadeira é o território onde a criança se constrói.

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A tela não precisa ser vilã, e também não deveria ocupar o lugar da imaginação, do corpo em movimento e do amigo de carne e osso. O trabalho dos pais está no meio-termo, com limites claros, presença real e escuta.

Se a leitura acendeu um sinal sobre o que acontece na sua casa, olhar isso com calma costuma ser mais útil do que endurecer regras às pressas.

É esse o ponto de partida da avaliação inicial de Terapia Integrativa para crianças que realizo, um primeiro encontro para entender o que está em jogo antes de qualquer conduta.

FAQ

Quando Toy Story 5 estreou no Brasil? Toy Story 5 chegou aos cinemas brasileiros em 18 de junho de 2026, sete anos depois de Toy Story 4. O filme é dirigido por Andrew Stanton e McKenna Harris e dá continuidade à história dos brinquedos que ganham vida quando os humanos não estão olhando. A franquia estreou em 1995 e completa 30 anos de trajetória, com quatro longas anteriores, curtas e o spin-off Lightyear.

Qual é a história de Toy Story 5? A trama gira em torno da chegada de Lilypad, um tablet que passa a disputar a atenção de Bonnie com os brinquedos. Woody, Buzz, Jessie e o restante da turma veem a rotina de brincar ameaçada por um dispositivo que promete companhia e diversão. Bonnie aparece como uma menina que brinca e imagina, mas está sem amigos, porque as outras crianças do filme trocaram os brinquedos pelos jogos eletrônicos.

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Toy Story 5 é indicado para crianças pequenas? O filme mantém a linguagem familiar da franquia e funciona bem para famílias com crianças em idade pré-escolar e escolar. Vale considerar que o quinto capítulo trabalha temas como solidão, mudança e perda de espaço, que podem gerar perguntas depois da sessão. Conversar sobre o que a criança sentiu ao sair do cinema costuma ser mais produtivo do que deixar o assunto encerrado na tela.

Por que o brincar é tão importante para o desenvolvimento infantil? O brincar sustenta o desenvolvimento psíquico e emocional. É na brincadeira que a criança experimenta a vida, testa papéis, elabora medos e ensaia situações que vai enfrentar na vida adulta. Os brinquedos participam desse processo como objeto transicional, ajudando nas mudanças de fase, e como objeto de apego, trazendo conforto e companhia. Quando a tela ocupa esse espaço, a criança perde um território importante de aprendizagem.

Quanto tempo de tela é saudável para crianças? Não existe um número único que sirva para todas as idades. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta limites por faixa etária e recomenda evitar telas nos primeiros anos de vida. O ponto central é o letramento digital, ou seja, avaliar o que a criança acessa, por quanto tempo e com que consequências. Sinais de alerta incluem piora do sono, irritabilidade, queda no rendimento escolar e recusa de atividades presenciais.

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Andrea Leandro (andrelis.2@gmail.com)

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- Especialista em Terapia Floral Sistêmica e Harmonização de Espaços, é pioneira e facilitadora dos 26 movimentos do Brain Gym® no Brasil. Coautora de 8 livros e criadora do projeto Meditando com a Gurizada, atua na interseção entre educação emocional e bem-estar sistêmico. Realiza atendimentos online no Personare.

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