Temporada de gripe chega mais cedo e provoca aumento nos casos de síndrome respiratória grave

Novo boletim da Fiocruz mostra alta na circulação do influenza A antes do período tradicional

20 mar 2026 - 17h20

O novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta sexta-feira, 20, faz um alerta sobre o aumento da circulação do vírus influenza A, um dos quatro tipos causadores de gripe (A, B, C e D), antes do período de sazonalidade convencional. Normalmente, o pico de casos no País costuma acontecer no outono e no inverno.

O aumento é registrado no Mato Grosso, Amapá, Pará, Rondônia, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além da maioria dos estados do Nordeste — com exceção do Piauí.

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Além do avanço da influenza A, o boletim também indica que, em todo o País, os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) seguem em crescimento na tendência de longo prazo. Em 2026, já foram notificados 20.311 casos de SRAG. Desses, 7.523 (37%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios.

Em comunicado à imprensa, Tatiana Portella, pesquisadora da Fiocruz, destaca que a vacinação é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pela síndrome. "Já temos a vacina contra o VSR (vírus sincicial respiratório) para as gestantes e no dia 28 começa a vacinação contra influenza A para os grupos prioritários", diz.

Principais vírus

De acordo com o boletim, o número de casos de SRAG apresenta tendência de aumento tanto no longo prazo (seis semanas) quanto no curto prazo (três semanas) em todos os estados, com exceção do Piauí.

Crianças menores de 2 anos têm sido afetadas principalmente pelo VSR e as maiores, pelo rinovírus. Em jovens, adultos e idosos, o influenza A é a principal causa de infecção.

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Em relação ao aumento das hospitalizações, as principais causas são o rinovírus, especialmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, o influenza A e o VSR.

O estudo também identificou que 18 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG classificado como alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento. São elas:

  • Aracaju (Sergipe);
  • Belo Horizonte (Minas Gerais);
  • Brasília (Distrito Federal);
  • Boa Vista (Roraima);
  • Campo Grande (Mato Grosso do Sul);
  • Cuiabá (Mato Grosso);
  • Fortaleza (Ceará);
  • Goiânia (Goiás);
  • João Pessoa (Paraíba);
  • Macapá (Amapá);
  • Maceió (Alagoas);
  • Manaus (Amazonas);
  • Natal (Rio Grande do Norte);
  • Porto Velho (Rondônia);
  • Recife (Pernambuco);
  • Rio de Janeiro (Rio de Janeiro);
  • Salvador (Bahia);
  • São Luís (Maranhão).

Balanço de 2026

Em 2026, a maior parte dos casos de SRAG positivos para vírus foi causada pelo rinovírus, responsável por 41,9% das infecções. Em seguida aparecem o influenza A (21,8%); o Sars-CoV-2, causador da covid-19 (14,7%); e o VSR (13,4%).

Quanto aos óbitos, o Sars-CoV-2 foi o principal responsável, com 37,3% dos casos fatais, seguido por influenza A (28,6%) e rinovírus (21,8%).

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