O sopro no coração não é uma doença, mas um sinal que pode indicar alterações nas válvulas cardíacas, como estenose ou insuficiência, comuns com o envelhecimento. Embora muitas vezes assintomático, pode causar cansaço e falta de ar. A condição exige investigação, sendo o ecocardiograma o principal exame para avaliar a estrutura e o fluxo sanguíneo, permitindo um diagnóstico precoce e a definição entre o acompanhamento periódico ou o tratamento adequado.
Um sopro pode ser descoberto por acaso em uma consulta de rotina; especialista explica quando o achado merece investigação
Descobrir um sopro no coração durante uma consulta pode causar preocupação, mas isso não significa necessariamente a presença de uma doença grave. O sopro é um som diferente percebido pelo médico ao auscultar o coração e pode ocorrer tanto em situações sem maior repercussão quanto estar relacionado a alterações estruturais, especialmente nas válvulas cardíacas. As válvulas são como portas de sentido único: elas abrem ou fecham a cada batimento cardíaco a fim de direcionar o fluxo de sangue.
Segundo o cirurgião cardiovascular Élcio Pires Junior, em adultos, a principal questão a ser investigada é se existe alguma alteração no funcionamento das válvulas. "O sopro não é uma doença por si só. É um sinal que pode ter diferentes causas. Em alguns casos, não representa um problema importante, enquanto em outros pode ser o primeiro indício de que uma válvula não está abrindo ou fechando adequadamente", explica.
Por que acontece?
Entre as alterações possíveis estão a estenose - quando a válvula fica estreitada e dificulta a passagem do sangue -, e a insuficiência ou regurgitação: quando ela não se fecha completamente e permite que parte do sangue retorne. As válvulas aórtica e mitral estão entre as que podem apresentar esse tipo de alteração em adultos.
O problema é que algumas doenças valvares podem evoluir durante anos sem sintomas evidentes. Em outros casos, podem surgir falta de ar, cansaço ou redução da capacidade para realizar esforços, palpitações, dor no peito, tontura, desmaios ou inchaço nas pernas. A ausência de sintomas, porém, não elimina a necessidade de acompanhamento quando uma alteração na válvula é identificada.
"Muitas vezes, o paciente diz que está apenas mais cansado ou atribui a dificuldade para subir uma escada ao envelhecimento. Dependendo do caso, essa redução da capacidade física pode estar relacionada a uma doença valvar e merece investigação", afirma o médico.
Exame avalia válvulas
Quando há suspeita de alteração estrutural, o ecocardiograma é um dos principais exames utilizados para avaliar as válvulas, permitindo analisar sua anatomia, funcionamento e o fluxo do sangue pelo coração. A partir do resultado e da avaliação clínica, o paciente pode necessitar apenas de acompanhamento periódico ou, em casos selecionados, de tratamento específico.
Com o envelhecimento, algumas doenças valvares tornam-se mais frequentes, inclusive por alterações degenerativas e depósitos de cálcio que podem deixar as válvulas mais espessas e rígidas. Para o especialista, identificar o problema antes que provoque repercussões importantes permite acompanhar sua evolução e definir o momento adequado para intervir.
Sopro no coração
"Ouvir que existe um sopro não deve ser motivo para pânico, mas também não se deve ignorar. O importante é descobrir sua causa. Hoje, temos diferentes formas de acompanhar e tratar as doenças das válvulas cardíacas", conclui o médico.