A síndrome do túnel do carpo (STC) é uma condição frequente que afeta principalmente mulheres entre 40 e 59 anos, principalmente em fases hormonais como gestação e menopausa. Ela ocorre quando o nervo mediano, localizado no punho, sofre compressão, causando sintomas como formigamento, dormência e dores, que podem impactar atividades simples do dia a dia. Segundo a Previdência Social, em 2025, aconteceram 44.270 afastamentos do trabalho em decorrência da doença, aumento de 25% em relação a 2024 (35.309 casos).
A STC afeta entre 3% e 6% da população adulta no mundo, com prevalência três vezes maior no público feminino, e tem se tornado cada vez mais frequente nas últimas décadas, acompanhando o uso intensivo de tecnologia no dia a dia, segundo revisão publicada no periódico Cureus, chamada "Carpal Tunnel Syndrome: Pathophysiology and Comprehensive Guidelines for Clinical Evaluation and Treatment".
A seguir, o ortopedista João Belloti, chefe do serviço de residência em cirurgia da mão no Hospital Alvorada Moema, da Rede Américas, explica quais são os principais sinais de alerta e como tratar a síndrome do túnel do carpo. Confira!
Causas da síndrome do túnel do carpo
As causas da síndrome do túnel do carpo podem ser variadas e nem sempre têm uma origem definida. "Em sua grande maioria, são idiopáticas, embora possam ter relação com atividades laborativas de esforço repetitivo, fraturas do punho, além de condições inflamatórias ou hormonais, o que aumenta a incidência em mulheres", explica o ortopedista.
Sintomas comuns da doença
Um dos primeiros sintomas costuma ser o formigamento, especialmente nos dedos polegar, indicador e médio. A sensação pode surgir sem motivo aparente e piorar ao longo do tempo. Além disso, é comum que a dor se estenda pelo braço, principalmente durante a noite, prejudicando o sono.
Com a progressão da síndrome do túnel do carpo, pode haver dificuldade para segurar objetos, além de redução da sensibilidade nas pontas dos dedos. Esses sintomas, embora característicos, também podem ocorrer em condições como neuropatias motoras ou esclerose lateral amiotrófica (ELA), exigindo exames como eletroneuromiografia para diferenciação precisa.
Piora progressiva dos sintomas
Sem tratamento, os sintomas progridem de formigamento noturno para dor constante, fraqueza muscular e atrofia na base do polegar, comprometendo atividades simples, como segurar talheres, digitar no celular, dirigir ou carregar sacolas.
"Ao perceber sintomas como formigamento frequente, dor persistente ou perda de força nas mãos, é importante buscar avaliação especializada. O diagnóstico precoce ajuda a evitar a progressão da doença e melhora as chances de recuperação", reforça João Belloti.
Formas de tratamento
João Belotti explica que o tratamento da STC varia de acordo com o grau de comprometimento do nervo mediano e a intensidade dos sintomas. Em casos leves, é indicado o uso de órtese para imobilização do punho, especialmente durante a noite, associada a anti-inflamatórios e corticoesteróides.
"Já em quadros mais avançados, quando há comprometimento motor do nervo ou falha do tratamento clínico, a cirurgia é indicada. O procedimento cirúrgico geralmente proporciona cura definitiva dos sintomas e tem baixos índices de complicação e de recidiva", conclui o médico.
Por Aline Zuliani