Quem tem lipedema pode correr?

Fomos atrás da respostas e dos benefícios

31 mai 2026 - 09h01

Especialista explica os cuidados necessários para praticar corrida com segurança e sem agravar os sintomas da doença

Uma dor nas pernas desproporcional ao esforço, hematomas que aparecem sem motivo aparente e um inchaço que não some mesmo com dieta ou exercício. Esses são alguns dos sinais do lipedema, uma doença crônica que causa acúmulo anormal de gordura, principalmente no quadril e cocas e que afeta 12,3% da população feminina brasileira, segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema (2025). São pelo menos 5 milhões de brasileiras convivendo com a condição, muitas delas sem diagnóstico.

Foto: Revista Malu

Apesar dos sintomas limitantes, a dúvida que mais aparece entre pacientes é: dá para correr? A resposta é sim, mas com cautela e acompanhamento adequado.

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O que é o lipedema?

O cirurgião vascular Herik Oliveira, especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), explica que a natureza da doença é o primeiro passo para um diagnóstico correto. "O lipedema é uma doença crônica e progressiva, de origem hormonal, que se manifesta predominantemente em mulheres. O acúmulo de gordura ocorre de forma simétrica, bilateralmente, e não responde ao emagrecimento convencional, o que frequentemente leva ao diagnóstico equivocado de obesidade ou linfedema", explica o especialista.

O Consenso Brasileiro de Lipedema (2025), construído com a participação de mais de 170 especialistas em três fases, reconhece que ansiedade e depressão são frequentemente uma associados aos sintomas da doença, não uma causa, evidenciando o impacto que a condição tem na qualidade de vida das pacientes.

Pode correr, sim!

Herik ressalta que a prática de corrida é possível e pode trazer benefícios reais para quem tem lipedema, desde que feita com os devidos cuidados. "O exercício aeróbico, como a corrida, melhora a circulação sanguínea e linfática,ajuda controle do peso , o que ajuda diretamente no controle dos sintomas do lipedema. Mas o impacto repetitivo da corrida exige atenção: a progressão precisa ser gradual, com fortalecimento muscular associado e uso de equipamentos adequados, como meias de compressão e tênis com bom amortecimento", orienta o médico.

O especialista alerta que há situações em que a corrida deve ser evitada. "Quando há dor intensa ou edema severo, presca de manchas roxa( equimose) ideal é optar por modalidades de menor impacto, como natação, hidroginástica ou pilates. A avaliação médica antes de iniciar qualquer atividade física é indispensável, cada paciente tem um quadro diferente e precisa de uma orientação com educador físico individualizada", reforça.

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Cuidados essenciais

Herik detalha os cuidados em cada etapa da prática. Antes de começar, é essencial uma consulta médica para avaliação do estágio da doença, além de aquecimento adequado e uso de meia de compressão. Durante o exercício, a recomendação é evitar superfícies muito rígidas, manter a hidratação e ficar atento a qualquer sinal de desconforto. "O corpo precisa dar sinais e o paciente precisa aprender a ouvir esses sinais", diz o médico. Depois da corrida, alongamentos e elevação das pernas ajudam na recuperação, assim como a drenagem linfática leve quando possível. "Quem usa meia de compressão durante o exercício deve permanecer com ela pelo resto do dia. Isso faz diferença na recuperação", explica Herik.

Benefícios da corrida para quem tem lipedema

Os benefícios da corrida para quem tem lipedema vão além do controle dos sintomas físicos. Estudos mostram que ansiedade e depressão estão frequentemente associadas ao lipedema. E a prática regular de exercícios contribui para o bem-estar mental, com a liberação de endorfinas e a melhora da autoestima.

"Movimento é parte do tratamento. Não existe uma única solução para o lipedema, mas o exercício físico orientado é um dos pilares mais importantes para a qualidade de vida desses pacientes", conclui.

Revista Malu
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