A coqueluche, também conhecida como tosse comprida, é uma infecção respiratória causada por bactéria que afeta principalmente crianças, mas também pode acometer adolescentes e adultos. O quadro costuma iniciar como um resfriado comum e, depois de alguns dias, evolui para crises de tosse intensa que podem durar semanas. Por se tratar de uma doença contagiosa, a identificação precoce das causas e o início do tratamento adequado são fundamentais para reduzir complicações e interromper a cadeia de transmissão.
Ao longo dos anos, a coqueluche passou a ser menos frequente em muitos países por causa da vacinação, mas ainda provoca surtos, especialmente em locais com baixa cobertura vacinal ou onde há atraso nas doses. Bebês menores de seis meses, que ainda não completaram o esquema de imunização, estão entre os mais vulneráveis. Por isso, o cuidado com a prevenção, o diagnóstico e o manejo clínico continua sendo um ponto de atenção na rotina de famílias e serviços de saúde.
O que causa a coqueluche e como ocorre a transmissão?
A principal causa da coqueluche é a bactéria Bordetella pertussis, que se instala nas vias respiratórias superiores, como nariz, garganta e traqueia. Essa bactéria libera toxinas que irritam a mucosa respiratória e desencadeiam a tosse típica e persistente. Em alguns casos, outras espécies do mesmo grupo, como a Bordetella parapertussis, podem causar um quadro semelhante, porém geralmente mais brando.
A transmissão da coqueluche acontece pelo ar, por meio de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O contágio é mais intenso no início da doença, quando os sintomas ainda parecem de um resfriado comum. Ambientes fechados e com pouca ventilação favorecem a disseminação, principalmente em creches, escolas e dentro das residências. Adultos com tosse prolongada, sem diagnóstico, podem funcionar como fonte silenciosa de infecção para bebês.
Quais são os principais fatores de risco e sintomas da coqueluche?
Além da bactéria causadora, alguns fatores aumentam o risco de adoecer, como a falta de vacinação ou esquema vacinal incompleto, a convivência próxima com pessoas infectadas e a presença de doenças que fragilizam o sistema imunológico. Recém-nascidos, lactentes e gestantes compõem grupos de maior atenção, por terem resposta imunológica diferente e maior probabilidade de complicações respiratórias.
Os sintomas da coqueluche costumam evoluir em fases:
- Fase catarral: dura cerca de 1 a 2 semanas, com coriza, espirros, mal-estar leve e tosse discreta, lembrando um resfriado.
- Fase paroxística: surgem crises de tosse intensa, em sequência, seguidas de dificuldade para inspirar, às vezes com um som característico. Podem ocorrer vômitos após os acessos de tosse.
- Fase de convalescença: a tosse reduz gradualmente, mas pode persistir por semanas, especialmente após esforço físico ou exposição a irritantes.
Em bebês pequenos com coqueluche, os sinais podem ser menos típicos. Em vez de tosse forte, podem ocorrer pausas respiratórias, cianose (coloração arroxeada) e dificuldade para mamar, o que exige observação cuidadosa e avaliação médica imediata.
Quais são as principais formas de tratamento da coqueluche?
O tratamento da coqueluche baseia-se principalmente no uso de antibióticos e em cuidados de suporte. Quando iniciado nas primeiras semanas de sintomas, o antibiótico ajuda a reduzir o tempo de contágio e pode aliviar a intensidade do quadro. Mesmo em fases mais avançadas, o uso de medicação antibacteriana contribui para evitar a transmissão para outras pessoas do convívio.
O acompanhamento médico define o esquema e a duração do tratamento, levando em conta idade, peso e condições associadas. Em crianças pequenas, especialmente menores de seis meses, a internação pode ser necessária para monitorar a respiração, garantir hidratação adequada e controlar episódios de falta de ar. Nesses casos, o ambiente hospitalar permite oferecer oxigênio, aspiração de secreções e observação contínua.
- Antibióticos específicos para eliminar a Bordetella pertussis;
- Hidratação adequada, por via oral ou venosa, dependendo do quadro;
- Alimentação fracionada em pequenas quantidades, para evitar vômitos após as crises de tosse;
- Ambiente arejado e sem exposição à fumaça de cigarro ou outros irritantes.
Como prevenir a coqueluche no dia a dia?
A principal estratégia de prevenção é a vacina contra coqueluche, incluída nos calendários nacionais de imunização. Em geral, ela é aplicada em combinação com outras vacinas, em várias doses na infância e com reforços posteriores. A recomendação de aplicar a vacina em gestantes, a cada gravidez, também é adotada em diversos países para que os anticorpos maternos sejam transferidos ao bebê, oferecendo proteção nos primeiros meses de vida.
Além da vacinação, alguns cuidados complementares ajudam a reduzir o risco de transmissão da tosse comprida:
- Manter o calendário vacinal em dia, inclusive doses de reforço em crianças, adolescentes e adultos.
- Evitar contato próximo com pessoas que apresentam tosse intensa e prolongada sem diagnóstico.
- Ventilar bem os ambientes, especialmente creches, escolas e transportes coletivos.
- Higienizar as mãos com frequência, com água e sabão ou álcool em gel.
- Procurar avaliação médica quando a tosse persiste por mais de duas semanas, principalmente em crianças.
Ao compreender as principais causas da coqueluche, reconhecer os sintomas iniciais e seguir as orientações de tratamento e prevenção, famílias e serviços de saúde conseguem reduzir significativamente o impacto dessa infecção respiratória, protegendo principalmente os grupos mais frágeis, como bebês e pessoas com doenças crônicas.