Problemas cardíacos progressivos na distrofia muscular poderiam ser revertidos

29 jul 2026 - 07h28
(atualizado às 07h31)

29 de julho de 2026 (Bibliomed). A distrofia miotônica tipo 1 é a causa mais comum de distrofia muscular de início na idade adulta, uma doença genética que leva à fraqueza e atrofia muscular, mas também afeta o cérebro, o trato gastrointestinal e o coração. Estudo realizado no Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, se concentrou nos efeitos da distrofia miotônica tipo 1 no coração. Suas descobertas ajudam a responder perguntas sobre por que a doença piora com o tempo e se o dano pode ser revertido depois de iniciado.

Problemas cardíacos progressivos na distrofia muscular poderiam ser revertidos
Problemas cardíacos progressivos na distrofia muscular poderiam ser revertidos
Foto: gaysorn1442/Evanto / Boa Saúde

Os problemas cardíacos são principalmente anormalidades de condução elétrica, observadas em até 75% dos casos de distrofia miotônica tipo 1 em adultos, que podem resultar em arritmias com risco de vida, responsáveis por 25% da mortalidade e a segunda principal causa de morte em pacientes com a condição.

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A distrofia miotônica tipo 1 surge devido a uma mutação no gene DMPK que adiciona uma trinca repetida de blocos de construção do DNA (CTG) ao gene. A população não afetada apresenta de 5 a 37 repetições de CTG, mas as pessoas com a doença têm de 50 a mais de 4.000 repetições. Essa mutação no gene DMPK leva à produção de moléculas de RNA defeituosas que aprisionam proteínas chamadas MBNL (muscleblind-like). Acredita-se que a perda da função da MBNL seja a principal causa da distrofia miotônica tipo 1. As proteínas MBNL normalmente auxiliam no processamento do RNA durante o desenvolvimento, incluindo o controle do splicing (corte e junção) dos genes, necessário para o funcionamento normal dos mesmos. Quando as proteínas MBNL ficam aprisionadas, elas não conseguem desempenhar sua função, alterando alguns aspectos do desenvolvimento.

Os pesquisadores monitoraram a progressão de problemas cardíacos associados à distrofia miotônica tipo 1 em um modelo animal no qual o RNA tóxico foi expresso a longo prazo. Nesse modelo, o número de repetições não aumenta com o tempo, portanto, o estudo testa a progressão da doença sem a expansão da repetição CTG. Acompanhando a progressão da doença cardíaca nesses animais por até 14 meses e descobriu-se que, desde o início, os camundongos desenvolveram corações aumentados e anormalidades elétricas significativas. Com o passar do tempo, seus corações enfraqueceram, desenvolveram ritmos cardíacos com risco de vida e fibrose (cicatrização), e as câmaras cardíacas se esticaram e dilataram. Camundongos com exposição prolongada ao RNA tóxico também tiveram vidas mais curtas em comparação com camundongos de controle da mesma idade, especialmente os machos.

Curiosamente, as consequências moleculares da presença de proteínas MBNL não funcionais - especificamente o splicing anormal do RNA - surgiram precocemente, mas não pioraram com o tempo. Essa descoberta sugere que a perda da função da MBNL não se alterou ao longo do tempo e é consistente com o número estável de repetições de CTG neste modelo. Os autores concluíram que a progressão da doença cardíaca neste modelo animal não se deve ao aumento da perda da função da MBNL. Os resultados apoiam a investigação de outros potenciais contribuintes para a progressão da doença.

O estudo também revelou diferenças claras entre os sexos, semelhantes ao que se observa em pessoas com distrofia miotônica tipo 1. Os ratos machos geralmente desenvolveram doenças cardíacas mais graves, apresentaram distúrbios de ritmo mais acentuados e tiveram uma recuperação menor após o desligamento do RNA repetitivo, o que destaca a necessidade de compreender melhor como o sexo biológico influencia o risco de doenças cardíacas e a resposta ao tratamento na distrofia miotônica tipo 1.

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Fonte: JCI Insight. DOI: 10.1172/jci.insight.204278.

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