Em grandes centros urbanos como São Paulo, a pele enfrenta um inimigo diário e quase invisível: a poluição.
Diferente da exposição solar, que costuma ser pontual e consciente, o contato com poluentes acontece de forma contínua e silenciosa — e seus efeitos se acumulam ao longo do tempo, acelerando o envelhecimento precoce.
Segundo a dermatologista Denise Ozores, a rotina urbana expõe a pele a partículas microscópicas presentes no ar, como material particulado fino, metais pesados e resíduos da queima de combustíveis.
"A exposição diária à poluição urbana provoca uma inflamação silenciosa e acelera a perda de colágeno", explica a médica.
Dano invisível, efeito cumulativo
Essas substâncias se depositam sobre a pele ao longo do dia e desencadeiam processos de inflamação crônica de baixa intensidade e estresse oxidativo.
Com o tempo, isso leva à degradação progressiva do colágeno — proteína essencial para a firmeza e elasticidade da pele. "A pele não reage de forma imediata à poluição, mas registra esse dano ao longo dos anos", afirma Denise.
O problema é que os sinais costumam surgir tardiamente. Manchas, flacidez, perda de viço e textura irregular aparecem aos poucos, o que faz muita gente associar esses efeitos apenas à idade ou ao sol.
"Em cidades como São Paulo, o ambiente urbano pode ter um peso igual ou até maior no envelhecimento cutâneo", alerta.
Proteção além do filtro solar
Para a especialista, cuidar da pele em metrópoles exige estratégias que vão além do protetor solar. A limpeza adequada ao final do dia é fundamental para remover partículas poluentes acumuladas.
Além disso, o uso de antioxidantes tópicos ajuda a neutralizar os radicais livres gerados pela poluição, enquanto produtos que fortalecem a barreira cutânea reduzem a penetração dessas substâncias nocivas.
"Não se trata apenas de proteger, mas também de remover e neutralizar os poluentes antes que causem danos estruturais à pele", orienta a dermatologista.
Envelhecimento urbano é reflexo do estilo de vida
O chamado "envelhecimento urbano" está diretamente ligado à forma como vivemos nas grandes cidades. Trânsito intenso, ar poluído e exposição constante a agentes agressivos fazem parte da rotina — e a pele sente esse impacto.
"Entender esse processo é essencial não só para prevenir sinais estéticos, mas para preservar a saúde da pele a longo prazo", conclui Denise Ozores.