Após a onda dos bebês reborn, uma nova moda que começou na China e se espalhou nas redes sociais chama a atenção em todo o mundo: o uso da chupeta "antiestresse" por adultos. O hábito tem provocado discussões entre especialistas da área da saúde, pois, além do aspecto comportamental, a tendência de adultos usarem um acessório atribuído às crianças também levanta questões relacionadas à saúde bucal.
"Essa atitude pode ocasionar alterações na mordida, no alinhamento e o desgaste irregular dos dentes em virtude da pressão constante. Também pode haver traumas periodontais, retrações gengivais que levam à exposição da raiz, gerando sensibilidade, mobilidade nos dentes e retração do osso", explica a coordenadora do curso de Odontologia do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR) e mestre em Endodontia, Thamara Maluf.
Riscos da chupeta para adultos
O uso frequente da chupeta por adultos ainda pode afetar a articulação temporomandibular — que liga a mandíbula ao crânio e permite os movimentos da boca —, causar alterações na musculatura orofacial e zumbidos. As consequências podem ser dor, estalos, dificuldade para abrir ou fechar a boca e problemas relacionados à mastigação e à fala.
Além de comprometer a dentição, o uso frequente do acessório infantil pode trazer outras ameaças à saúde. "Esse pequeno objeto pode aumentar a chance de infecções orais e respiratórias", ressalta Thamara Maluf.
Os impactos psicológicos também não estão descartados. A especialista salienta que o uso da chupeta por adultos pode criar dependência comportamental como mecanismo de enfrentamento do estresse, o que dificulta a busca por estratégias mais saudáveis.
Reversão dos danos
Uma vez constatados, os problemas de saúde bucal provocados pela chupeta "antiestresse" podem receber diferentes tratamentos, a depender da gravidade. "Pequenas alterações na mordida podem se corrigir naturalmente, após a interrupção do hábito. Por outro lado, casos mais severos podem exigir tratamento ortodôntico, fisioterapia orofacial ou acompanhamento com especialista em disfunções temporomandibulares. Já as lesões musculares ou articulares precisam de acompanhamento odontológico especializado para controle da dor e reabilitação", orienta a mestre em Endodontia.
Dicas para abolir o hábito
Para quem deseja eliminar esse hábito — que traz mais prejuízos à saúde do que os supostos benefícios "antiestresse" mencionados nas redes sociais, sem nenhuma comprovação científica —, Thamara Maluf compartilha algumas dicas:
- Técnicas de relaxamento: pratique respiração consciente, meditação, atividade física ou alongamento. Isso ajuda o corpo e a mente a gerir as respostas ao estresse;
- Substitutos menos prejudiciais: faça exercícios com bolinhas antiestresse ou a mastigação de gomas sem açúcar;
- Acompanhamento: para casos em que o hábito esteja associado à ansiedade ou a compulsões, busque a ajuda de um psicólogo ou de outros profissionais de saúde;
- Orientação odontológica: fale com um dentista para avaliar se já existem danos à saúde bucal, para receber apoio e prevenir casos mais graves.
Por Marlise Groth