Usar perfume, hidratante, sabonete ou outros produtos de cuidados pessoais faz parte da rotina de muitas mulheres. Durante a gravidez, porém, uma nova pesquisa levanta uma dúvida.
Será que algumas substâncias presentes nesses produtos podem estar relacionadas à pressão arterial mais alta?
A questão envolve os ftalatos, compostos químicos encontrados em uma grande variedade de produtos.
Em um estudo com 338 gestantes, concentrações maiores de alguns desses compostos na urina foram associadas a níveis mais altos de pressão arterial ao longo da gravidez.
O que são os ftalatos?
Os ftalatos são substâncias usadas em diferentes produtos de consumo. Alguns deles podem interferir na ação dos hormônios do organismo e, por isso, são classificados como desreguladores endócrinos.
A exposição pode acontecer por meio de cosméticos, perfumes, produtos de higiene e outros itens de uso cotidiano.
Isso não significa que todos esses produtos contenham ftalatos nem que seu uso represente, por si só, um risco à gravidez.
Pressão alta na gravidez: o que o estudo encontrou?
Nas fases finais da gestação, as participantes com maiores níveis de alguns ftalatos apresentaram pressão arterial mais elevada.
Entre os compostos analisados, chamou atenção o monoetil ftalato (MEP), um tipo de ftalato relacionado a substâncias usadas em fragrâncias e outros produtos de cuidados pessoais.
As gestantes que apresentavam níveis mais altos de MEP na urina também tendiam a ter pressão arterial mais elevada.
Cerca de 13% das participantes desenvolveram algum transtorno hipertensivo relacionado à gestação.
A pesquisa foi publicada no Journal of the Endocrine Society.
A gestante precisa parar de usar perfume?
Não. O estudo não é suficiente para recomendar que grávidas deixem de usar perfume ou outros produtos de cuidados pessoais.
Para quem quiser reduzir a exposição aos ftalatos, uma opção é escolher sabonetes, hidratantes, cremes e outros produtos de cuidados pessoais sem fragrância ou identificados pelo fabricante como livres de ftalatos.
A medida pode reduzir o contato com essas substâncias, mas não substitui o acompanhamento do pré-natal nem serve como tratamento para pressão alta.
Quando a pressão na gravidez preocupa?
A hipertensão durante a gestação merece atenção porque pode estar relacionada a complicações como a pré-eclâmpsia.
Por isso, alterações na pressão devem ser avaliadas pela equipe que acompanha a gravidez.
Uma pressão de 140/90 mmHg (o famoso "14 por 9") ou mais, especialmente quando confirmada em novas medições, precisa de avaliação médica.
Dor de cabeça forte ou persistente, alterações na visão, dor na parte superior da barriga, falta de ar ou inchaço súbito no rosto e nas mãos também são sinais que exigem atendimento.
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