Um estudo com adultos acima de 45 anos sugere que a microbiota intestinal influencia a saúde cerebral. Pacientes com declínio cognitivo ou Alzheimer apresentam menor diversidade bacteriana, com redução de microrganismos benéficos e alta de prejudiciais. Essa alteração favorece inflamações que afetam o cérebro via eixo intestino-cérebro. Como prevenção, pesquisadores recomendam dietas ricas em fibras e alimentos naturais para manter o intestino saudável e proteger a cognição.
07 de outubro de 2026 (Bibliomed). À medida que envelhecemos, nossas habilidades cognitivas tendem a diminuir. No entanto, algumas pessoas declinam mais rapidamente do que outras, e algumas eventualmente progridem do declínio cognitivo para a demência. Agora, um estudo buscou avaliar se existe relação entre as bactérias que vivem no intestino (microbiota intestinal) e o declínio das funções cognitivas, como memória, atenção e raciocínio.
O estudo envolveu adultos com mais de 45 anos com comprometimento cognitivo ou em risco de demência. Os pesquisadores buscaram investigar a influência da composição da microbiota intestinal na melhora da saúde cerebral. Especificamente, os pesquisadores se concentraram em probióticos, prebióticos, mudanças na dieta e transplantes de microbiota fecal (TMF).
Os resultados mostraram que a composição da microbiota intestinal parece estar relacionada à saúde do cérebro: pessoas com comprometimento cognitivo leve e demência, incluindo a doença de Alzheimer, frequentemente apresentam um perfil de bactérias intestinais diferente daquele observado em indivíduos saudáveis.
Outro achado foi a redução da diversidade bacteriana no intestino de pacientes com declínio cognitivo. Esses pacientes tendiam a apresentar redução nas bactérias consideradas benéficas e aumento daquelas classificadas como potencialmente prejudiciais.
Segundo os autores, o aumento da inflamação pode ser o elo entre intestino e cérebro. Alterações na microbiota podem favorecer a produção de substâncias inflamatórias que entram na circulação e afetam o sistema nervoso, contribuindo para danos cerebrais ao longo do tempo. Eles explicam que existe uma comunicação constante entre intestino e cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro. Essa comunicação ocorre por diferentes mecanismos, incluindo a produção de substâncias químicas pelas bactérias intestinais, a atuação do sistema imunológico, a influência sobre a inflamação do organismo, a comunicação por meio do nervo vago, e a produção de metabólitos que podem afetar diretamente o funcionamento cerebral.
Mesmo que ainda não se possa provar a relação direta, as evidências atuais sugerem que a saúde do intestino pode desempenhar um papel importante na manutenção da saúde cerebral. Alterações na microbiota estão associadas ao comprometimento cognitivo e à demência, possivelmente por mecanismos relacionados à inflamação e ao metabolismo. Assim, a recomendação dos pesquisadores é que manter um intestino saudável, por meio de uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras e alimentos minimamente processados, pode ser mais um componente de um estilo de vida favorável à saúde do cérebro, embora ainda não existam evidências suficientes para recomendar tratamentos específicos voltados à microbiota como forma de prevenir demências.
Fonte: Nutrition Research. DOI: 10.1016/j.nutres.2026.01.003.