Pesquisadores relataram o caso de um idoso que morreu de leishmaniose visceral após ter um teste rápido negativo e sintomas confundidos com uma doença da medula óssea. Causada pelo mosquito-palha, a infecção afeta órgãos vitais e reduz células sanguíneas, gerando sinais como febre e perda de peso. A confirmação só ocorreu via análise da medula e PCR, reforçando o alerta médico de que exames negativos preliminares não descartam a doença, cujo diagnóstico rápido é crucial para evitar mortes.
Febre que não passa, perda de peso e alterações no sangue podem indicar diferentes problemas de saúde. Em alguns casos, esses sinais levam os médicos a investigar doenças da medula óssea, mas a causa pode ser também uma infecção grave, como a leishmaniose visceral.
Foi o que aconteceu com um homem de 86 anos do Rio Grande do Norte. A investigação revelou que ele tinha leishmaniose visceral associada à síndrome mielodisplásica, uma doença que compromete a produção das células sanguíneas.
Um teste rápido para detectar a infecção deu negativo, e a confirmação só veio após exames complementares.
O relato foi publicado na revista Discover Medicine por pesquisadores da USP e colaboradores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O caso mostra por que a leishmaniose visceral precisa ser considerada mesmo quando os primeiros exames apontam para outra doença.
Por que a infecção pode ser confundida com uma doença do sangue
Causada pelo parasita Leishmania infantum, a leishmaniose visceral é transmitida pela picada do mosquito-palha infectado. A doença pode atingir órgãos como fígado, baço e medula óssea, responsável pela produção das células do sangue.
Quando a medula é afetada, podem ocorrer anemia e redução dos glóbulos brancos e das plaquetas. Essas alterações também aparecem em doenças hematológicas e dificultam a identificação da causa.
No caso relatado, o paciente apresentava febre recorrente, emagrecimento e pancitopenia, condição caracterizada pela redução de diferentes tipos de células sanguíneas.
Os exames levantaram suspeitas de uma doença hematológica, mas a investigação identificou também a infecção parasitária.
O teste rápido para leishmaniose deu negativo, mas a suspeita persistiu. A análise da medula óssea identificou o parasita, e um exame molecular, chamado PCR, confirmou o diagnóstico.
Quais sinais merecem atenção
A leishmaniose visceral pode provocar diferentes sintomas, entre eles:
- Febre persistente;
- Emagrecimento progressivo;
- Perda de apetite;
- Fraqueza intensa;
- Aumento do abdômen, devido ao crescimento do fígado e do baço;
- Anemia e outras alterações no sangue.
Esses sinais não são exclusivos da leishmaniose e precisam ser avaliados por profissionais de saúde.
Para investigar a doença, também é importante saber se a pessoa vive ou esteve recentemente em regiões onde a infecção é frequente, pois essa informação ajuda a avaliar a possibilidade de exposição ao parasita.
Por que o diagnóstico precoce é importante
A leishmaniose visceral pode ser fatal quando não tratada adequadamente. Por isso, identificar a infecção o quanto antes é fundamental.
No caso relatado, o paciente morreu cinco dias após o início do tratamento, em decorrência da gravidade do quadro. Segundo os pesquisadores, ele não teve tempo de receber o tratamento completo.
O relato mostra que um teste negativo nem sempre é suficiente para descartar a doença. Quando os sintomas continuam levantando suspeitas, os médicos podem precisar recorrer a outros exames para identificar a causa.
Embora um único caso não permita saber com que frequência esse tipo de situação acontece, ele reforça a importância de investigar corretamente a doença para que o tratamento adequado seja iniciado o mais rápido possível.