Após décadas de alta, as Ilhas Maurício reduziram a prevalência de diabetes tipo 2 de 23,3% em 2009 para 19,9% em 2021, segundo estudo publicado na The Lancet. A mudança histórica resultou de uma estratégia integrada e contínua de saúde pública, combinando incentivo a hábitos saudáveis, atividade física, controle do tabagismo, protocolos clínicos e remédios gratuitos. O caso evidencia que a prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para conter o avanço global da doença crônica.
Sede excessiva, vontade de urinar várias vezes ao dia, cansaço e visão embaçada podem estar entre os sinais de diabetes tipo 2. Mas a doença também pode passar despercebida por bastante tempo.
É nesse cenário que um dado das Ilhas Maurício, país insular localizado no Oceano Índico, na costa leste da África, chama atenção. Depois de décadas de aumento, a prevalência de diabetes tipo 2 no país caiu de 23,3% em 2009 para 19,9% em 2021.
O resultado vem de uma série de levantamentos realizados ao longo de 34 anos e levanta uma pergunta importante: o que fez essa tendência mudar?
O diabetes realmente diminuiu no país?
A evolução da doença nas Ilhas Maurício foi esta:
- 1987: 14,7% da população avaliada tinha diabetes tipo 2.
- 1992: o índice chegou a 17,3%.
- 1998: subiu para 20,2%.
- 2009: chegou a 23,3%.
- 2015: ficou praticamente estável, em 23,1%.
- 2021: caiu para 19,9%.
Entre 2009 e 2021, a prevalência caiu 11% entre os homens e 16% entre as mulheres.
Os resultados foram publicados na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology e apresentados no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes.
Um detalhe importante está na forma de medir a doença
Os levantamentos usaram o teste oral de tolerância à glicose, conhecido como TOTG.
O exame começa após um período de jejum. Depois de uma primeira coleta de sangue, a pessoa ingere uma solução com 75 gramas de glicose e faz uma nova coleta duas horas depois.
A vantagem é que o teste mostra como o organismo reage a uma carga de açúcar. Por isso, pode identificar alterações que não aparecem da mesma maneira em uma medição feita apenas em jejum.
As Ilhas Maurício realizaram sete levantamentos desde 1987 usando esse método. Isso permitiu comparar os resultados ao longo de décadas de maneira mais consistente.
Não houve uma única solução
Ao longo dos anos, as Ilhas Maurício adotaram um conjunto de ações voltadas à prevenção e ao controle das doenças crônicas.
Entre elas estão iniciativas de alimentação saudável e atividade física, controle do tabagismo, identificação de fatores de risco e ações comunitárias.
O país também estruturou um plano nacional para doenças crônicas e protocolos de atendimento. Os serviços públicos de saúde oferecem ainda medicamentos essenciais gratuitamente.
Não é possível, porém, atribuir a queda a uma dessas medidas isoladamente. O estudo mostra a redução da prevalência durante um período em que diferentes estratégias estavam em andamento, mas não permite determinar quanto cada uma delas contribuiu para o resultado.
O que isso significa para quem quer evitar a glicose alta?
A experiência das Ilhas Maurício não significa que o diabetes tipo 2 possa simplesmente ser "curado". Ela mostra que uma tendência de aumento pode mudar quando prevenção, diagnóstico e tratamento fazem parte de uma estratégia contínua.
Para quem vive no Brasil, isso reforça a importância de hábitos saudáveis, atividade física, controle do peso quando necessário e acompanhamento médico.
Como o diabetes tipo 2 pode evoluir durante anos sem sintomas claros, identificar alterações na glicose também faz diferença.
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