Julho Verde alerta para o câncer de cabeça e pescoço, destacando a importância do diagnóstico precoce e prevenção. Tabagismo, álcool e HPV são fatores de risco, enquanto sintomas como rouquidão e feridas na boca devem ser investigados. Novas terapias, como a imunoterapia, estão revolucionando o tratamento, mas evitar riscos e buscar ajuda médica rapidamente ainda são as melhores estratégias. 💉🩺
O Julho Verde é o mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, grupo que reúne tumores que podem atingir regiões como boca, língua, laringe, faringe, cavidade nasal, seios paranasais e glândulas salivares. Apesar dos avanços nos tratamentos, muitos casos ainda são descobertos tardiamente, reduzindo as chances de um tratamento menos agressivo e aumentando o risco de complicações.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que cerca de 80% dos casos diagnosticados no Brasil entre 2000 e 2017 já estavam nos estágios III ou IV da doença. Por isso, especialistas reforçam que conhecer os fatores de risco e identificar os primeiros sintomas pode fazer toda a diferença.
O que aumenta o risco de câncer de cabeça e pescoço?
Entre os principais fatores de risco para esse tipo de câncer estão:
- Tabagismo;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- Infecção pelo HPV, especialmente nos tumores de orofaringe.
Segundo a oncologista clínica Dra. Felicia Peterson Cavalher, do A.C.Camargo Cancer Center, o diagnóstico precoce é um dos principais aliados no combate à doença. "Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as possibilidades de tratamentos curativos e de preservação das funções do paciente. Por isso, reconhecer os sinais de alerta e buscar avaliação médica precocemente faz toda a diferença", explica.
Sintomas merecem atenção
Alguns sinais podem indicar a necessidade de uma avaliação médica, principalmente quando persistem por mais de duas semanas.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Feridas na boca que não cicatrizam;
- Rouquidão persistente;
- Dor de garganta contínua;
- Dificuldade para engolir;
- Caroços ou nódulos no pescoço;
- Congestão nasal persistente;
- Redução da audição sem causa aparente.
De acordo com a fonoaudióloga Elisabete Carrara, do A.C.Camargo Cancer Center, muitas pessoas acabam adiando a procura por atendimento. "Alterações persistentes na voz não devem ser encaradas como algo normal. Quando avaliadas precocemente, aumentam as chances de um tratamento menos agressivo e de uma recuperação funcional mais completa", orienta.
Reabilitação também faz parte do tratamento
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço envolve uma equipe multidisciplinar. Além dos oncologistas e cirurgiões, profissionais como fonoaudiólogos têm papel importante antes, durante e depois do tratamento.
Segundo Carrara, o objetivo é preservar ou recuperar funções essenciais, como fala, voz e deglutição, permitindo que o paciente retome sua autonomia e qualidade de vida após o tratamento.
Imunoterapia amplia opções para pacientes
Além do diagnóstico precoce, novas terapias também têm mudado o cenário do tratamento. Uma delas é o pembrolizumabe, imunoterapia aprovada pela Anvisa para pacientes com determinados tipos de câncer de cabeça e pescoço considerados de alto risco e que podem ser tratados com cirurgia.
A estratégia, disponível no A.C.Camargo Cancer Center desde setembro de 2025, é indicada para pacientes com carcinoma escamoso localmente avançado que apresentam o marcador PD-L1 e possuem indicação cirúrgica.
Nesses casos, a imunoterapia é administrada antes e depois da cirurgia. Estudos mostram que essa abordagem reduz o risco de recidiva, quando o câncer volta após o tratamento, representando um avanço importante em uma área que permaneceu praticamente sem mudanças terapêuticas por cerca de duas décadas.
Prevenção continua sendo o melhor caminho
Embora novas opções de tratamento tragam resultados promissores, especialistas reforçam que a prevenção ainda é a estratégia mais eficaz. Evitar o cigarro, reduzir o consumo de álcool, manter a vacinação contra o HPV em dia e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes são medidas que aumentam as chances de diagnóstico precoce e de um tratamento mais eficaz.