A patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como o Ozempic, está chegando ao fim no Brasil. A mudança abre caminho para que outras empresas desenvolvam produtos semelhantes. Mesmo assim, especialistas alertam que os efeitos sobre os preços ainda devem demorar a aparecer.
O que muda com o fim da patente
Com o término da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk, empresas brasileiras e estrangeiras passam a poder registrar medicamentos à base de semaglutida.
Na prática, isso cria espaço para novos concorrentes no mercado. Ainda assim, as novas versões precisam passar por avaliação e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Isso significa que os medicamentos não chegam automaticamente às farmácias após o fim da patente.
Já existem pedidos para novos medicamentos?
Segundo a Anvisa, há atualmente 14 pedidos em análise para produção de medicamentos à base de semaglutida.
A expectativa é que apenas algumas autorizações sejam concedidas por semestre. Esse processo regulatório pode se estender até 2028, dependendo da complexidade das análises.
Entre os pedidos mais avançados estão os apresentados pelas farmacêuticas EMS e Ávita Care.
Mesmo assim, especialistas apontam que o lançamento de versões nacionais ainda depende de etapas regulatórias e logísticas, como importação de insumos e distribuição.
Ozempic vai ter versão genérica?
Não. Diferentemente de medicamentos sintéticos tradicionais, remédios biológicos não possuem versões genéricas.
Isso acontece porque os biológicos são produzidos a partir de sistemas vivos e possuem estruturas moleculares complexas. Por esse motivo, não é possível reproduzir uma cópia idêntica da fórmula original.
Nesses casos, a alternativa são os chamados biossimilares.
Esses medicamentos são desenvolvidos para ter eficácia, segurança e qualidade semelhantes ao produto de referência, mas não são classificados como genéricos.
Os preços podem cair?
A chegada de concorrentes pode impactar o preço ao longo do tempo. No entanto, a redução tende a ser menor do que a observada com medicamentos genéricos.
Biossimilares costumam chegar ao mercado com valores cerca de 20% menores que o medicamento original.
Mesmo assim, especialistas afirmam que a competição entre empresas pode estimular descontos maiores. A própria fabricante do Ozempic também pode reduzir preços para manter competitividade.
Quando os consumidores devem sentir diferença
Por enquanto, os pacientes só devem perceber mudanças mais claras quando os primeiros medicamentos concorrentes forem aprovados e lançados no mercado.
Até lá, o processo de análise regulatória e autorização da Anvisa continua sendo o principal fator que determinará quando novas opções estarão disponíveis nas farmácias.
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