Em relatório técnico sobre a Copa do Mundo, a Fifa destacou Vini Jr. como exemplo da tendência tática de atrair a marcação pelo centro para acionar pontas abertos em duelos individuais. O atacante participou de 49,8% das posses progressivas do Brasil, atuou como ponta invertido e teve desempenho acima da média. Titular em cinco jogos, somou quatro gols e uma assistência no Mundial, sendo apontado pelo comitê como peça-chave pela capacidade de acelerar, mudar de direção e buscar o gol.
Vini Jr. ganhou um destaque especial em uma análise técnica da Fifa sobre as estratégias utilizadas na Copa do Mundo. O atacante da Seleção Brasileira foi citado como exemplo de uma tendência ofensiva que ganhou força durante o torneio.
O relatório do Grupo de Estudos Técnicos da entidade analisou como as equipes passaram a utilizar o centro do campo para atrair a marcação. A partir daí, a bola era direcionada para os jogadores posicionados nas laterais.
Foi nesse cenário que Vini Jr. apareceu entre os principais exemplos. A capacidade do brasileiro de receber aberto, acelerar e partir para o duelo individual chamou a atenção dos responsáveis pelo estudo.
A análise foi feita a partir dos 104 jogos do Mundial. Para chegar às conclusões, os 11 integrantes do grupo utilizaram dados de desempenho, vídeos e observações das partidas.
Por que Vini Jr. chamou a atenção da Fifa?
A participação do brasileiro nas chamadas posses progressivas do Brasil foi um dos pontos destacados no levantamento. Vini Jr. esteve envolvido em 49,8% delas, índice que o colocou na quarta posição da Seleção nesse recorte.
O relatório também apontou um desempenho acima da média dos jogadores de sua posição em diferentes indicadores ligados às posses que terminaram em ações bem-sucedidas.
Foto: Reprodução/@vinijr.
Na prática, a característica observada pela Fifa está relacionada ao estilo de jogo do atacante. Vini Jr. recebia aberto pelo lado esquerdo e tinha espaço para acelerar, mudar de direção e buscar o confronto direto com os defensores.
O brasileiro foi citado ao lado do marfinense Yan Diomande como um dos jogadores que ajudaram suas seleções a levar a bola para regiões mais avançadas do campo.
O brasileiro também representa outra tendência
Vini Jr. apareceu ainda em outro ponto do estudo: a utilização de pontas invertidos.
A Fifa identificou dez seleções que utilizaram jogadores de lado com movimentações mais próximas da região central durante a construção das jogadas. Dessa forma, esses atletas poderiam se tornar opções adicionais de passe pelo meio.
O atacante brasileiro foi um dos exemplos apresentados pela entidade nesse comportamento, atuando como ponta esquerda.
A própria construção do Brasil também entrou no levantamento. A Seleção esteve entre as equipes que iniciavam algumas jogadas com três jogadores na última linha.
Foto: Reprodução/@vinijr.
Números de Vini Jr. no Mundial
O destaque no relatório tático veio acompanhado de uma participação importante do atacante durante a competição.
Vini Jr. foi titular nos cinco jogos disputados pelo Brasil. Ao longo do Mundial, somou mais de 440 minutos em campo, marcou quatro gols e registrou uma assistência.
O atacante também recebeu da Fifa o prêmio de melhor jogador nas partidas contra Marrocos, Haiti e Escócia.
De acordo com informações divulgadas pelo GE, o líder do Grupo de Estudos Técnicos da entidade classificou a atuação de Vini Jr. pelo lado esquerdo foi uma das características mais marcantes do brasileiro.
"Vinicius jogou aberto na ponta esquerda, fez muitas jogadas de um contra um. É um jogador que vai direto para o gol e tem esse objetivo claro", afirma Pascal Zuberbühler.
Foto: Reprodução/@vinijr.
Quais tendências a Fifa identificou?
A análise não ficou restrita ao desempenho dos pontas. O grupo identificou 11 tendências técnicas e táticas ao observar o comportamento das seleções durante a Copa.
Entre elas estavam a rotação frequente dos jogadores, a mudança do ponto de ataque, a pressão alta estruturada e a pressão depois da perda da bola.
As bolas paradas e a participação dos goleiros na construção também fizeram parte do levantamento.
A Fifa observou ainda como as equipes passaram a iniciar as jogadas. Os tiros de meta curtos representaram 58% do total analisado, enquanto a saída com os goleiros caiu para 52%.
Segundo Zuberbühler, a maior pressão exercida pelos adversários contribuiu para aumentar a participação dos goleiros na construção.
Para realizar o estudo, o grupo reuniu aproximadamente 15 mil dados coletados ao vivo e mais de 300 vídeos. Dos 104 jogos, 40% foram acompanhados presencialmente. As demais partidas foram observadas a partir de uma central em Miami.
O resultado foi um levantamento com mais de 500 páginas de informações sobre o torneio.
Tom Gardner, responsável pelos insights de desempenho no futebol da Fifa, ressaltou a variedade de estratégias apresentadas pelas seleções.
"O mais chamativo foi a variação tática das seleções. Houve muitos modelos, e todos muito bem executados. Não houve uma única grande mudança tática. Todos conseguiram explorar suas forças", afirmou.