Viajar no feriado prolongado é comum. Mas, para quem tem enxaqueca, o avião pode virar um gatilho.
Segundo o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em cefaleia, isso tem explicação científica. "A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, caracterizada por um cérebro mais sensível a mudanças do ambiente", afirma.
E o motivo é o fato de que o voo reúne várias dessas mudanças ao mesmo tempo.
Pressão atmosférica é o principal fator
Durante a viagem, o corpo passa por variações de pressão. Isso acontece na decolagem, durante o voo e no pouso.
Mesmo com a cabine pressurizada, a diferença em relação ao solo ainda é significativa. Para quem tem enxaqueca, isso pode aumentar a atividade do sistema nervoso.
Um estudo recente, publicado em 2025, reforça essa relação. A análise de diversos trabalhos mostrou que mudanças de pressão e temperatura estão associadas às crises.
Outros gatilhos comuns durante o voo
Além da pressão, outros fatores aumentam o risco de dor.
Entre os principais estão:
- Desidratação, causada pelo ar seco da cabine.
- Alterações no sono ou noites mal dormidas.
- Jejum prolongado ou alimentação irregular.
- Estresse físico e emocional da viagem.
Esse conjunto de fatores aumenta a sensibilidade do cérebro. Como resultado, as crises podem surgir com mais facilidade.
Por que o risco aumenta no feriado?
Durante o feriado prolongado, a rotina muda bastante. E isso também influencia a enxaqueca.
Alguns hábitos comuns nessa época funcionam como gatilhos extras:
- Consumo de álcool.
- Mudanças nos horários de sono.
- Exposição ao calor.
- Alimentação diferente do habitual.
Quando esses fatores se somam ao voo, o risco de crise aumenta.
O problema não é o voo
Apesar dos gatilhos, o especialista faz um alerta importante: eles não são a causa da doença. "O problema central é a enxaqueca não tratada", explica.
Quando o tratamento está em dia, o organismo tolera melhor essas mudanças. Isso inclui viagens de avião e alterações no ambiente.
Como reduzir o risco de crise de enxaqueca ao viajar
Algumas atitudes simples ajudam a diminuir as chances de dor:
- Beber água com frequência.
- Evitar longos períodos sem comer.
- Dormir bem antes da viagem.
- Reduzir o consumo de álcool.
Essas medidas ajudam, mas não substituem o tratamento médico.
Tratamento faz a diferença
Hoje, existem várias opções para controlar a enxaqueca.
O tratamento pode incluir:
- Medicamentos orais, como anticonvulsivantes e betabloqueadores.
- Terapias com anticorpos monoclonais anti-CGRP.
- Aplicação de toxina botulínica em casos específicos.
Essas abordagens ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises.
Com acompanhamento adequado, é possível viajar com mais conforto.