Estresse pode desencadear doenças de pele

14 out 2026 - 12h54
(atualizado às 12h55)
Resumo
Pesquisadores da Universidade de Fudan descobriram o mecanismo biológico que liga o estresse ao agravamento do eczema. A pesquisa revelou que o estresse psicológico ativa neurônios da pele via sistema nervoso central, liberando proteínas inflamatórias que elevam a presença de eosinófilos no tecido cutâneo. Analisando humanos e camundongos, o estudo comprovou que níveis altos de tensão pioram sensivelmente a gravidade das crises, intensificando a vermelhidão, a coceira e a inflamação da pele.

14 de outubro de 2026 (Bibliomed). Pesquisadores da Universidade de Fudan, na China, investigaram as conexões biológicas entre o estresse e o surgimento de crises de eczema, uma inflamação da pele que causa coceira forte, vermelhidão e pele seca, também conhecida como dermatite.

Estresse pode desencadear doenças de pele
Estresse pode desencadear doenças de pele
Foto: MarishkaTR/Evanto / Boa Saúde

Apesar de existirem tratamentos para controle do eczema, ainda não há cura, e os sintomas podem ser intermitentes, variando de intensidade entre os episódios, também chamados de crises.

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O estudo envolveu 51 participantes com diagnóstico de eczema, e utilizaram a Escala de Estresse Percebido (PSS) para medir seus níveis de estresse, o método SCORAD (SCORing Atopic Dermatitis) e a Escala Numérica de Avaliação (NRS) para avaliar a gravidade da inflamação da pele. Eles também analisaram amostras de pele e sangue de cada participante do estudo.

Os autores identificaram uma rede neural que, quando ativada pelo estresse, desencadeia uma resposta imunológica que leva às crises de eczema. Eles descobriram que os participantes que apresentaram níveis elevados de estresse também experimentaram inflamações cutâneas mais graves durante as crises de eczema do que aqueles com níveis baixos de estresse.

Além disso, os participantes que vivenciaram altos níveis de estresse apresentaram níveis elevados de eosinófilos, um tipo de glóbulo branco que desempenha um papel importante nas respostas imunológicas.

Usando um modelo de eczema em camundongos que desenvolveram sintomas como vermelhidão, coceira e inflamação da pele, os pesquisadores confirmaram que, sob estresse, esses sintomas pioravam perceptivelmente.

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Ao coletar e analisar amostras de pele dos camundongos, os autores do estudo descobriram que as amostras de animais que vivenciaram altos níveis de estresse continham quatro vezes mais eosinófilos do que as de animais que não vivenciaram estresse. Em seguida, eles analisaram as células nervosas da pele e identificaram um grupo específico que era ativado durante o estresse psicológico.

O que aconteceu foi que essas células neurais responderam a sinais de estresse do sistema nervoso central (SNC), o que levou à liberação de certas proteínas inflamatórias que, por sua vez, dobraram o nível de eosinófilos na pele, causando inflamação.

Fonte: Science. DOI: 10.1126/science.adv5974.

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