Um estudo publicado na PLOS Biology revelou que sonhos intensos e vívidos aumentam a sensação de ter dormido profundamente, mesmo que a pessoa não se lembre deles ao acordar. No entanto, essa percepção de sono profundo não garante um descanso real nem elimina o cansaço diurno. Especialistas alertam que, se a fadiga persistir mesmo após noites com horas adequadas de sono, sintomas como ronco e sonolência excessiva devem ser investigados por um médico para descartar outros distúrbios.
A pessoa dorme oito horas, acorda e, antes mesmo de sair da cama, já sente que poderia dormir mais algumas. Em outra noite, dorme menos, mas levanta com a sensação de que descansou muito melhor. O corpo parece mais disposto e a cabeça funciona bem.
A diferença pode parecer estranha, já que a quantidade de horas de sono costuma ser um dos primeiros indicadores de uma boa noite de descanso.
Um estudo encontrou uma pista curiosa para explicar por que algumas noites parecem mais restauradoras do que outras. E ela pode estar justamente nos sonhos.
Sonhar pode fazer o sono parecer mais profundo
O estudo encontrou uma relação curiosa entre os sonhos e a sensação de ter dormido profundamente.
Quando os sonhos eram mais intensos, vívidos e envolventes, os participantes tinham maior tendência a perceber o sono como profundo.
Isso também acontecia quando não conseguiam lembrar exatamente do que haviam sonhado depois de acordar.
O achado chama atenção porque, durante o sono profundo, a atividade do cérebro costuma diminuir.
Os sonhos, por outro lado, podem envolver imagens, emoções e acontecimentos que parecem muito reais. Mesmo assim, quanto mais envolvente era essa experiência durante o sono, maior tendia a ser a sensação de ter dormido profundamente.
Sonhar mais significa dormir melhor?
A resposta ainda não é tão simples.
O estudo encontrou uma associação entre a intensidade dos sonhos e a sensação de ter dormido profundamente. Isso não significa, porém, que sonhar mais reduza o cansaço ou faça a pessoa acordar mais disposta no dia seguinte.
A percepção de ter dormido profundamente também não é a mesma coisa que acordar sem sonolência. Por isso, ter sonhos intensos não é garantia de uma noite mais restauradora.
Na prática, a descoberta ajuda a entender por que duas noites com a mesma duração podem ser percebidas de maneiras tão diferentes. A quantidade de horas continua importante, mas não é o único fator que influencia como a noite de sono é percebida.
O estudo foi publicado na revista científica PLOS Biology.
O que fazer quando você acorda cansado mesmo dormindo bem
Se isso acontece ocasionalmente, uma noite mal dormida ou uma mudança na rotina pode ser suficiente para explicar o cansaço.
Quando a sensação se repete, porém, vale olhar além da quantidade de horas dormidas. Ronco intenso, pausas na respiração, engasgos durante a noite e muita sonolência durante o dia são sinais que merecem atenção.
Também é importante observar se o cansaço continua mesmo quando a pessoa mantém horários regulares e tempo suficiente para dormir.
A neurologista Dra. Marília Graner ressalta que queixas persistentes de cansaço precisam ser avaliadas de forma individualizada.
"A resposta mais eficaz para queixas como cansaço extremo e falhas de memória é sempre uma consulta detalhada", afirma.
Assim, se você dorme o suficiente e continua acordando cansado com frequência, uma avaliação médica pode ajudar a descobrir o que está por trás disso.