Doenças autoimunes: como a acupuntura pode aliviar sintomas

A acupuntura pode reduzir a inflamação e a dor em doenças como artrite e Crohn. Entenda como as agulhas regulam a imunidade e veja os benefícios comprovados

18 jan 2026 - 12h46

Quem convive com uma doença autoimune sabe que o desafio vai muito além do diagnóstico. Condições como Artrite Reumatoide e Lúpus trazem consigo uma carga pesada de sintomas diários. É nesse cenário que a acupuntura tem ganhado destaque não apenas como uma terapia alternativa, mas como uma ciência complementar robusta

Veja os benefícios da acupuntura para casos de doenças autoimunes
Veja os benefícios da acupuntura para casos de doenças autoimunes
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Dor crônica, fadiga extrema e inflamação são algumas manifestações que nem sempre os remédios convencionais conseguem silenciar completamente. As agulhas possuem mecanismos fisiológicos comprovados que ajudam a "acalmar" o sistema imunológico que está atacando o próprio corpo.

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Acupuntura e doença autoimune

Para entender os benefícios, é preciso desmistificar a técnica. Na visão da medicina ocidental moderna, a acupuntura funciona como um potente estimulador do sistema nervoso central.

Quando o especialista insere a agulha em pontos específicos (chamados acupontos), ocorre uma microlesão controlada que envia sinais imediatos ao cérebro. Estudos apontam que esse estímulo desencadeia três processos vitais para pacientes autoimunes:

  1. Produção de analgésicos naturais: o corpo libera endorfinas, encefalinas e serotonina. Essas substâncias funcionam como analgésicos potentes produzidos pelo próprio organismo. Assim, ocorre as dores articulares e musculares são aliviadas sem os efeitos colaterais de remédios fortes.

  2. Redução da "tempestade inflamatória": doenças autoimunes são marcadas por um excesso de citocinas inflamatórias (proteínas que sinalizam para o corpo atacar). A acupuntura ajuda a modular essa resposta, reduzindo as citocinas "más" (como TNF-alfa e IL-6) e estimulando as anti-inflamatórias.

  3. Controle do estresse (Eixo HPA): o estresse é o maior gatilho para crises autoimunes. A técnica regula o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, baixando os níveis de cortisol e equilibrando o sistema nervoso autônomo.

Benefícios da prática

Embora a técnica beneficie o organismo como um todo, algumas condições específicas respondem muito bem ao tratamento complementar com agulhas.

1. Artrite Reumatoide (AR)

Nesta doença, o sistema imune ataca as articulações, causando inchaço, rigidez e dor severa. Segundo Eduardo D'Alessandro, acupunturista e membro do Colégio Médico de Acupuntura de São Paulo, a prática clínica mostra que pacientes com AR podem ser beneficiados pela acupuntura.

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"Além do alívio dos sintomas físicos, a acupuntura proporciona benefícios adicionais, como controle mais adequado da dor, melhor qualidade de sono, menor sofrimento emocional e ganho de funcionalidade", explica D'Alessandro.

2. Doenças Inflamatórias Intestinais (Crohn e Retocolite)

Aqui, o "segundo cérebro" (o intestino) é o alvo. A acupuntura tem se mostrado eficaz na regulação do eixo intestino-cérebro.

Ao estimular pontos ligados ao nervo vago, a técnica ajuda a controlar a motilidade intestinal (reduzindo diarreias ou constipação severa) e a acalmar a mucosa inflamada. Além disso, o alívio da ansiedade é crucial, já que o estado emocional impacta diretamente as crises intestinais.

3. Esclerose Múltipla (EM)

Para pacientes com EM, os sintomas mais desafiadores costumam ser a espasticidade (rigidez muscular), a fadiga crônica e a dor neuropática.

A inserção das agulhas ajuda a relaxar a musculatura profunda, aliviando espasmos involuntários. Além disso, o efeito energético da acupuntura combate a fadiga, devolvendo um pouco da disposição que a doença costuma roubar.

Tratamento complementar, não substitutivo

É fundamental alinhar as expectativas: a acupuntura não cura doenças autoimunes, que são condições crônicas. O papel dela é oferecer qualidade de vida.

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O Dr. Eduardo D'Alessandro reforça a importância da segurança. Segundo ele, a acupuntura deve integrar um plano de tratamento sob a supervisão de um médico experiente.

Ou seja, não abandone seus imunossupressores ou corticoides sem ordem médica. A ideia é que, com o tempo e a melhora dos sintomas, o médico reumatologista ou neurologista possa reduzir as doses das medicações mais agressivas.

Quando procurar um especialista?

Se você sente que, mesmo medicado, continua com dores persistentes, dorme mal ou vive ansioso com a evolução da doença, a acupuntura pode ser a peça que falta no seu quebra-cabeça de saúde.

Procure sempre profissionais habilitados (médicos, fisioterapeutas ou biomédicos acupunturistas) e informe seu histórico de saúde. Tratar a mente e o corpo de forma integrada é o melhor caminho para conviver bem com o diagnóstico.

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