Dinheiro ajuda, mas não basta: o que determina a felicidade?

Brasil enfrenta desafios sociais e econômicos

19 mar 2026 - 11h24

Dia Internacional da Felicidade, celebrado em 20 de março, reacende debate global sobre bem-estar, saúde mental e qualidade de vida

Dinheiro, carreira, estabilidade financeira. O que realmente faz alguém feliz? A pergunta atravessa culturas, pesquisas e debates e ganha ainda mais destaque com a chegada do Dia Internacional da Felicidade, celebrado em 20 de março. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas, reforça a importância de colocar o bem-estar e a qualidade de vida no centro das decisões sociais e políticas.

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Foto: Revista Malu

Embora a estabilidade financeira seja um fator relevante, estudos indicam que ela está longe de ser o único elemento associado à felicidade. O World Happiness Report, relatório global divulgado anualmente com apoio da ONU, mostra que fatores como apoio social, saúde mental, confiança nas instituições e sensação de pertencimento têm peso decisivo na percepção de bem-estar da população.

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No levantamento mais recente, países nórdicos continuam liderando o ranking mundial de felicidade, com destaque para a Finlândia, que mantém a primeira posição.

Um dos exemplos mais conhecidos vem do Butão. Pequeno país do Himalaia que se tornou referência internacional ao adotar a Felicidade Interna Bruta (FIB) como indicador de desenvolvimento. O modelo avalia aspectos como saúde, educação, meio ambiente, cultura e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. "O modelo do Butão mostra que desenvolvimento não é apenas crescimento econômico. É também qualidade de vida", afirma Lhatu, diretor executivo do Centro de Felicidade Interna Bruta do país.

No Brasil, a discussão ganha ainda mais relevância diante de desafios econômicos e sociais. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que 79,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro de 2026. Este é o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O cenário ajuda a explicar por que questões como segurança financeira, saúde mental e estabilidade social aparecem com frequência entre os fatores que influenciam a percepção de felicidade.

Congresso da Felicidade leva debate para Brasília

A discussão sobre bem-estar também ganha espaço em eventos e políticas públicas. No próprio dia 20 de março, Brasília recebe o 2º Congresso da Felicidade. Encontro reunirá especialistas brasileiros e internacionais para discutir qualidade de vida nas cidades, desenvolvimento humano e felicidade nas organizações.

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O evento terá como destaque a participação de Lhatu, uma das principais referências globais na aplicação da felicidade como indicador de políticas públicas. A programação também contará com nomes como Cosete Ramos, pioneira no movimento de estudos sobre felicidade no Brasil, e o Bispo JB Carvalho, que trará uma reflexão sobre espiritualidade, propósito e o papel da fé na construção do bem-estar individual e coletivo.

Para Cosete, a discussão sobre felicidade precisa ultrapassar a esfera individual e chegar ao campo das decisões coletivas. "A felicidade hoje é uma pauta mundial. A ONU divulga todos os anos o ranking dos países mais felizes do planeta e cada vez mais governos percebem que bem-estar precisa fazer parte das políticas públicas", afirma.

O 2º Congresso da Felicidade é organizado pelo Instituto de Produção Socioeducativo e Cultural Brasileiro, com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura.

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