O uso da canela como tempero e até como ingrediente em bebidas é bastante comum no dia a dia. No entanto, alguns estudos e alertas de profissionais de saúde chamam a atenção para o possível impacto desse condimento no fígado quando consumido em grandes quantidades. A discussão gira em torno principalmente de um composto presente na canela, que pode sobrecarregar o organismo se a ingestão for exagerada e frequente.
Em 2025, a canela continua sendo vista como um ingrediente versátil, utilizado em receitas doces e salgadas, além de chás e suplementos. Apesar disso, cresce o interesse em entender se esse consumo é realmente seguro em todas as situações. A palavra-chave central desse debate é canela e fígado, especialmente quando se fala de doses elevadas, uso diário e produtos concentrados.
Canela pode prejudicar o fígado em excesso?
A preocupação com a canela em excesso está ligada, principalmente, à presença de uma substância chamada cumarina, encontrada em maior quantidade na chamada canela-cássia (a mais comum e barata no comércio). Em altas doses e por períodos prolongados, a cumarina pode ser tóxica para o fígado em algumas pessoas, especialmente em indivíduos com maior sensibilidade ou que já tenham alguma doença hepática prévia.
Em quantidades pequenas, como as usadas para polvilhar um alimento ou aromatizar um chá ocasionalmente, a canela tende a ser bem tolerada na maioria dos casos. O risco aumenta quando há consumo diário e em grandes porções, por exemplo, em cápsulas, shakes, misturas para "emagrecimento rápido" ou receitas que utilizam colheres cheias de canela repetidamente ao longo do dia. Nesses cenários, a carga de cumarina pode ultrapassar os limites considerados seguros para o fígado.
Autoridades de saúde de alguns países estabelecem valores de ingestão diária tolerável de cumarina por quilo de peso corporal. Embora esses números variem, a orientação geral é evitar o uso abusivo e contínuo, principalmente de canela-cássia. A canela-do-Ceilão, por outro lado, costuma ter teor bem menor de cumarina, o que reduz o risco potencial, embora isso não signifique que possa ser usada sem nenhuma moderação.
Quais sinais podem indicar sobrecarga do fígado pelo uso de canela?
O fígado é um órgão responsável por metabolizar diversas substâncias, incluindo componentes presentes em alimentos e medicamentos. Quando há sobrecarga, podem surgir sinais inespecíficos, que não apontam apenas para a toxicidade da canela, mas que chamam atenção para o estado do fígado. Entre eles, destacam-se:
- Cansaço frequente e persistente;
- Mal-estar geral e perda de apetite;
- Dor ou desconforto na região abdominal superior direita;
- Urina escurecida e fezes mais claras;
- Amarelamento da pele e dos olhos (icterícia).
Esses sintomas também podem estar associados a outras causas, como uso de álcool, medicamentos, infecções virais ou doenças metabólicas. Por isso, em caso de suspeita de relação entre canela e fígado, a recomendação é buscar avaliação médica para exames específicos, como testes de função hepática. Somente a análise clínica e laboratorial consegue apontar se há lesão hepática e qual é o provável fator desencadeante.
Como consumir canela de forma segura no dia a dia?
O consumo seguro da canela passa por três pontos principais: quantidade, frequência e tipo de canela escolhida. Em termos gerais, a utilização moderada em preparações culinárias é considerada adequada para pessoas saudáveis, sem histórico de doença no fígado. Essa moderação inclui pequenas pitadas em frutas, mingaus, cafés ou chás, sem exageros diários.
Para quem deseja manter a canela na alimentação com mais tranquilidade, algumas estratégias ajudam:
- Evitar altas doses contínuas: reduzir o uso diário de colheres cheias de canela em bebidas e receitas repetidas muitas vezes ao dia.
- Ter cuidado com suplementos: cápsulas, extratos e produtos "naturais" em geral podem concentrar grandes quantidades de compostos da canela, elevando o risco para o fígado.
- Verificar o tipo de canela: sempre que possível, dar preferência à canela-do-Ceilão, que tende a ter menor teor de cumarina.
- Observar doenças pré-existentes: pessoas com hepatite, esteatose hepática (gordura no fígado), cirrose ou uso de medicamentos hepatotóxicos devem ter atenção redobrada e seguir orientação profissional.
- Evitar uso com fins "milagrosos": receitas que prometem resultados rápidos para emagrecimento ou controle de doenças, baseadas em grande quantidade de canela, podem aumentar o risco de dano hepático.
Também é importante lembrar que a sensibilidade à cumarina não é igual para todas as pessoas. Há quem tolere pequenas variações de consumo sem alterações detectáveis nos exames, enquanto outros podem desenvolver alterações hepáticas com doses mais baixas. Essa diferença reforça a importância de não tratar a canela como se fosse totalmente inofensiva apenas por ser um produto de origem vegetal.
Canela e fígado: qual é o papel da orientação profissional?
A relação entre canela e fígado ganha relevância quando o condimento deixa de ser apenas um detalhe na cozinha e passa a ser utilizado como estratégia principal em dietas, chás "detox" e suplementos concentrados. Nessas situações, a avaliação individual se torna fundamental, considerando peso, idade, outros medicamentos em uso e presença de doenças crônicas.
Médicos e nutricionistas podem orientar sobre quantidades mais adequadas de canela para cada caso, além de sugerir alternativas quando existir risco maior de toxicidade hepática. Em alguns cenários, pode ser indicado reduzir o uso de canela-cássia, optar pela versão do Ceilão ou até suspender o condimento por um período, enquanto se monitoram exames do fígado.
Dessa forma, a canela continua podendo fazer parte da alimentação, desde que inserida em um contexto de equilíbrio. O ponto central não é eliminar completamente o tempero, mas evitar o exagero e o uso indiscriminado, lembrando que qualquer substância, mesmo natural, pode trazer consequências ao fígado quando consumida além do que o organismo consegue metabolizar com segurança.