Cárie atinge 2,5 bilhões e alerta para descaso no Brasil

Dados da OMS revelam que a cárie é a doença não transmissível mais comum do globo. No Brasil, especialista aponta que a falta de cultura preventiva sobrecarrega o sistema de saúde e prejudica o desenvolvimento infantil

23 jan 2026 - 19h49

A cárie dentária não é apenas um problema estético; ela é a doença não transmissível mais prevalente do planeta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,5 bilhões de pessoas convivem com a condição. No Brasil, o cenário é crítico desde a infância: 41,2% das crianças aos 5 anos já possuem cáries não tratadas.

A cárie é um problema mundial e ainda pouco tratada no Brasil
A cárie é um problema mundial e ainda pouco tratada no Brasil
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Para Cristiano Demartini, dentista e CEO da OdontoTop, o problema é cultural. "Muitos ainda veem o dentista como um 'pronto-socorro'. A cárie é evitável, mas a falta de rotina de cuidados a transforma em um grave gargalo de saúde pública", alerta.

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Como a cárie se desenvolve?

A doença ocorre quando a placa bacteriana transforma o açúcar dos alimentos em ácidos que corroem o dente.

  1. Esmalte: A camada externa é atingida.

  2. Dentina: A cárie avança, causando sensibilidade.

  3. Polpa: O estágio final atinge os nervos, causando dores agudas e infecções graves.

O impacto sistêmico: A cárie além da boca

A saúde bucal está conectada ao corpo todo. Negligenciar uma cárie pode abrir portas para:

  • Riscos cardíacos: Bactérias da boca podem cair na corrente sanguínea e causar a endocardite bacteriana (infecção nas válvulas do coração).

  • Diabetes: Infecções bucais podem dificultar o controle da glicose, criando um ciclo vicioso perigoso.

  • Desenvolvimento infantil: Crianças com dor têm a nutrição, a fala e o rendimento escolar prejudicados pela baixa autoestima e pelo desconforto constante.

Os 4 pilares da prevenção ativa

Reverter esse cenário exige a mudança do modelo "curativo" (ir ao dentista apenas na dor) para o "preventivo". Cristiano Demartini destaca quatro estratégias essenciais:

1. Higiene rigorosa

A escovação após as refeições é a base, mas o fio dental é indispensável. Ele é o único capaz de remover a placa entre os dentes, onde a escova não alcança.

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2. Controle do açúcar

A cárie se alimenta de carboidratos fermentáveis. Reduzir o consumo de doces e ultraprocessados impede que o pH da boca se torne ácido a ponto de desmineralizar os dentes.

3. Check-ups semestrais

Visitas ao dentista a cada seis meses permitem detectar lesões no início. Muitas vezes, uma aplicação de flúor resolve o problema antes que ele se torne uma cavidade dolorosa.

4. Cuidado precoce

A saúde bucal deve ser prioridade desde o primeiro dente de leite. Cuidar da dentição infantil é garantir um ambiente saudável para os dentes permanentes.

Saúde bucal é dignidade

Tratar a saúde bucal como prioridade é o primeiro passo para garantir qualidade de vida e longevidade. Sorrir sem dor é um direito que começa com a conscientização e a mudança de hábitos diários.

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