O brasileiro está mudando a forma como consome, e isso vai muito além de uma moda passageira. Entre 2022 e 2025, saúde, funcionalidade e bem-estar passaram a pesar mais na decisão de compra do que o preço em várias categorias.
Os dados da Scanntech mostram um movimento claro: enquanto açúcar, cerveja e hambúrguer perdem espaço, produtos ligados à saúde e à performance avançam. A água in natura cresceu quase 60%, e alimentos como frutas, ovos e frango também ganharam força.
Consumo mais saudável em alta
Os números revelam uma mudança importante no comportamento do consumidor. O consumo de açúcar caiu 14,2%, a cerveja recuou 6,8% e os hambúrgueres tiveram queda de 11,2%.
Na outra ponta, a água in natura cresceu 59,6%. Frutas avançaram 33,9%, ovos subiram 24,3% e o frango teve alta de 15,4%.
Esse cenário indica que o brasileiro está buscando escolhas mais ligadas à saúde e ao rendimento físico. O alimento deixou de ser apenas prazer imediato e passou a carregar também uma função prática para o corpo.
O que explica essa virada?
Para Rodrigo Sangion, preparador físico e fundador da academia Les Cinq Gym, a mudança reflete uma transformação cultural profunda. Segundo ele, o consumidor passou a valorizar mais saúde, disposição e performance.
"Produtos funcionais deixaram de ser tendência para virar expectativa do consumidor", afirma. "Marcas que ficarem presas só à lógica de preço tendem a perder relevância", completa.
Isso ajuda a entender por que o treino, o autocuidado e a alimentação equilibrada ocupam hoje um espaço maior na rotina de muita gente. O consumo acompanha esse novo estilo de vida.
Geração Z puxa o movimento
A geração Z tem papel importante nessa virada. Segundo dados do relatório anual do Strava, jovens entre 15 e 30 anos lideraram os investimentos em esporte e bem-estar no último ano.
Além disso, 30% deles pretendem ampliar esses gastos em 2026. Academias, clubes de corrida e experiências ligadas ao wellness passam a disputar espaço com programas mais tradicionais de lazer.
O estudo também aponta que 68% dos jovens brasileiros preferem investir em itens esportivos, saúde e tecnologia de treino. Isso pressiona empresas a repensar produtos, comunicação e posicionamento.
Impacto no mercado fitness
A tendência já influencia diferentes setores, não apenas o alimentício. Marcas de suplementos, academias, equipamentos esportivos e até empresas de tecnologia vêm se adaptando a esse novo consumidor.
Hoje, quem compra quer mais do que conveniência. Quer performance, equilíbrio, longevidade e soluções que façam sentido para uma rotina mais ativa.
Nesse contexto, trocar o bar pelo treino não é só uma frase de efeito. É o retrato de um comportamento que vem ganhando força no Brasil e redesenhando o mercado.