Brasil é o 2º no mundo em número de casos de hanseníase

Janeiro Roxo alerta para a importância do diagnóstico precoce e dos avanços nos testes moleculares

21 jan 2026 - 12h10

O Janeiro Roxo chama atenção para uma doença antiga. Mas que ainda está muito presente no Brasil: a hanseníase.

Janeiro Roxo alerta para a hanseníase, doença que tem cura, mas ainda afeta milhares de brasileiros todos os anos
Janeiro Roxo alerta para a hanseníase, doença que tem cura, mas ainda afeta milhares de brasileiros todos os anos
Foto: Priscilla Fiedler / Saúde em Dia

Apesar de ter cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o país ocupa hoje a segunda posição no ranking mundial de casos. Fica atrás apenas da Índia.

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Segundo o relatório mais recente da Organização Mundial da Saúde, o mundo registrou 172.717 novos casos de hanseníase em 2024. O número representa uma queda global de 5,5% em relação aos anos anteriores.

Mesmo com essa redução, o Brasil segue como um dos países mais afetados. A média anual é de cerca de 22 mil novos casos.

O dado acende um alerta importante. A hanseníase continua sendo um problema de saúde pública.

E o diagnóstico precoce segue como o principal desafio.

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Por que o Brasil ainda concentra tantos casos?

A hanseníase é considerada uma doença endêmica no Brasil. Isso significa que ela circula de forma contínua na população.

Essa circulação ocorre, principalmente, em regiões com maior vulnerabilidade social. Também está relacionada à dificuldade de acesso aos serviços de saúde.

De acordo com especialistas, os números brasileiros se mantêm relativamente estáveis há mais de uma década. A redução observada durante a pandemia de Covid-19 não indicou menos transmissão.

Indicou, na prática, menos diagnósticos.

"A queda de casos durante a pandemia refletiu a redução do diagnóstico, e não uma diminuição real da doença", explica a dermatologistaLaila de Laguiche, fundadora e diretora do Instituto Aliança contra Hanseníase (AAL).

Com o fim das restrições sanitárias, houve uma retomada das notificações.

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Esse movimento reforça a persistência da hanseníase como um desafio estrutural no país.

Hanseníase tem cura, mas exige atenção precoce

A hanseníase é causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela é contagiosa. Mas tem cura.

O maior risco da doença não está apenas na infecção em si. Ele está nas incapacidades físicas que podem surgir quando o diagnóstico acontece tardiamente.

Quanto mais cedo a identificação, menores são as chances de sequelas permanentes.

Por isso, o diagnóstico precoce é decisivo.

Dessa forma, a testagem e a informação de qualidade são consideradas as principais frentes de enfrentamento da hanseníase no Brasil.

Sintomas que costumam passar despercebidos

Um dos grandes problemas da hanseníase é que seus sinais iniciais nem sempre chamam atenção. Em muitos casos, eles são confundidos com outros quadros dermatológicos ou neurológicos.

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Entre os principais sintomas estão:

  • manchas na pele com alteração de sensibilidade

  • dormência ou formigamento em mãos e pés

  • perda de força muscular

  • câimbras frequentes, principalmente à noite

  • dificuldade para segurar objetos

  • quedas frequentes de chinelos ou sandálias

Esses sinais indicam possível comprometimento dos nervos periféricos.

"Esses sintomas, isolados ou em conjunto, devem sempre levantar a suspeita de hanseníase", alerta a Dra. Laila. Segundo ela, a busca por atendimento médico rápido é essencial para evitar danos irreversíveis.

Quando procurar um médico?

Ao perceber manchas na pele com perda de sensibilidade, o ideal é procurar um médico. O mesmo vale para alterações neurológicas persistentes.

Dermatologistas e infectologistas estão capacitados para investigar e tratar a doença. O diagnóstico precoce não apenas protege o paciente.

Ele também reduz o risco de transmissão para outras pessoas.

Avanços no diagnóstico da hanseníase

Nos últimos anos, a medicina diagnóstica avançou de forma significativa. Hoje, já existem testes capazes de identificar a hanseníase de maneira mais rápida e precisa.

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Além dos exames clínicos tradicionais, estão disponíveis:

  • testes rápidos

  • exames moleculares (PCR)

  • exames de imagem para avaliar nervos periféricos

Esses recursos ajudam a confirmar o diagnóstico.

E também orientam a conduta médica com mais segurança.

Testes moleculares ampliam a detecção precoce

Entre os avanços mais relevantes está o uso de testes baseados em PCR em Tempo Real. Eles identificam o DNA da bactéria com alta sensibilidade.

A empresa Mobius, especializada em biologia molecular, desenvolveu o kit XGEN Master Leprae. O exame detecta a bactéria a partir de raspado intradérmico.

O teste tem validação inédita para amostras de pele. E amplia as possibilidades de rastreamento da doença.

Em 2021, foi lançado o primeiro teste comercial capaz de diagnosticar a hanseníase em até 24 horas. O avanço é importante, já que biópsias convencionais podem levar semanas para apresentar resultados.

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Tratamento é eficaz, mas prolongado

O tratamento da hanseníase é feito com antibióticos. Ele segue protocolos definidos pela OMS e está disponível gratuitamente no SUS.

A duração varia conforme o caso:

  • de seis a 12 meses, na maioria dos pacientes

  • podendo ser estendida em 20% a 30% dos casos, de acordo com a forma clínica

Apesar de eficaz, o tempo prolongado pode dificultar a adesão ao tratamento. Isso reforça a importância do acompanhamento médico contínuo.

Novas pesquisas apontam para tratamentos mais curtos

Além do tratamento atual, novas alternativas estão em estudo. Uma das mais promissoras envolve a molécula Telacebec.

Ela foi desenvolvida inicialmente para outra doença causada por micobactérias.

"Essa molécula está em estudos clínicos multicêntricos e representa uma possibilidade real de tratamentos mais curtos e eficazes no futuro", afirma a Dra. Laila.

A expectativa é que essas pesquisas tragam avanços importantes nos próximos anos.

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Informação combate estigma e salva vidas

Além do diagnóstico e do tratamento, a informação é uma ferramenta fundamental no combate à hanseníase. O preconceito ainda afasta pessoas do cuidado adequado.

Isso atrasa a busca por ajuda. E aumenta o risco de sequelas.

O Janeiro Roxo reforça que a hanseníase tem cura. E que identificar cedo faz toda a diferença.

Com acesso à informação, diagnóstico rápido e acompanhamento correto, é possível reduzir sequelas, interromper a transmissão e melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas.

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