Não existem métodos caseiros, chás ou posições para baixar a pressão em cinco minutos. Picos causados por estresse melhoram com repouso e respiração, mas tentar reduzir a pressão abruptamente ou tomar remédios extras por conta própria é perigoso e pode causar AVC. Diante de valores a partir de 18 por 12 acompanhados de sintomas como dor no peito, falta de ar ou alterações visuais e neurológicas, deve-se buscar socorro médico de emergência imediatamente, acionando o SAMU pelo número 192.
Será que tem como baixar a pressão em 5 minutos? A dúvida costuma aparecer quando uma aferição mostra um valor acima do habitual e leva muita gente a buscar soluções rápidas, como chás ou até posições do corpo que supostamente ajudariam a normalizar a pressão.
A resposta curta é que não existe uma técnica caseira capaz de garantir uma queda da pressão em poucos minutos.
Em algumas situações, especialmente quando o estresse contribui para a elevação, interromper a atividade, repousar e controlar a respiração pode ajudar. Já uma pressão muito alta pode ter outras causas e precisa ser avaliada com mais cuidado.
O que fazer quando a pressão sobe de repente?
Uma elevação repentina da pressão nem sempre significa que a hipertensão da pessoa piorou. Estresse, ansiedade, dor e esforço físico, por exemplo, podem provocar aumentos temporários, enquanto valores persistentemente altos podem estar relacionados ao controle inadequado da hipertensão.
Para entender como agir em cada situação, o SaúdeLab ouviu o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira.
"Se eu tenho um pico de pressão alta por um estresse, por exemplo, o ideal é tentar fazer exercício de respiração, ficar em repouso, relaxar… para ver se essa pressão vai abaixando gradativamente", explica o médico.
A situação é diferente quando a pessoa já tem hipertensão mal controlada e apresenta um valor muito elevado. Nesses casos, Ferreira alerta que tentar provocar uma queda rápida por conta própria pode ser perigoso.
"Se ela cai abruptamente, a gente diminui o fluxo de sangue para o coração e para o cérebro, podendo provocar até um AVC", afirma.
É justamente aí que uma reação aparentemente lógica pode se tornar um problema. Ao ver um número muito alto no aparelho, a pessoa pode pensar que precisa de um remédio para baixar a pressão rapidamente. Mas aumentar a dose do medicamento por conta própria pode fazer a pressão cair demais.
"Tomar muitos remédios para baixar a pressão é muito perigoso", acrescenta Ferreira.
Por isso, uma pressão muito alta não deve ser tratada com doses extras de remédios por conta própria. É preciso avaliar o valor da pressão, os sintomas e a situação da pessoa para saber qual é a conduta adequada.
Existe chá para baixar a pressão alta rapidamente?
Não há chá capaz de reduzir rapidamente uma pressão arterial elevada. Alguns chás podem ter efeito relaxante e, quando o estresse participa do aumento da pressão, esse efeito pode contribuir para uma redução gradual.
Isso não significa que um chá seja capaz de tratar uma crise hipertensiva.
Chás com efeito diurético também não devem ser usados como estratégia de emergência para tentar normalizar a pressão.
Questionado sobre o assunto, Ferreira explica que, quando o fator emocional está envolvido, um chá com efeito calmante pode ajudar a criar um ambiente mais tranquilo. O possível benefício, nesse caso, está relacionado ao relaxamento, e não a uma ação rápida sobre a pressão.
Existe uma posição para baixar a pressão?
Se a pressão subiu depois de um momento de nervosismo ou de algum esforço, sentar e descansar pode ser uma boa medida inicial. Deitar também é uma opção, se for mais confortável. O que não existe é uma posição específica capaz de fazer a pressão cair.
"Por via de regra não tem uma posição, mas o importante é a gente tentar ficar calmo, ficar tranquilo", afirma Ferreira.
Nesse caso, o que pode ajudar é o repouso, e não uma determinada posição do corpo. Vale interromper a atividade e permanecer em um ambiente tranquilo por alguns minutos.
Quando a pressão muito alta exige atendimento?
Uma medida de 18 por 12 (180/120 mmHg) ou mais é muito elevada. Mas o número, sozinho, não permite dizer se existe uma emergência hipertensiva. O que faz diferença são os sintomas e a presença de sinais de que órgãos importantes podem estar sendo afetados.
Se esse valor vier acompanhado de dor no peito, falta de ar, alteração da visão, fraqueza ou dormência, dificuldade para falar, confusão mental ou outros sintomas neurológicos, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente.
No Brasil, o SAMU atende pelo telefone 192.
Sem esses sinais de alerta, vale permanecer em repouso e repetir a aferição com a técnica adequada.
Se a pressão continuar muito elevada, especialmente se a sistólica estiver em 18 ou mais ou a diastólica em 12 ou mais, é importante procurar orientação médica para definir o que fazer.