O Alzheimer, demência que pode atingir 5 milhões de brasileiros até 2050, é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e a cognição. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce viabiliza tratamentos que preservam a autonomia do paciente. A prática regular de exercícios físicos, especialmente aeróbicos, surge como importante aliada na prevenção e desaceleração do transtorno, somada a estímulos cognitivos, vida social ativa e controle de doenças crônicas como a hipertensão.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Alzheimer está entre os tipos mais comuns de demência e representa cerca de 60% a 70% dos casos em todo o mundo. No Brasil, a estimativa também chama a atenção: de acordo com o "Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (re)conhecimento e projeções futuras", do Ministério da Saúde, mais de 5 milhões de brasileiros poderão ser diagnosticados com demência até 2050.
Diante desse cenário, a conscientização sobre a doença se torna cada vez mais importante. A campanha nacional Setembro Lilás reúne ações ao longo do mês para chamar a atenção para o Alzheimer e outros tipos de demência. Embora o Alzheimer ainda não tenha cura definitiva, a doença conta com tratamentos que podem contribuir para a qualidade de vida dos pacientes.
Mas o que é a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca alterações no cérebro. Ao longo do tempo, esse transtorno compromete a memória, o raciocínio, a linguagem e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Apesar de ainda não ter uma causa definida, alguns fatores de risco já são associados à doença de Alzheimer, como idade avançada e histórico familiar.
"A idade é o principal fator de risco, mas envelhecer não significa necessariamente desenvolver Alzheimer. Também estão associados ao risco fatores genéticos e familiares, além de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, perda auditiva não tratada, isolamento social e baixa estimulação cognitiva, entre outros", explica a professora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dra. Elisa de Paula França Resende.
Segundo o Ministério da Saúde, o quadro clínico desse transtorno costuma ser dividido em quatro estágios:
- Estágio 1 (forma inicial): com alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais dos pacientes;
- Estágio 2 (forma moderada): dificuldade na fala, na realização de tarefas simples e na coordenação de movimentos, além de agitação e insônia;
- Estágio 3 (forma grave): dificuldade para realizar tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer e deficiência motora progressiva;
- Estágio 4 (terminal): restrição ao leito, mutismo, dor ao engolir e infecções intercorrentes.
Principais sinais de alerta
O avanço do Alzheimer acontece de forma gradual e irreversível. Um dos principais sinais de alerta dessa doença silenciosa é a perda de memória recente. "Quando a pessoa esquece de acontecimentos recentes, passa a repetir perguntas ou histórias e não consegue se lembrar depois, mesmo recebendo pistas", reforça a professora da FCM-MG.
Mas há outros sinais, como dificuldade para encontrar palavras; organizar tarefas que antes eram simples; lidar com dinheiro ou medicamentos; orientar-se em lugares conhecidos e tomar decisões. Mudanças de comportamento, apatia ou maior dificuldade para acompanhar conversas também podem ocorrer.
"Pequenos esquecimentos fazem parte do envelhecimento normal. A preocupação é quando as alterações são progressivas, mais frequentes e começam a interferir no funcionamento habitual da pessoa", enfatiza a Dra. Elisa de Paula França Resende.
Como funciona o diagnóstico?
O início da investigação da doença de Alzheimer conta com uma avaliação clínica, que inclui conversas com o paciente e seus familiares, a avaliação da memória e de outras funções cognitivas, além da verificação do impacto dos sintomas nas atividades cotidianas. Exames de sangue e exames de imagem, como a ressonância magnética, também ajudam a investigar outras possíveis causas. Entre os profissionais que podem conduzir essa investigação estão neurologistas, geriatras e psiquiatras.
"O diagnóstico precoce permite que o tratamento seja iniciado no momento mais adequado e, principalmente, que a pessoa participe das decisões sobre seu próprio futuro enquanto ainda mantém autonomia. É possível planejar questões familiares, financeiras e de cuidados, orientar familiares e cuidadores e tratar condições que podem piorar a cognição", explica a especialista.
Hábitos que ajudam no tratamento
Apesar de ainda não ter uma cura definitiva, a doença de Alzheimer possui, além dos tratamentos medicamentosos, alguns hábitos e estratégias que podem auxiliar na manutenção da autonomia e das funções cognitivas da pessoa afetada.
A prática regular de atividade física está associada a uma menor incidência de demência e pode contribuir para reduzir a progressão da doença. "Pessoas que praticam exercícios físicos regularmente, especialmente atividades aeróbicas que elevam a frequência cardíaca, apresentam menor incidência de demência. Esse tipo de exercício está relacionado tanto à prevenção da doença quanto à redução da sua progressão em pessoas que já foram diagnosticadas com demência", destaca a professora da FCM-MG.
Além das atividades físicas, a Dra. Elisa de Paula França Resende recomenda manter uma vida social ativa, estimular o cérebro por meio de atividades prazerosas e significativas, cuidar da saúde auditiva e visual e adotar uma alimentação equilibrada.
"É essencial controlar adequadamente pressão arterial, diabetes e colesterol, além de garantir um sono de boa qualidade. Para quem já apresenta comprometimento cognitivo, rotinas estruturadas, calendários, lembretes e adaptações no ambiente podem ajudar a preservar a independência e a segurança. O mais importante é estimular a pessoa sem infantilizá-la e permitir que continue realizando, com segurança, tudo aquilo que ainda consegue fazer", finaliza a especialista.
Por Maristela Chaves