Rouquidão, voz mais fraca ou dificuldade para terminar uma frase sem perder o fôlego costumam ser associados a uma gripe ou ao uso excessivo da voz.
Mas, para quem convive com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), essas mudanças também podem ser um dos primeiros sinais de piora da doença.
Isso acontece porque a produção da voz depende da passagem do ar pelos pulmões e pelas cordas vocais.
Quando as vias aéreas ficam inflamadas ou obstruídas, falar exige mais esforço e a voz pode sofrer alterações.
Foi justamente essa relação que levou pesquisadores a investigar se mudanças sutis na voz poderiam ajudar a identificar o início de uma crise respiratória.
Quando a mudança na voz merece atenção?
Nem toda alteração na voz está relacionada aos pulmões. Infecções respiratórias, refluxo, alergias, tabagismo e até alguns medicamentos também podem provocar rouquidão.
Mas quem tem asma ou DPOC deve ficar atento se a mudança vier acompanhada de:
- aumento da falta de ar;
- chiado no peito;
- tosse mais intensa;
- sensação de aperto no peito;
- maior necessidade da medicação de alívio.
Nessas situações, é importante seguir o tratamento orientado pelo médico e procurar atendimento se os sintomas persistirem ou piorarem.
O que o estudo mostrou?
Pesquisadores acompanharam pessoas com asma e DPOC durante três meses. Nesse período, os participantes gravaram pequenos áudios diariamente pelo celular.
Publicado na revista ERJ Open Research, o estudo mostrou que algumas características da voz começavam a mudar já no primeiro dia de uma exacerbação — nome dado ao agravamento dos sintomas dessas doenças.
Entre as alterações observadas estavam mudanças no tom da voz, redução da capacidade de sustentar a fala e perda da estabilidade vocal, provavelmente porque a passagem do ar fica mais difícil durante a crise.
Embora essas mudanças sejam discretas e normalmente passem despercebidas pelas próprias pessoas, elas puderam ser identificadas por análise acústica das gravações.
Aplicativos poderão identificar uma crise?
Os resultados sugerem que a voz pode trazer pistas sobre o início de uma piora da asma ou da DPOC. A expectativa é que, no futuro, aplicativos consigam analisar essas mudanças e alertar pacientes e médicos para uma possível exacerbação.
Se isso se confirmar, o acompanhamento de pessoas com doenças respiratórias crônicas poderá se tornar mais simples e favorecer uma avaliação médica mais precoce.
Por enquanto, essa possibilidade ainda depende de novos estudos. Os resultados precisam ser confirmados em grupos maiores antes que a tecnologia possa ser incorporada à rotina de atendimento.
Além disso, mudanças na voz não são exclusivas da asma ou da DPOC. Infecções respiratórias, insuficiência cardíaca e outros problemas também podem causar alterações semelhantes.
Por isso, a voz deve ser vista apenas como mais um possível sinal, e não de forma isolada.
Se a mudança na voz vier acompanhada de falta de ar, chiado no peito ou piora do controle da asma ou da DPOC, é importante procurar orientação médica.
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