Anvisa rebate fake news e reforça segurança da vacina contra gripe

Conteúdos divulgados em redes sociais afirmam que substâncias presentes no imunizante seriam danosas ao organismo

1 abr 2026 - 19h18

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) veio a público nesta semana para reforçar a segurança da vacina contra a gripe após a circulação de conteúdos desinformativos sobre o imunizante nas redes sociais.

Publicidade

A campanha nacional de vacinação contra a doença foi iniciada no último sábado, 28, e especialistas reforçam que a imunização é a melhor forma de evitar complicações e mortes pela doença.

Campanha de vacinação contra a gripe começou no último sábado, 28.
Campanha de vacinação contra a gripe começou no último sábado, 28.
Foto: Instituto Butantan/Divulgação / Estadão

As postagens citam que substâncias presentes no imunizante seriam danosas ao organismo. Uma delas é o mercúrio, usado no produto na forma de timerosal.

A agência, no entanto, reforça que a substância não oferece risco algum. O mercúrio atua como conservante, impedindo o crescimento de bactérias e fungos em frascos que contêm várias doses.

"A quantidade (usada na vacina) é ínfima e muitos estudos comprovam que essa formulação específica é eliminada rapidamente pelo corpo, sem causar danos ao sistema nervoso ou aos rins", detalha a Anvisa, na nota.

Publicidade

Outro alvo das fake news é o Octoxynol-10 (Triton X-100). Os conteúdos sugerem que o componente causaria doenças autoimunes ou câncer. A agência ressalta que as informações não têm base científica.

O componente, segundo a Anvisa, é um detergente usado para fragmentar o vírus durante a fabricação. Ele garante que o vírus seja inativado (morto) e não cause a doença.

"Apenas traços residuais permanecem no produto final. O Triton X-100 é amplamente utilizado em cosméticos e medicamentos aprovados no mundo inteiro, sem qualquer indício de que cause malformação ou doenças graves", explica.

Os conteúdos também comparam o formaldeído da vacina com o "formol" usado em produtos cosméticos, alegando que o componente seria cancerígeno.

A Anvisa esclarece que a informação é enganosa. Ela cita que o próprio corpo humano produz formaldeído como parte do metabolismo das células. "O sangue de um bebê, por exemplo, possui naturalmente uma concentração muito maior da substância do que qualquer vacina."

Publicidade

"O formaldeído só é considerado cancerígeno em exposições industriais altas e prolongadas. Nas vacinas, ele é usado em doses residuais mínimas apenas para inativar o vírus, sendo incapaz de causar leucemia ou outros tumores", adiciona.

A Anvisa ainda destaca que monitora de forma contínua a segurança das vacinas. "O risco real não está nos componentes do imunizante, mas sim nas complicações da gripe, que podem evoluir para pneumonia e óbito."

Em reportagem recente do Estadão, Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), destaca que, embora existam grupos de alto risco, desfechos graves podem acontecer com qualquer pessoa.

A vacina influenza trivalente é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e é indicada, prioritariamente, para crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, idosos e gestantes.

Publicidade

De acordo com o Ministério da Saúde, o esquema vacinal para crianças de 6 meses a 8 anos depende do histórico de vacinação. Quem já foi vacinado anteriormente recebe uma dose. Quem ainda não foi precisa tomar duas, com intervalo mínimo de quatro semanas entre elas.

A imunização é feita anualmente porque o vírus influenza muda com frequência. A cada campanha, as vacinas são atualizadas para contemplar as cepas em circulação, o que torna a vacinação periódica essencial.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se