Alface pode levar bilhões de microrganismos ao intestino, e a época do ano faz diferença

Alface e saúde intestinal: bilhões de microrganismos vivem nas folhas, e a época do ano pode mudar quais deles chegam à sua mesa.

7 nov 2026 - 20h00
(atualizado às 20h04)
Resumo
Um estudo revelou que a alface abriga bilhões de bactérias e fungos que variam conforme a estação do ano. Cientistas identificaram microrganismos nas folhas geneticamente semelhantes aos presentes no intestino humano em até 67,5% das pessoas analisadas, grupo que também exibiu maior diversidade na microbiota intestinal. Embora sugira que vegetais frescos possam enriquecer a flora digestiva, a pesquisa reforça que a higienização adequada do alimento continua indispensável à saúde.

A alface está entre os vegetais mais comuns na mesa dos brasileiros. Entra na salada, acompanha o almoço e costuma ser lembrada por suas fibras, vitaminas e minerais. Mas existe algo nas folhas que passa despercebido. Bilhões de bactérias e fungos microscópicos também vivem em sua superfície.

Aface e saúde instestinal
Aface e saúde instestinal
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

E não são sempre os mesmos. A quantidade e os tipos desses microrganismos mudam conforme a época do ano, influenciados por condições como temperatura e umidade.

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O interesse está no que esses pequenos organismos podem representar para a saúde. Alguns microrganismos presentes nos alimentos podem participar de processos importantes no sistema digestivo, embora nem todos tenham efeitos benéficos.

Foi justamente para investigar uma possível relação entre os microrganismos da alface e os que vivem no intestino humano que pesquisadores realizaram um estudo recente.

A alface que você come não é sempre a mesma

Os pesquisadores acompanharam 143 amostras de alfaces verdes e roxas comercializadas em seis estabelecimentos da Coreia do Sul durante um ano.

O resultado mostrou que a época da coleta fazia diferença. Cerca de 75% dos tipos de microrganismos identificados apareceram principalmente em determinados períodos do ano.

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Na prática, isso significa que a alface pode apresentar uma composição diferente de bactérias e fungos no verão, no outono, no inverno e na primavera.

O que a alface pode ter a ver com as bactérias do intestino

Ao comparar os dados das folhas com amostras intestinais humanas, os cientistas encontraram bactérias geneticamente semelhantes nos dois ambientes.

Essa semelhança apareceu em cerca de 67,5% das pessoas analisadas. Para os fungos, o índice foi de 33,1%.

Isso levanta a possibilidade de que os vegetais frescos sejam uma das fontes de microrganismos que chegam ao intestino por meio da alimentação.

Ter mais variedade de bactérias no intestino é algo positivo?

As pessoas que apresentavam bactérias semelhantes às da alface também tinham uma variedade maior de outros microrganismos intestinais.

Isso chama a atenção porque uma microbiota mais diversificada costuma estar associada a uma melhor saúde intestinal.

Essa variedade reúne bactérias com funções diferentes, algumas delas envolvidas na digestão e na proteção contra microrganismos prejudiciais.

Os resultados, porém, ainda não permitem afirmar que o consumo de alface seja responsável por essa maior diversidade de bactérias.

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Para confirmar essa possibilidade, seriam necessários novos estudos que acompanhassem o que acontece com esses microrganismos depois da ingestão do vegetal.

Isso muda a maneira de consumir alface?

Não. A descoberta não é motivo para mudar os hábitos alimentares nem para consumir o vegetal sem higienização. A alface continua sendo uma opção nutritiva, com fibras, água e outros nutrientes importantes.

A limpeza adequada antes do consumo continua essencial, pois vegetais frescos podem apresentar agentes causadores de doenças. Os microrganismos naturais encontrados nas folhas não são todos necessariamente seguros.

Publicado na revista científica npj Science of Food, o estudo abre uma nova possibilidade de investigação sobre a relação entre os vegetais e a microbiota intestinal.

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Ainda é preciso descobrir se essas bactérias conseguem sobreviver à digestão, interagir com os microrganismos do intestino e produzir algum benefício real à saúde.

Fonte: SaúdeLAB
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