Adesivos de estrogênio: alívio eficaz para os sintomas da menopausa

Adesivos de estrogênio aliviam sintomas da menopausa com dose estável e segura; veja se são tão comuns no Brasil quanto nos EUA

26 fev 2026 - 11h00

A terapia hormonal para a menopausa é um dos temas mais discutidos na saúde da mulher nos últimos anos, especialmente com o aumento da expectativa de vida. Entre as diversas formas de reposição hormonal, os adesivos de estrogênio ganham destaque por oferecerem uma forma prática e contínua de liberação do hormônio, ajudando a controlar ondas de calor, insônia, secura vaginal e outras manifestações comuns da fase climatérica.

Enquanto comprimidos e géis ainda são mais conhecidos pelo público em geral, os adesivos transdérmicos aparecem como uma alternativa importante para quem busca estabilidade de dose e menor impacto no fígado. Esse tipo de reposição é bastante utilizado em países como os Estados Unidos e, aos poucos, passa a ser mais discutido também entre profissionais e pacientes no Brasil, embora ainda não tenha a mesma popularidade.

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O que são adesivos de estrogênio e como funcionam?

Os adesivos de estrogênio são dispositivos transdérmicos, ou seja, ficam colados na pele e liberam pequenas quantidades de hormônio de forma contínua ao longo de vários dias. O estrogênio atravessa a pele e entra diretamente na circulação sanguínea, sem passar inicialmente pelo fígado, o que caracteriza a chamada via transdérmica. Essa forma de administração tende a proporcionar níveis mais estáveis de estrogênio no organismo, com menos variações ao longo do dia.

Na prática, o adesivo é aplicado em uma área limpa e seca da pele, geralmente na região do abdômen, quadril ou glúteos, evitando-se mamas e áreas com irritação. Cada produto tem orientação específica de troca, que pode ser, por exemplo, a cada dois ou três dias, ou uma vez por semana. É comum que a prescrição faça parte de um esquema mais amplo de terapia hormonal, podendo incluir também progesterona, principalmente em mulheres que ainda têm o útero.

Adesivo de estrogênio na menopausa: por que é tão falado?

A terapia hormonal com adesivo de estrogênio é discutida porque responde a uma necessidade frequente das mulheres na menopausa: aliviar sintomas mantendo um bom perfil de segurança. Estudos clínicos indicam que, para pacientes bem selecionadas, a reposição hormonal pode reduzir:

  • Ondas de calor e suores noturnos;
  • Dificuldades de sono relacionadas aos sintomas vasomotores;
  • Secura vaginal e desconforto nas relações sexuais;
  • Mudanças de humor associadas à queda hormonal;
  • Risco de perda acelerada de massa óssea em algumas pacientes.

A via transdérmica costuma ser considerada em situações específicas, como mulheres com maior risco de trombose, alterações metabólicas ou sensibilidade gastrointestinal a comprimidos. A liberação contínua do hormônio por meio do adesivo pode evitar picos de concentração no sangue, o que, em determinadas pacientes, é avaliado como um fator favorável. Ainda assim, a decisão de usar ou não o adesivo deve ser tomada em consulta, após avaliação de histórico pessoal, familiar e exames complementares.

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Diferente dos comprimidos, o estrogênio transdérmico não passa primeiro pelo fígado, o que pode ser vantajoso para algumas mulheres – depositphotos.com / imagepointfr
Diferente dos comprimidos, o estrogênio transdérmico não passa primeiro pelo fígado, o que pode ser vantajoso para algumas mulheres – depositphotos.com / imagepointfr
Foto: Giro 10

Adesivos de estrogênio são mais usados nos Estados Unidos do que no Brasil?

Nos Estados Unidos, os adesivos de estrogênio para menopausa fazem parte do arsenal terapêutico há muitos anos e são amplamente conhecidos em consultórios de ginecologia e endocrinologia. Há grande oferta de marcas, doses e combinações, o que facilita a adaptação do tratamento a diferentes perfis de pacientes. Além disso, diretrizes de sociedades médicas norte-americanas mencionam com frequência a via transdérmica como opção relevante na terapia hormonal.

No Brasil, os adesivos também estão disponíveis, mas ainda não têm o mesmo grau de difusão entre a população em geral. Em muitas regiões, comprimidos e injeções acabam sendo mais oferecidos, seja por hábito prescritivo, seja por questões de custo e disponibilidade em farmácias. Ainda assim, em grandes centros urbanos e em serviços especializados em climatério, a terapia hormonal com adesivo transdérmico vem ganhando espaço, principalmente entre mulheres que buscam alternativas aos comprimidos orais.

Outro fator que influencia essa diferença é o acesso à informação. Nos Estados Unidos, campanhas de esclarecimento sobre menopausa e reposição hormonal são bastante presentes em meios de comunicação, reforçando o conhecimento sobre adesivos, géis e sprays. No Brasil, o tema vem sendo mais discutido nos últimos anos, mas ainda há muitas dúvidas sobre riscos, benefícios e indicações, o que pode retardar a adoção de formas menos tradicionais de reposição, como o adesivo.

Quais são os principais cuidados e pontos de atenção?

Apesar dos benefícios, a terapia com estrogênio, seja em adesivo, comprimido ou outra forma, não é indicada para todas as mulheres. A avaliação médica costuma considerar fatores como histórico de câncer de mama, trombose, doenças do fígado, sangramentos uterinos sem causa esclarecida e outras condições. Em alguns casos, o risco supera o benefício e a orientação é não utilizar hormônio sistêmico, buscando alternativas não hormonais.

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Ao usar adesivos de estrogênio, alguns cuidados gerais são frequentemente recomendados:

  1. Aplicar o adesivo sobre pele limpa, sem cremes ou óleos, para melhor fixação;
  2. Alternar os locais de aplicação para reduzir risco de irritação local;
  3. Observar a pele para identificar possíveis reações, como vermelhidão intensa ou coceira persistente;
  4. Respeitar o intervalo de troca indicado na bula ou na prescrição;
  5. Manter acompanhamento periódico, com consulta e exames conforme orientação profissional.

Na rotina, também é comum que a dose e o tipo de adesivo sejam ajustados ao longo do tempo. Em alguns casos, inicia-se com doses menores e, conforme a resposta clínica e os exames, há aumento ou manutenção do nível de estrogênio. Em outras situações, a terapia é utilizada por um período mais curto, apenas na fase em que os sintomas são mais intensos, sendo reavaliada posteriormente.

Diante desse cenário, os adesivos de estrogênio na menopausa representam uma alternativa relevante dentro da terapia hormonal, com maior expressão nos Estados Unidos e presença ainda em expansão no Brasil. A escolha entre adesivo, comprimido, gel ou outra forma depende de uma combinação de fatores clínicos, preferências da paciente, acesso ao tratamento e orientações das diretrizes médicas. O ponto central permanece o mesmo: oferecer uma abordagem individualizada, que leve em conta sintomas, riscos e objetivos de saúde a longo prazo.

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