3 formas divertidas de manter o cérebro jovem por mais tempo

Nosso cérebro prospera com desafios; no entanto, nem tudo precisa ser trabalho árduo para obter benefícios para a saúde.

16 mai 2026 - 19h06
Nosso tempo de "vida saudável" está diminuindo em muitas partes do mundo
Nosso tempo de "vida saudável" está diminuindo em muitas partes do mundo
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Se você tivesse duas opções — uma tarefa fácil e outra difícil — qual escolheria fazer? O mais provável é que todos nós optássemos pela mais fácil, e com razão.

Recorrer a atalhos mentais é algo inerente à nossa biologia: uma estratégia evolutiva criada para poupar energia.

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A tecnologia apenas ampliou essa capacidade. Por isso, é tão tentador buscar atalhos e concluir tarefas com o mínimo de esforço possível.

Mas se isso levar a uma redução do nosso esforço mental, pode acabar prejudicando nossa longevidade e a saúde de forma geral.

Nosso tempo de "vida saudável" — ou seja, o número de anos em que as pessoas vivem com boa saúde — está diminuindo em muitas partes do mundo.

Segundo pesquisadores, à medida que as pessoas vivem mais, o número de anos que elas passam com problemas de saúde tende a aumentar.

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A tecnologia está tornando nossa vida cada vez mais fácil. Mas quais os efeitos disso em nosso corpo?
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Quando se trata do cérebro, há medidas que podem ajudar a prolongar uma vida saudável.

Basicamente, quando participamos de atividades que nos desafiam, estamos construindo o que os especialistas chamam de "reserva cognitiva", que tem um efeito protetor sobre o cérebro.

E existem muitas formas de fazer isso no dia a dia.

"Independentemente da idade, há coisas que podemos fazer — em maior ou menor grau — que podem dar um pequeno impulso às nossas habilidades cognitivas", afirma o psicólogo Alan Gow, da Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, na Escócia.

E a boa notícia é que não precisamos mudar radicalmente nossa rotina: basta fazer pequenas mudanças graduais nos aspectos físico, social e mental para proteger o cérebro.

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A seguir, apresentamos três formas simples e prazerosas para começar.

1. Navegação espacial

Se perder em lugares novos e encontrar a saída faz o cérebro trabalhar de diferentes maneiras
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Uma estratégia para se proteger do declínio cognitivo associado ao envelhecimento é focar em uma parte específica do cérebro.

Acredita-se que o hipocampo — área cerebral fundamental para a navegação espacial — seja a primeira parte do cérebro afetada pela doença de Alzheimer, vários anos antes de os sintomas começarem a se manifestar.

"Há anos sabemos que pessoas com Alzheimer frequentemente ficam desorientadas. Esse costuma ser um dos primeiros sintomas", explica o neurologista Dennis Chan, do University College London, no Reino Unido, especializado na detecção precoce da doença.

E a detecção precoce é crucial, acrescenta ele: "Quanto antes identificarmos [os sinais de declínio cognitivo], mais rápido poderemos agir".

Por isso, proteger essa área do cérebro pode ajudar a prevenir ou retardar o surgimento dos sintomas.

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Diversos estudos mostram, por exemplo, que motoristas de ambulância e de táxi apresentam uma das menores taxas de mortalidade associadas ao Alzheimer em comparação com outras profissões.

Segundo pesquisadores, isso acontece justamente porque esses profissionais exercitam mais o cérebro em tarefas de "processamento espacial".

Também se sabe que taxistas que passaram anos memorizando as ruas da cidade sem recorrer a mapas têm um hipocampo maior.

Profissionais como motoristas de ambulância e de táxi costumam apresentar menor mortalidade por Doença de Alzheimer em comparação com outras profissões
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Da mesma forma, um estudo realizado com homens saudáveis que realizaram uma tarefa de navegação espacial durante quatro meses revelou uma melhora em suas habilidades de orientação e nenhuma perda de volume do hipocampo.

Já os participantes do grupo de controle — aqueles que não realizaram a tarefa — apresentaram a contração cerebral associada ao envelhecimento que já era esperada.

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Ainda não está claro se estimular essa região do cérebro poderia prevenir a demência, mas desenvolver uma maior reserva cognitiva pode oferecer uma proteção adicional.

Isso ajuda a explicar por que, como destaca Dennis Chan, análises cerebrais feitas após a morte revelaram que alguns idosos apresentavam extensas alterações no tecido cerebral associadas à Doença de Alzheimer, apesar de nunca terem manifestado sintomas em vida.

Segundo ele, uma das explicações para esse fenômeno é que o "andaime cerebral" dessas pessoas era extremamente robusto — possivelmente graças ao estilo de vida, embora fatores genéticos também pareçam desempenhar um papel importante.

E, apesar do aumento do risco de demência com o envelhecimento, Chan afirma que o fato de existirem pessoas que nunca desenvolvem sintomas deve servir de incentivo para todos nós.

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Aprender a se localizar sem usar o celular pode ser uma forma simples de exercitar o cérebro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

"Em geral, são pessoas fisicamente ativas, intelectualmente mais ativas e com uma vida social mais intensa."

Todos nós podemos nos esforçar para desenvolver nossas habilidades espaciais por meio de esportes ou, no caso das crianças, brincando com blocos de montar.

Descobrir como chegar a um destino sem recorrer ao mapa do celular também pode ser benéfico, já que o uso do GPS tem sido associado à piora da memória espacial.

Além disso, alguns videogames podem ajudar, desde que tenham sido desenvolvidos com o rigor adequado.

Por exemplo, um pequeno estudo realizado com idosos mostrou que aqueles que jogaram um videogame de navegação espacial em realidade virtual apresentaram melhora na memória.

Vale destacar que esse jogo foi desenvolvido especificamente por pesquisadores. Portanto, isso não significa necessariamente que o nosso videogame favorito vá ajudar a melhorar a memória.

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2. Vida social ativa

Pessoas socialmente mais ativas apresentam menor declínio cognitivo do que as mais retraídas
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Nesse sentido, diversas pesquisas têm mostrado que nos manter socialmente ativos nos protege contra o declínio cognitivo.

Por exemplo, os centenários que tem mais vida social apresentam melhor saúde cerebral, enquanto participar de atividades sociais na meia-idade tem sido associado a uma maior capacidade cognitiva na velhice.

Isso também foi confirmado por um amplo estudo observacional, que concluiu que pessoas que permaneceram mais socialmente ativas durante a meia-idade e a velhice apresentavam um risco entre 30% e 50% menor de desenvolver demência. Segundo os autores, isso acontece porque esse tipo de atividade aumenta a reserva cognitiva.

Manter-se socialmente ativo também pode retardar o surgimento dos sintomas.

De acordo com um estudo realizado com 1.923 participantes idosos — focado naqueles que acabaram desenvolvendo demência —, os menos ativos socialmente desenvolveram a doença cinco anos antes daqueles que eram mais ativos.

Acredita-se que isso aconteça porque manter uma vida social ativa ajuda a reduzir o estresse, tornando as pessoas mais resilientes diante dos desafios da vida.

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O estresse crônico, por outro lado, tem sido associado à perda de neurônios no hipocampo.

Uma conversa estimulante traz benefícios para a saúde do cérebro
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"O fator protetor está na capacidade de dialogar, debater e compartilhar ideias. Essas conversas também podem exercer um efeito protetor sobre o cérebro", afirma a epidemiologista Pamela Almeida-Meza, do King's College London.

Quando interagimos com outras pessoas, ativamos diversas áreas do cérebro: desde as relacionadas à linguagem e à memória até as envolvidas no planejamento futuro.

"Existe um componente cognitivo que estimula a mente. Portanto, isso pode favorecer a saúde cerebral; mas também sabemos que manter boas conexões sociais reduz uma série de fatores de estresse de natureza fisiológica", afirma Alan Gow.

3. Aprendizado ao longo da vida

Um homem consertando um cartão de memória de um computador. Ele segura uma lupa na mão.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Um dos principais indicadores de um bom envelhecimento é a quantidade de anos que uma pessoa dedica à educação.

Indivíduos que passam mais tempo se formando apresentam menor risco de desenvolver demência.

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O aprendizado ao longo da vida pode contribuir para gerar os mesmos benefícios protetores à saúde.

Nosso cérebro responde bem diante de desafios e da novidade, já que isso fortalece as áreas cerebrais mais vulneráveis ao envelhecimento.

Já é comprovado que, ao manter o cérebro ativo, o declínio cognitivo é mais lento.

Uma razão fundamental para esse fenômeno é que o aprendizado gera novos neurônios e, ao mesmo tempo, fortalece os já existentes, o que pode atuar como um mecanismo de proteção contra o envelhecimento e a morte celular.

Isso é a neuroplasticidade em ação: a capacidade do cérebro de se adaptar e se transformar ao longo de toda a vida.

"É precisamente essa plasticidade, e essa capacidade de regenerar novas células nervosas e sinapses, que confere às pessoas resiliência frente à Doença de Alzheimer", afirma Dennis Chan.

Aprender coisas novas exige as áreas do cérebro que são mais afetadas pela demência
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Todos nós podemos aumentar nossa reserva cognitiva à medida que envelhecemos.

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Em um estudo longitudinal que acompanhou participantes desde a infância até o final dos 60 anos, Pamela Almeida-Meza e seus colegas descobriram que a reserva cognitiva aumentava por meio de atividades enriquecedoras, como a educação e atividades de lazer.

Aqueles que a desenvolveram, apresentaram menor declínio da memória, mesmo entre os que obtiveram pontuações baixas em testes cognitivos na infância.

Embora possamos nos beneficiar em qualquer idade, isso se torna particularmente importante nas fases mais avançadas da vida, aponta Almeida-Meza.

Isso ocorre porque, à medida que envelhecemos, nossa vida cotidiana se torna mais rotineira e temos menos oportunidades de aprender.

Existem diversas formas de conseguir isso: é possível tentar a jardinagem — que já foi associada à preservação da função cognitiva —, participar de um clube do livro ou simplesmente comentar o que se está lendo com um amigo.

Em resumo, o que fica claro é que qualquer atividade que estimule o cérebro é benéfica para a saúde integral, seja escolher uma rota diferente para caminhar, ler Proust ou priorizar relações sociais.

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Tudo isso contribui para construir um cérebro resiliente e para desacelerar o declínio associado ao envelhecimento, tornando também a vida mais gratificante no processo.

*Esta é uma adaptação para o português de um artigo publicado originalmente pela BBC Future. Se quiser ler o original em inglês, clique aqui.

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