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Projeto de Erykah Badu convida pessoas a mergulharem em um ritual de escuta profunda com apenas 25 participantes

Artista conduziu uma experiência intimista no templo Reethaus, onde som, silêncio e atenção plena se encontraram

26 jun 2026 - 09h28

A cantora Erykah Badu transformou a música em uma experiência de contemplação durante uma edição da Monday Ceremony, realizada em Berlim. Como parte das comemorações dos 25 anos da Telekom Electronic Beats, a artista reuniu apenas 25 convidados por sessão para participar de um ritual de meditação sonora que combinou escuta profunda, presença e conexão. O encontro aconteceu dentro do Reethaus, um templo de palha localizado às margens do rio Spree. Ali, os participantes deixaram de lado distrações externas e mergulharam em uma experiência criada para desacelerar o ritmo e ampliar a atenção ao momento presente.

Inspirado em templos antigos e na filosofia Wabi
Inspirado em templos antigos e na filosofia Wabi
Foto: Sabi, o Reethaus foi concebido como um espaço de recolhimento e presença - Reprodução Instagram / @somewhere.media / Bons Fluidos

Uma experiência feita para poucos

A Monday Ceremony marcou a estreia europeia do projeto, apresentado anteriormente por Erykah Badu em Tóquio. Durante a sessão, os convidados se acomodaram sobre esteiras no interior do templo e receberam fones de ouvido de alta resolução. Ao longo de cerca de 30 minutos, acompanharam uma jornada sonora conduzida pela própria artista. Nesse percurso, Badu compartilhou gravações de seu arquivo pessoal, materiais inéditos de seu próximo álbum e momentos de improvisação. Assim, cada encontro ganhou um caráter único e impossível de reproduzir exatamente da mesma forma.

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Quando a música deixa de ser espetáculo

Enquanto a artista também se preparava para uma apresentação em arena no dia seguinte, a Monday Ceremony seguiu um caminho completamente diferente. Em vez de milhares de espectadores, a proposta apostou em um grupo reduzido. Da mesma forma, substituiu o formato tradicional de show por uma experiência centrada na escuta. Como resultado, os participantes puderam vivenciar um encontro marcado pela atenção plena e pela conexão com o momento presente. Mais do que assistir a uma apresentação musical, os convidados participaram de uma experiência construída para estimular percepção, silêncio e reflexão.

O templo que ajudou a criar a atmosfera

Parte da força da experiência veio do próprio espaço que a recebeu. Projetado pela arquiteta austríaca Monika Gogl, o Reethaus buscou inspiração em templos antigos, cavernas e espaços naturais de recolhimento. Com 12 metros de altura e uma cobertura de palha trançada à mão, a construção se integra à paisagem do rio Spree de forma orgânica. Além disso, o interior do local foi pensado para incentivar tranquilidade e presença. Blocos de cortiça queimada, assentos de carvalho encerado e esteiras de tatami ajudam a criar uma atmosfera acolhedora e contemplativa. Ao mesmo tempo, a câmara interna segue princípios do Wabi-Sabi, filosofia japonesa que valoriza a beleza da imperfeição e da transitoriedade. Para completar a experiência, uma claraboia conecta visualmente o espaço ao céu e amplia a sensação de recolhimento.

Um convite para viver com mais presença

Ao final da sessão, Erykah Badu deixou uma reflexão aos participantes: como viver o restante da vida de forma verdadeiramente presente e focada? Mais do que uma pergunta, a frase sintetiza a proposta da Monday Ceremony. Afinal, o projeto convida o público a enxergar a música como uma ferramenta de atenção e consciência. Nesse sentido, a iniciativa dialoga com um movimento cada vez mais presente na sociedade contemporânea. Em meio ao excesso de estímulos digitais, muitas pessoas passaram a valorizar experiências que oferecem desaceleração e profundidade. Por outro lado, a proposta não busca rejeitar a tecnologia. Em vez disso, procura criar momentos de escuta intencional em um cotidiano marcado pela dispersão constante.

Em suma, o ritual de meditação sonora criado por Erykah Badu mostra como arte, espiritualidade e presença podem caminhar juntas. Dessa forma, a experiência realizada em Berlim transformou a música em um convite para ouvir, sentir e simplesmente estar.

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