Outros compostos podem ser eficientes em relação ao desempenho de treino, além de aspectos da saúde e rotina
Quando se pensa em pré-treino, a primeira coisa que vem à cabeça é a presença de cafeína como um dos principais ingredientes. Porém, por motivos de saúde, rotina ou por preferência mesmo, nem sempre essa substância é a mais indicada. Por isso, nesta matéria, vamos te apresentar outros compostos que podem exercer papel estimulante para te ajudar a potencializar o desempenho nos treinos.
Não é para todo mundo!
Não é à toa que a cafeína é tão famosa e difundida como o principal estimulante para atividades físicas. Filipe Testoni, nutricionista e parceiro da Plant Power, explica que a popularidade se dá porque a cafeína é, de fato, o ativo mais estudado pela ciência e que proporciona os melhores resultados. Mas isso não significa que outros compostos não possam contribuir, de forma indireta ou mais discreta, para o aumento do desempenho nos treinos.
"A taurina, L-tirosina e colina, muito presentes em produtos desta categoria, demonstram resultados promissores, mas ainda menos consolidados. Algumas vitaminas, como as do complexo B, também são essenciais para o metabolismo energético e a suplementação delas, especialmente no contexto de uma alimentação deficitária", discorre o profissional.
Alguns perfis, inclusive, devem limitar bastante o consumo de cafeína e sempre consultar seus médicos em relação ao assunto. "Grávidas e lactantes, pessoas com hipertensão não controlada, arritmias cardíacas, ansiedade ou insônia também devem ter cautela e conversar com um médico antes", orienta o nutricionista. Além disso, ele reforça que, paralelamente a qualquer estimulante, cuidar do sono, alimentação e ajuste dos treinos é o que mais vai provocar efeitos positivos.
Os famosinhos
Aposto que já ouviu falar dos famosinhos da cena: creatina, beta-alanina e arginina. De fato, eles têm se tornado cada vez mais populares no universo das academias. O profissional afirma que são compostos com bom respaldo científico, mas é pragmático ao dizer que têm perfis de uso bem específicos e que a escolha deve considerar o objetivo de cada pessoa. Para entender melhor cada um deles, ele destrincha:
- Creatina: "É o suplemento mais estudado de todos e aumenta os estoques de energia no músculo, permitindo mais força e potência em exercícios intensos".
- Beta-alanina: "Ela retarda a fadiga muscular ao reduzir o acúmulo de acidez no músculo durante o esforço, o que pode ser muito interessante para praticantes de modalidades que exigem alta intensidade por períodos de um a 10 minutos, como certas provas de ciclismo, natação, remo, corridas curtas e outras. Ela é a responsável pelo formigamento na pele que muitos sentem após tomar alguns pré-treinos".
- Arginina: "Favorece a vasodilatação, melhorando o aporte de sangue e nutrientes ao músculo durante o exercício, embora vale mencionar que as evidências para ela isoladamente sejam mais modestas do que o marketing costuma sugerir".
Para quem quer ganhar massa muscular e força, Filipe aponta que a creatina monoidratada pode ser a mais indicada nesse caso, já que é a que tem maior nível de evidência científica. Porém, ele reitera que nenhum suplemento substitui uma dieta adequada em carboidratos, proteínas e calorias, tampouco um treino bem estruturado. "O suplemento pode potencializar o resultado, mas a base deve ser sempre o treinamento e a alimentação", reforça.
Qual é a hora certa de tomar o pré-treino?
Essa é uma dúvida cruel. Qual o tempo certo antes da atividade física para tomar o pré-treino para ele realmente fazer efeito? O nutricionista responde que, de modo geral, "consumir o pré-treino entre 30 e 45 minutos antes do exercício é uma recomendação bem embasada para a maioria dos compostos presentes nesse tipo de fórmula". Ele também indica experimentar intervalos mais curtos e mais longos, entre 15 e 60 minutos. "Isso porque a velocidade de metabolismo varia entre os indivíduos e algumas pessoas podem preferir consumir dessa forma", pontua.
Outros aspectos essenciais
Em todo caso, Filipe é pragmático ao afirmar que é completamente possível realizar um treino de alta performance mesmo sem a cafeína. "A hidratação adequada é um dos fatores mais subestimados: uma desidratação de apenas 2% do peso corporal já compromete o desempenho. O sono de qualidade é fundamental para a recuperação e para a disposição no treino. A alimentação como um todo, especialmente nas horas anteriores, também faz grande diferença", discorre.
Por fim, ele pontua ainda que é preciso ter atenção com aspectos como gestão do estresse e periodização do treino, "que impactam diretamente a resistência à fadiga, mas que costumam ser negligenciados", conclui.