O veneno mais caro do mundo: por que uma gota vale 130 dólares

O veneno do escorpião amarelo da Palestina ganhou destaque internacional nos últimos anos. Uma gota dele vale 130 dólares. Entenda o motivo!

3 jan 2026 - 09h03

O veneno do escorpião amarelo da Palestina ganhou destaque internacional nos últimos anos. Em especial, após a informação de que uma única gota pode atingir valores em torno de 130 dólares, segundo o Business Insider. Afinal, esse valor chama a atenção porque se trata de uma substância que se extrai em quantidades mínimas, com alto custo de produção e demanda crescente por parte de laboratórios e centros de pesquisa. O interesse não está ligado ao risco do animal em si, mas ao potencial científico e médico de seus componentes.

Em 2025, o mercado de biotecnologia continua a buscar novas moléculas para tratamentos de doenças complexas. Assim, o veneno desse escorpião aparece como uma fonte promissora. Em vez de ser visto apenas como uma ameaça, ele passou a ser tratado como um recurso valioso, usado em pesquisas avançadas, inclusive em áreas como oncologia, neurologia e desenvolvimento de medicamentos de alta precisão.

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O escorpião amarelo da Palestina, muitas vezes associado à espécie Leiurus quinquestriatus (conhecido como “deathstalker” em inglês), produz quantidades muito pequenas de veneno – Danny S./Wikimedia Commons
O escorpião amarelo da Palestina, muitas vezes associado à espécie Leiurus quinquestriatus (conhecido como “deathstalker” em inglês), produz quantidades muito pequenas de veneno – Danny S./Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

O que torna o veneno do escorpião amarelo da Palestina tão valioso?

A principal razão para o preço alto está na combinação de raridade, dificuldade de extração e alto valor científico. O escorpião amarelo da Palestina, muitas vezes associado à espécie Leiurus quinquestriatus (conhecido como "deathstalker" em inglês), produz quantidades muito pequenas de veneno. Para obter um único mililitro, é necessário "ordenhar" centenas de escorpiões, processo que exige tempo, manejo especializado e infraestrutura segura.

Além disso, o veneno não é comercializado em sua forma bruta para uso comum. Ele é direcionado quase exclusivamente para instituições de pesquisa, que o utilizam como matéria-prima em estudos sofisticados. Nesses casos, o preço não reflete apenas o custo da substância, mas também o valor estratégico de um material difícil de encontrar e com forte potencial para gerar produtos farmacêuticos de alto valor agregado.

Por que o veneno do escorpião amarelo da Palestina custa tão caro?

De acordo com informações divulgadas pelo Business Insider, o valor aproximado de 130 dólares por gota está ligado a uma cadeia de produção complexa. O processo de extração envolve etapas como captura, manutenção dos animais, extração do veneno, armazenamento adequado e transporte em condições controladas. Cada uma dessas fases demanda equipamentos específicos e pessoal treinado, o que eleva o custo final.

Outro fator decisivo é a escala reduzida de produção. Ao contrário de substâncias fabricadas em massa, o veneno desse escorpião é produzido em quantidades muito limitadas. O volume disponível no mercado é pequeno, enquanto o interesse de laboratórios, universidades e empresas de biotecnologia aumentou ao longo da última década. Essa relação entre oferta escassa e demanda qualificada contribui diretamente para o preço elevado.

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Em muitos casos, o veneno não é adquirido em grandes frascos, mas em microquantidades, como microgramas ou pequenas gotas, prontas para uso em testes laboratoriais. Nessa escala, a unidade de medida passa a ser extremamente valiosa, o que ajuda a explicar por que cada gota pode atingir cifras tão altas.

Quais são os usos do veneno em pesquisas científicas?

O veneno do escorpião amarelo da Palestina é estudado por conter toxinas e peptídeos capazes de interagir de forma específica com canais iônicos e receptores nas células humanas. Alguns desses componentes têm sido investigados em possíveis aplicações como:

  • Marcadores para tumores cerebrais em exames de imagem;
  • Moléculas com potencial para bloquear certos tipos de dor;
  • Ferramentas para estudar o funcionamento de neurônios e sinapses;
  • Modelos para o desenvolvimento de novos fármacos.

Em alguns projetos, partes do veneno são usadas para "guiar" substâncias até células doentes, especialmente em tumores. Nesses casos, a toxina funciona como uma espécie de vetor biológico, ajudando a direcionar o tratamento para regiões específicas do corpo. Mesmo quando não resulta em um medicamento pronto para uso, o veneno serve como base para entender melhor processos celulares e moleculares.

O veneno do escorpião amarelo da Palestina é estudado por conter toxinas e peptídeos capazes de interagir de forma específica com canais iônicos e receptores nas células humanas – Tola Kokoza/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Como é feita a extração e por que o processo é tão delicado?

A extração do veneno, conhecida como "ordenha", costuma ser realizada de duas maneiras principais: estimulação elétrica controlada ou estímulo mecânico das glândulas de veneno. Em ambos os casos, o objetivo é fazer com que o escorpião libere pequenas quantidades da substância sem causar a morte do animal. Esse cuidado permite que o mesmo indivíduo seja utilizado em várias extrações ao longo do tempo.

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  1. O escorpião é imobilizado de forma segura;
  2. Aplica-se o estímulo adequado na região do ferrão;
  3. O veneno expelido é coletado em microtubos esterilizados;
  4. O material é imediatamente refrigerado ou liofilizado;
  5. Depois, passa por análises de pureza e controle de qualidade.

Cada etapa é pensada para evitar contaminações e perdas. Como a quantidade obtida por extração é muito pequena, qualquer desperdício representa impacto significativo no custo final. A necessidade de instalações seguras, equipamentos de proteção e controle rigoroso de armazenamento também se reflete no preço cobrado por gota.

O veneno do escorpião amarelo da Palestina é realmente um dos líquidos mais caros do mundo?

Em rankings frequentemente citados na mídia, o veneno desse escorpião aparece entre as substâncias mais caras, ao lado de produtos como toxinas botulínicas, anticorpos específicos e certos hormônios sintéticos. O valor de 130 dólares por gota, mencionado pelo Business Insider, costuma ser calculado com base no preço por mililitro convertido para uma gota padrão, o que reforça a imagem de exclusividade.

No contexto da pesquisa biomédica, entretanto, o preço é analisado de forma diferente. Para muitos laboratórios, a questão central não é apenas o custo absoluto, mas o retorno científico que cada micrograma pode proporcionar. Em um cenário em que doenças como câncer, epilepsia e distúrbios neurológicos continuam exigindo novas abordagens, substâncias como o veneno do escorpião amarelo da Palestina permanecem no radar de pesquisadores, justificando o interesse e os valores praticados no mercado especializado.

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