Nova espécie de lesma marinha tem o tamanho de um grão de arroz

Lesma-do-mar-gergelim, nova espécie do tamanho de um grão de arroz em Taiwan, revela segredos da biodiversidade marinha e dos recifes

22 jun 2026 - 06h32

Nas águas costeiras de Keelung, em Taiwan, cientistas registraram uma das menores lesmas marinhas conhecidas. O animal mede menos de três milímetros, apresenta corpo translúcido e manchas pretas e amarelas. Por esse motivo, pesquisadores batizaram a espécie de lesma-do-mar-gergelim, ou Thecacera sesama, em referência ao tamanho comparável a um grão de gergelim.

A espécie integra o grupo dos nudibrânquios, moluscos marinhos que costumam exibir cores intensas e formas variadas. Apesar disso, a lesma-do-mar-gergelim quase desaparece no ambiente devido ao corpo transparente e reduzido. Assim, observadores dependem de mergulhos atentos, boa iluminação e, muitas vezes, de lentes de aumento para localizá-la nos recifes rochosos da região.

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lesma-do-mar-gergelim tem este nome em referência ao tamanho comparável a um grão de gergelim.
lesma-do-mar-gergelim tem este nome em referência ao tamanho comparável a um grão de gergelim.
Foto: Arquivo pessoal Ho-Yeung Chan / Giro 10

Lesma-do-mar-gergelim: o que torna essa espécie diferente?

A palavra-chave "lesma-do-mar-gergelim" ganhou destaque na literatura científica em 2026, após a publicação do estudo que descreveu a espécie. Os autores chamaram atenção para o padrão de coloração pontilhado, com marcas pretas e amarelas distribuídas pelo dorso. Esse arranjo cromático facilita a camuflagem sobre os organismos onde o animal vive e se alimenta. Além disso, o corpo translúcido revela partes internas, o que reforça o aspecto "quase invisível".

A designação popular surgiu entre mergulhadores de Taiwan. Eles compararam o pequeno nudibrânquio a um grão de gergelim por causa do tamanho e do formato arredondado. O apelido, então, inspirou o nome científico sesama, derivado de "sesame". Essa escolha ilustra uma prática frequente na biologia: pesquisadores incorporam referências culturais e locais quando descrevem novas espécies.

Outro aspecto relevante envolve a forma como os cientistas encontraram a espécie. Um mergulho recreativo de um estudante de graduação proporcionou o primeiro registro do animal em 2019. A partir desse episódio, a equipe iniciou um esforço de documentação que incluiu fotografias de alta resolução, desenhos detalhados e análises morfológicas. Assim, o grupo conseguiu diferenciar a nova lesma-do-mar de outras espécies do gênero Thecacera.

Ilustração da lesma do mar gergelim – Divulgação
Foto: Giro 10

Como vive a lesma-do-mar-gergelim?

A rotina da lesma-do-mar-gergelim concentra quatro atividades principais: alimentação, busca por alimento, reprodução e postura de ovos. Todas ocorrem sobre colônias de briozoários, invertebrados aquáticos conhecidos como "animais-musgo". Essas colônias formam estruturas ramificadas, que funcionam ao mesmo tempo como fonte de alimento e abrigo.

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Os briozoários oferecem uma superfície complexa, cheia de cavidades, onde a T. sesama circula com facilidade. O animal raspa o alimento com a rádula, estrutura semelhante a uma "lixa" de minúsculos dentes. Em seguida, a lesma desloca-se para outras partes da colônia, o que reduz a competição direta por recursos dentro do mesmo espaço. Esse comportamento garante um uso eficiente do habitat.

Durante a reprodução, os indivíduos se aproximam e trocam gametas, já que atuam como hermafroditas. Depois disso, cada um deposita fitas de ovos sobre o substrato formado pelos briozoários. Esses cordões ovígeros permanecem fixos até a eclosão das larvas, que passam por estágios planctônicos antes de se estabelecer no fundo. Dessa forma, a espécie amplia a chance de colonizar novas áreas.

  • Habitat principal: colônias de briozoários em substratos rochosos costeiros.
  • Alimentação: consumo direto dos briozoários.
  • Reprodução: troca de gametas entre parceiros hermafroditas.
  • Postura de ovos: cordões gelatinosos aderidos ao "animal-musgo".

Por que a descoberta da lesma-do-mar-gergelim importa?

A identificação da lesma-do-mar-gergelim reforça a alta diversidade de nudibrânquios na região de Taiwan. Esses moluscos participam da cadeia alimentar marinha como consumidores de esponjas, cnidários, briozoários e outros invertebrados. Assim, eles ajudam a regular populações e a manter o equilíbrio em recifes e fundos rochosos.

Os nudibrânquios também funcionam como indicadores ambientais. Mudanças na temperatura, na qualidade da água e na estrutura dos recifes se refletem na presença ou ausência dessas espécies sensíveis. Portanto, cada novo registro, inclusive o de T. sesama, amplia o conjunto de dados disponível para monitoramento de ecossistemas costeiros.

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A área de Keelung apresenta condições desafiadoras para pesquisas subaquáticas. Tufões no verão, ondas fortes no inverno e quedas de temperatura reduzem a janela anual de trabalho em campo. Mesmo assim, a equipe conseguiu documentar um organismo menor que um grão de arroz. Esse fato sugere a existência de outras espécies ainda não descritas, especialmente entre invertebrados microscópicos ou translúcidos.

  1. Pesquisadores realizam mergulhos em diferentes estações.
  2. Eles registram imagens e vídeos de alta resolução.
  3. Depois, analisam os detalhes morfológicos em laboratório.
  4. Em seguida, comparam os registros com bancos de dados já existentes.
  5. Por fim, descrevem oficialmente as espécies novas para a ciência.

Que perspectivas essa espécie abre para a pesquisa marinha?

A descoberta da lesma-do-mar-gergelim destaca a necessidade de investir em estudos de organismos pequenos e discretos. Muitos programas de monitoramento concentram esforços em peixes, corais e grandes invertebrados. No entanto, os micromoluscos e outros invertebrados diminutos exercem papéis importantes em redes tróficas locais.

Além disso, a T. sesama pode ajudar a esclarecer relações evolutivas dentro do grupo dos nudibrânquios. Comparações entre espécies próximas revelam padrões de adaptação associados à coloração, ao tamanho e ao tipo de alimento. Esses dados permitem reconstruir trajetórias evolutivas em recifes tropicais e subtropicais, regiões que ainda apresentam lacunas de conhecimento.

Em síntese, a lesma-do-mar-gergelim simboliza um universo de formas de vida pouco visíveis, mas ecologicamente relevantes. A cada nova espécie descrita, a ciência ajusta o mapa da biodiversidade marinha e aprimora estratégias de conservação para ambientes costeiros pressionados por mudanças climáticas e atividades humanas.

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Lesma-do-mar gergelim – Reprodução
Foto: Giro 10
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