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Não é só preguiça: quando o frio pode mexer com o humor

Transtorno afetivo sazonal pode estar por trás de mudanças no humor no frio. Veja quando o desânimo merece mais atenção.

20 set 2026 - 20h00
(atualizado às 20h00)
Resumo
O desânimo no frio pode ir além da preguiça e indicar o transtorno afetivo sazonal (TAS), depressão ligada à menor exposição à luz natural no outono e inverno, que afeta o ritmo circadiano. Estudos apontam maior prevalência em altas latitudes e indicam que sintomas intensos e persistentes de tristeza, fadiga e isolamento exigem atenção. Hábitos saudáveis ajudam na rotina, mas casos clínicos podem demandar terapia de luz específica, sempre com a devida orientação e acompanhamento profissional.

Quando a temperatura cai, é comum querer ficar mais tempo na cama, adiar compromissos e trocar a atividade física pelo sofá, cobertor e uma bebida quente. Mas será que é apenas preguiça?

Transtorno afetivo sazonal / Magnific
Transtorno afetivo sazonal / Magnific
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

A resposta não é tão simples. O inverno pode, sim, influenciar nosso humor e nossa disposição. Isso não significa que sentir sono ou vontade de ficar em casa em um dia frio seja sinal de depressão.

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Existe, porém, uma condição psiquiátrica conhecida como transtorno afetivo sazonal (TAS), uma forma de depressão que apresenta relação recorrente com determinadas épocas do ano, mais frequentemente outono e inverno.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 no Journal of Affective Disorders, que reuniu 24 estudos e mais de 32 mil participantes, encontrou associação entre maiores latitudes e maior prevalência do transtorno afetivo sazonal.

Os autores apontam que a variação sazonal da exposição à luz pode ter papel importante nesse fenômeno, embora fatores biológicos, ambientais e individuais também estejam envolvidos.

Quando o frio deixa de ser apenas uma mudança de rotina

A luz é uma peça importante dessa história. Ela participa da regulação do nosso ritmo circadiano, que organiza funções como sono e vigília.

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Quando a exposição à luz natural diminui, podem ocorrer alterações nesse relógio biológico, que também se relaciona à regulação do humor.

Mas é importante não transformar uma mudança de estação em diagnóstico.

O que deve chamar atenção é a intensidade e a persistência dos sintomas: tristeza frequente, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, cansaço acentuado, alterações importantes no sono ou no apetite, dificuldade de concentração e isolamento social.

Uma revisão sistemática publicada por Rothenberg e colaboradores, em 2024, avaliou intervenções relacionadas ao estilo de vida no transtorno afetivo sazonal.

Os pesquisadores encontraram resultados que apontam para possíveis benefícios de estratégias como atividade física, sono adequado e permanência ao ar livre, mas ressaltaram que a quantidade e a qualidade das evidências ainda são limitadas.

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Por isso, não se trata de resumir o cuidado a "pegar sol e fazer exercício", mas de reconhecer que manter uma rotina estruturada pode fazer parte do cuidado.

O que pode ajudar quando há indicação

Quando existe indicação clínica, a terapia de luz também pode ser utilizada.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 na revista Medicine, com 17 estudos e 773 participantes, encontrou evidências de benefício da luz visível, especialmente da luz branca, para sintomas relacionados ao transtorno afetivo sazonal.

Os próprios autores, porém, destacam a necessidade de estudos maiores para confirmar esses resultados.

E aqui existe uma diferença fundamental: terapia de luz não significa simplesmente sentar ao sol ou comprar qualquer lâmpada. É uma intervenção específica, que deve ser orientada por profissional de saúde, especialmente porque algumas condições psiquiátricas exigem cuidados particulares.

Portanto, se no frio você quer ficar mais recolhido, talvez seja apenas uma reação natural à mudança de temperatura e rotina. Mas se todos os invernos vêm acompanhados de uma queda importante e persistente no humor, na energia e no interesse pela vida, vale olhar para isso com mais atenção.

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Nem todo desânimo é depressão. Mas também não devemos chamar de "preguiça" um sofrimento que está se repetindo e comprometendo a vida cotidiana.

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Fonte: SaúdeLAB
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