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Fóssil revela que ancestrais de mamíferos botavam ovos

17 abr 2026 - 13h25

Um embrião de Lystrosaurus revela que há 250 milhões de anos antigos pré-mamíferos eram capazes de botar ovos. Descoberta também abre uma hipótese sobre a origem e a função da lactação.Um grupo de pesquisadores descobriu restos fossilizados de um embrião de Lystrosaurus, um pré-mamífero que habitou a Terra há cerca de 250 milhões de anos.

A descoberta fornece a primeira evidência direta de que nossos ancestrais mamíferos punham ovos, de acordo com um estudo publicado na revista científica PLOS One.

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A ideia de que os ancestrais dos mamíferos - conhecidos como terapsídeos - punham ovos circula na ciência há mais de 180 anos. Nos dias de hoje, o ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) e a equidna (Tachyglossidae) são raridades que fascinam muitos pesquisadores, por serem os únicos mamíferos vivos que botam ovos.

No entanto, nenhum fóssil havia sido encontrado que pudesse confirmar isso. A nova descoberta "finalmente prova que os terapsídeos eram, de fato, animais que colocavam ovos. Essa descoberta lança nova luz sobre as estratégias reprodutivas e de sobrevivência desse grupo de animais", escreveram os autores em uma publicação para o portal científico The Conversation.

O Lystrosaurus viveu há cerca de 250 milhões de anos, durante a chamada Grande Extinção, o evento em massa mais devastador da história do planeta, que dizimou até 90% de todos os seres vivos.

A Terra era então uma paisagem de cinzas e lava, com chuva ácida e mares envenenados. Pesquisadores sugerem que esse herbívoro pré-histórico pode ter sobrevivido a esse ambiente hostil graças à sua capacidade de colocar ovos.

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Ajuda da tecnologia para desvendar o segredo

Os restos mortais deste e de outros animais pré-históricos foram descobertos em 2008 pelo paleontólogo John Nyaphuli na região semiárida do Karoo, na África do Sul. O novo estudo revisita este espécime, que parece ter morrido dentro do ovo, e outros dois fósseis de filhotes de Lystrosaurus.

Quando os paleontólogos encontraram o espécime, não possuíam a tecnologia necessária para analisar os restos mortais do animal em detalhes. No novo estudo, os autores explicam que utilizaram uma "poderosa fonte de raios-X para obter imagens do interior dos ossos do embrião".

Graças a esse procedimento, "o fóssil revelou todos os segredos que guardava há tanto tempo; e, mais importante, seu estágio de desenvolvimento", afirmam. A coautora Jennifer Botha, paleontóloga da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, reconheceu que sabia desde o início que "era um filhote de Lystrosaurus perfeitamente encolhido. Eu até suspeitei, naquela época, que ele tivesse morrido dentro do ovo, mas não tínhamos a tecnologia para confirmar".

A posição e o formato oval do animal sugerem que ele morreu dentro do ovo. Além disso, sua mandíbula inferior não estava fundida, semelhante ao que ocorre com aves e tartarugas modernas antes da eclosão, e seus ossos e cartilagens parecem ter sido muito frágeis para suportar seu próprio peso.

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Filhotes independentes desde o primeiro dia

Ao contrário dos ovos de dinossauro - duros e abundantes no registro fóssil - a casca do ovo de Lystrosaurus seria feita de um material macio e coriáceo, o que explica seu desaparecimento.

Em sua fase adulta, este herbívoro pré-histórico "parecia um porco, com pele nua, um bico semelhante ao de uma tartaruga e duas presas protuberantes apontando para baixo", descrevem os autores.

O Lystrosaurus botava ovos grandes para o seu tamanho, indicando que seus filhotes eram bastante grandes. Ao eclodirem, eles eram capazes de se alimentar, escapar de predadores e sobreviver por conta própria. "Crescimento rápido, reprodução em tenra idade e proliferação foram os segredos da sobrevivência do Lystrosaurus", sugerem os autores.

Função e origem do leite materno

Esses animais não recebiam leite materno. Os nutrientes que os alimentavam vinham diretamente do interior do ovo, um fato que também abre uma hipótese sobre a origem da lactação.

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De acordo com os pesquisadores, é possível que o leite materno não tenha surgido para alimentar os filhotes, "mas como secreções da pele usadas para umedecer os ovos, fornecer nutrientes, protegê-los contra infecções fúngicas e bacterianas ou para a sinalização hormonal através da membrana do ovo", pontuam os pesquisadores.

A descoberta "nos ajuda a entender melhor a origem da biologia reprodutiva e da lactação em mamíferos, bem como a estratégia de sobrevivência do Lystrosaurus durante a crise biológica mais devastadora", concluem.

rc (EFE, ots)

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