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Esses quatro países da América Latina abrigam uma das maiores reservas de água da Terra, com quase 2.000 metros de profundidade

O Aquífero Guarani ocupa mais de 1 milhão de km² sob Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em áreas profundas, sua cobertura chega perto de 1.900 metros.

20 set 2026 - 13h24
(atualizado às 13h30)
Resumo
O Sistema Aquífero Guarani é uma das maiores reservas de água doce subterrânea do planeta, estendendo-se por cerca de 1,19 milhão de km² entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Acomodada nos poros de rochas areníticas a profundidades que chegam a quase 2.000 metros, essa água abastece cidades e impulsiona indústrias e a agricultura. Por ser um recurso transfronteiriço vital e vulnerável à contaminação nas áreas de recarga, ele exige monitoramento conjunto e gestão sustentável dos quatro países.

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai compartilham sob seus territórios o Sistema Aquífero Guarani, um gigantesco reservatório de água subterrânea que ocupa mais de 1 milhão de quilômetros quadrados. Em suas regiões mais profundas, as formações que recobrem o aquífero podem chegar perto de 1.900 metros de espessura. A dimensão transforma essa estrutura geológica em uma das reservas transfronteiriças de água doce mais importantes do planeta.

A profundidade varia bastante de uma região para outra.
A profundidade varia bastante de uma região para outra.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Quais são os quatro países que ficam sobre o Aquífero Guarani?

O Aquífero Guarani se estende pelo centro-sul da América do Sul e atravessa fronteiras nacionais. A maior parcela está localizada no Brasil, mas o sistema continua pelo território argentino, paraguaio e uruguaio. A água ocupa poros e fissuras de grandes camadas de arenito formadas há milhões de anos, muitas delas cobertas posteriormente por rochas basálticas.

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Estimativas utilizadas em projetos internacionais distribuem aproximadamente 1,19 milhão de quilômetros quadrados da área do sistema entre os quatro países:

  • Brasil, com cerca de 850 mil quilômetros quadrados;
  • Argentina, com aproximadamente 225 mil quilômetros quadrados;
  • Paraguai, com aproximadamente 70 mil quilômetros quadrados;
  • Uruguai, com cerca de 45 mil quilômetros quadrados.

Como tanta água consegue ficar armazenada debaixo da terra?

A água não fica em uma enorme caverna subterrânea semelhante a um lago. Ela preenche os pequenos espaços existentes entre os grãos das rochas areníticas. Esses depósitos se formaram durante o Mesozoico, quando extensas áreas da região acumulavam areia transportada pelo vento e por sistemas fluviais. A porosidade dessas rochas criou condições para o armazenamento e circulação da água subterrânea.

O aquífero realmente chega a quase 2.000 metros de profundidade?

A profundidade varia bastante de uma região para outra. Em determinados pontos o sistema aflora próximo à superfície, permitindo que a chuva participe diretamente de sua recarga. Em áreas confinadas, porém, o arenito fica escondido sob espessas camadas de outras rochas. Dados hidrogeológicos indicam que a cobertura sobre o sistema pode alcançar cerca de 1.900 metros nos setores mais profundos.

Isso não significa que toda a água esteja localizada a quase dois quilômetros da superfície. Uma referência internacional situa a água nos arenitos do sistema geralmente entre cerca de 50 e 1.500 metros de profundidade. A diferença ocorre porque espessura das camadas, relevo e estrutura geológica mudam ao longo de uma área continental tão extensa.

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A profundidade varia bastante de uma região para outra.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Por que essa reserva é tão importante para a América Latina?

O reservatório possui importância muito além de seu tamanho. Suas águas subterrâneas abastecem populações e participam de atividades como agricultura, indústria e turismo. Em partes mais profundas, a água também pode alcançar temperaturas elevadas devido ao calor existente no interior da crosta terrestre, característica aproveitada em atividades termais e estudada para diferentes aplicações geotérmicas.

A dimensão do sistema também exige gestão conjunta. Como a água atravessa fronteiras subterrâneas, decisões tomadas em uma região podem ter consequências para outras áreas. Entre os pontos monitorados pelos quatro países estão:

  • quantidade de água disponível nos diferentes setores;
  • qualidade da água subterrânea;
  • níveis registrados em poços de monitoramento;
  • áreas onde ocorre recarga pela chuva;
  • uso sustentável do recurso ao longo das próximas décadas.

Uma reserva gigantesca também precisa ser protegida

O tamanho do Sistema Aquífero Guarani não torna sua água ilimitada ou automaticamente protegida. As regiões onde as formações aquíferas chegam próximas da superfície são particularmente importantes porque permitem a entrada da água das chuvas, mas também podem ficar mais expostas à contaminação proveniente de atividades realizadas sobre o solo. Por isso, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai mantêm iniciativas conjuntas de monitoramento e gestão do reservatório.

Debaixo de uma área que atravessa quatro países existe, portanto, uma estrutura geológica formada ao longo de milhões de anos e capaz de armazenar enormes volumes de água. Em alguns pontos ela está relativamente próxima da superfície, enquanto em outros permanece escondida sob mais de um quilômetro de rochas. Essa combinação de extensão, profundidade e capacidade de armazenamento explica por que o Aquífero Guarani é considerado um recurso estratégico para milhões de pessoas e uma das grandes reservas subterrâneas compartilhadas da América Latina.

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