Peptídeos injetáveis viram tendência entre famosos e preocupam especialistas

O procedimento com essas moléculas promete desde o rejuvenescimento da pele e a recuperação muscular até a perda de peso, mas muitas versões ainda não têm aprovação da Anvisa; entenda

12 mar 2026 - 09h09

Quando o objetivo é preservar a saúde da pele, uma recomendação frequente são os cosméticos com peptídeos. Essas moléculas formadas por aminoácidos atuam sobre as células e influenciam processos hormonais, estimulando a produção de substâncias importantes, como o colágeno. Recentemente, contudo, a versão injetável desses componentes tem se popularizado entre celebridades e influenciadores, o que acendeu o alerta de especialistas.

A terapia com peptídeos injetáveis promete desde o rejuvenescimento da pele e a recuperação muscular até a perda de peso
A terapia com peptídeos injetáveis promete desde o rejuvenescimento da pele e a recuperação muscular até a perda de peso
Foto: Canva Equipes/Delia Pindaru's Images / Bons Fluidos

Entenda o procedimento

Disponíveis em diferentes versões, essas pequenas moléculas apresentam diversas funções. Entre as mais populares no momento está a GHK-Cu, um peptídeo de cobre que imita um composto naturalmente produzido pelo organismo e promete benefícios como reparação cutânea, ação antioxidante, melhora da textura e até estímulo ao crescimento capilar.

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Outro exemplo é o Matrixyl, que também reproduz proteínas e pode auxiliar na saúde da pele ao estimular a produção de colágeno. Já o BPC-157 teria atuação além do tecido cutâneo, sendo associado à recuperação muscular e à cicatrização de lesões em ligamentos e tendões. Há ainda variações que, logo após a aplicação direta, contribuiriam para o emagrecimento e até para o bronzeamento.

De acordo com usuários, não somente a rapidez dos resultados da terapia injetável seria maior, como também sua eficácia. Isso porque esse tipo de tratamento, diferente do uso de cosméticos, alcançaria camadas mais profundas dos tecidos, provocando mudanças significativas, principalmente no rejuvenescimento da pele.

Quais são os riscos dos peptídeos injetáveis?

O problema, no entanto, está na falta de evidências científicas que comprovem a segurança dessas aplicações. Muitos peptídeos injetáveis, inclusive, ainda não possuem aprovação da Anvisa nem da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, onde eles têm sido amplamente utilizados.

"Peptídeos existem e têm base científica. Uma coisa, contudo, é usar cremes e outra, bem diferente, é injetar essas substâncias no corpo. Hoje, no Brasil, a maior parte desses peptídeos injetáveis não tem aprovação para uso estético amplo. E quando falamos de aplicação injetável, estamos tratando de medicamentos. Dose, indicação e segurança não são tendências da internet: envolvem absorção pelo organismo e efeitos em todas as células, tanto no curto quanto no longo prazo", explicou o dermatologista Thales Bretas em seu Instagram.

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Segundo o especialista, ainda é necessário aprofundar os estudos sobre os possíveis danos futuros. Além disso, ele destacou que, no caso de cosméticos regulamentados, como séruns e cremes, o funcionamento é diferente. Esses produtos atuam como sinalizadores, estimulando a produção de colágeno, melhorando a qualidade da pele e fortalecendo sua barreira protetora.

"Isso, sim, a gente usa de forma segura e estratégica. Mas nem tudo o que viraliza nas redes sociais tem respaldo científico, e nem tudo o que é utilizado em outros países está autorizado no Brasil. Antes de aderir a qualquer novidade, é importante se perguntar: tem aprovação da Anvisa? Há evidências científicas? Foi indicado por um médico? Segurança deve vir sempre em primeiro lugar", concluiu.

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