O peso do olhar do ídolo: o que a vitória histórica de João Fonseca diante de Guga em Roland Garros nos ensina sobre pressão

Ao garantir vaga inédita nas quartas de final na frente de Gustavo Kuerten, o jovem tenista de 19 anos deu uma lição de controle mental e inteligência emocional

3 jun 2026 - 06h21

Imagine a cena: você está prestes a realizar o trabalho mais desafiador da sua vida e, de repente, a maior referência da sua profissão senta-se na primeira fileira para assistir a cada movimento seu. Para muitos, esse cenário seria um gatilho para a ansiedade. Contudo, o jovem tenista João Fonseca, de apenas 19 anos, mostrou ao mundo como transformar essa enorme responsabilidade em pura potência na quadra.

João Fonseca faz história em Roland Garros ao vencer Casper Ruud sob o olhar atento de seu ídolo, o tricampeão Guga Kuerten
João Fonseca faz história em Roland Garros ao vencer Casper Ruud sob o olhar atento de seu ídolo, o tricampeão Guga Kuerten
Foto: Reprodução: Clive Brunskill/Getty Images/Pierre Suu/Wireimage / Bons Fluidos

Nesse sentido, a vitória histórica do carioca contra o norueguês Casper Ruud - ex-finalista do torneio - garantiu sua classificação inédita para as quartas de final de Roland Garros. Mais do que um feito esportivo que o Brasil não via desde 2004, o jogo sob os olhos atentos do tricampeão Gustavo Kuerten, o Guga, transformou-se em uma verdadeira lição prática de psicologia comportamental.

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O fenômeno de jogar diante de nossas referências

Na psicologia, o medo da avaliação diante de figuras de autoridade costuma ativar o modo de defesa do cérebro, gerando o travamento. Por outro lado, o que se viu em Paris foi o oposto. Em vez de se intimidar com a presença do maior nome da história do tênis brasileiro na arquibancada, Fonseca usou essa energia como combustível para derrubar um dos favoritos do torneio.

Logo após a partida, o jovem não escondeu a profunda emoção e fez questão de reverenciar o mestre com palavras reais de admiração: "Ele é um ídolo. Um ídolo para o nosso esporte, para o nosso país. Pela sua carisma, pela forma como ele é, pela humildade que demonstra. Ele estava presente na minha primeira vez em Roland Garros, na minha primeira partida como juvenil, e é um prazer tê-lo aqui. É um prazer vencer um adversário tão difícil na frente dele. Estou muito feliz", afirmou.

Como mudar a chave na vida e no trabalho

Essa dinâmica não se restringe ao saibro francês. Da mesma forma, no ambiente corporativo ou na vida pessoal, frequentemente somos testados diante de mentores ou líderes exigentes. A grande diferença entre o sucesso e o bloqueio está em como interpretamos essa presença.

Se você enxerga o seu ídolo como um juiz implacável pronto para apontar seus erros, a tendência é falhar. Mas se você o enxerga como uma testemunha do seu esforço e uma fonte de inspiração, o jogo muda completamente. Fonseca jogou com o coração, impulsionado também pela energia dos torcedores que ficaram no complexo até o fim. "Obrigado a toda a torcida brasileira que ficou aqui até agora. O sonho continua", declarou o tenista.

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O próximo desafio e o legado em construção

Em suma, esse fenômeno mostra que o respeito ao passado é o melhor alicerce para construir o futuro. Agora, embalado pelo melhor resultado de sua carreira em Grand Slams, João Fonseca se prepara para enfrentar o tcheco Jakub Mensik.

Com a bênção e o sorriso de Guga na torcida, João Fonseca segue provando que a inteligência emocional e a capacidade de transformar pressão em orgulho são as ferramentas mais valiosas para quem deseja alcançar o topo do mundo.

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