Leandro Karnal reflete sobre desafio de compreender o diferente: 'Riqueza única'

Na data dedicada à compreensão entre as pessoas, reflexão do historiador ajuda a pensar sobre tolerância, respeito e preconceitos

16 set 2026 - 19h42
Resumo
No Dia da Compreensão Mundial, o historiador Leandro Karnal defende a transição da tolerância passiva para a ativa, valorizando a pluralidade humana como uma riqueza única em vez de tentar impor padrões homogêneos. Aplicável à educação e ao cotidiano, a verdadeira compreensão exige autoavaliação para identificar preconceitos enraizados e entender a origem dos próprios incômodos diante do diferente. Para Karnal, embora a concordância nem sempre ocorra, o respeito mútuo deve ser uma regra inegociável.

O Dia da Compreensão Mundial, celebrado em 17 de setembro, convida a refletir sobre como lidamos com pessoas que têm experiências, opiniões e formas de viver diferentes das nossas. Nesse sentido, compreender o outro também envolve reconhecer essas diferenças e repensar julgamentos. O tema aparece em uma reflexão do historiador e professor Leandro Karnal.

Na data dedicada à compreensão entre as pessoas, reflexão de Leandro Karnal ajuda a pensar sobre tolerância, respeito e preconceitos
Na data dedicada à compreensão entre as pessoas, reflexão de Leandro Karnal ajuda a pensar sobre tolerância, respeito e preconceitos
Foto: Reprodução/Instagram/@leandro_karnal / Bons Fluidos

Durante uma palestra voltada à educação, ele falou sobre a passagem do que chama de "tolerância passiva" para a "tolerância ativa". Para ele, afirmar que não existe problema com determinado grupo, mas evitar qualquer proximidade, ainda pode esconder uma postura intolerante.

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Na visão do historiador, o passo seguinte está em reconhecer a pluralidade como parte da experiência humana. Ao citar as diferentes características encontradas dentro de uma sala de aula, ele destacou que essas particularidades não diminuem ninguém.

"Eu tenho que entender que há pessoas mais ou menos sensíveis, mais ou menos rápidas e que esta variedade é de uma riqueza única", afirmou.

Compreensão não exige que todos sejam iguais

Embora Karnal tenha feito a reflexão a partir da educação, a ideia pode ser levada para as relações cotidianas. Família, trabalho, amizades e outros espaços de convivência reúnem pessoas que não necessariamente compartilham das mesmas referências.

Nesse processo, tentar estabelecer um único padrão pode dificultar a aproximação. Para o historiador, reconhecer a individualidade também significa entender que características particulares não determinam o valor de uma pessoa.

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Ao relembrar uma época em que crianças canhotas eram obrigadas a escrever com a mão direita, por exemplo, ele usa a experiência para mostrar como determinados padrões podem transformar características humanas em supostos defeitos.

"Hoje eu tenho que entender que uma parte da humanidade sempre será canhota [...] e que isso não afeta a qualidade do ser humano", declarou.

A percepção também interfere na maneira como reagimos ao comportamento de quem está ao nosso redor. Karnal conta que, como professor, passou a observar até mesmo suas próprias expressões diante dos nomes dos alunos. Segundo ele, uma reação de estranhamento poderia servir como sinal para que outros estudantes também fizessem comentários.

A experiência levou a uma mudança de postura. Em vez de esperar apenas que os estudantes respeitassem uns aos outros, ele percebeu que seu próprio comportamento também participava da construção daquele ambiente.

Segundo Leandro Karnal, olhar para si faz parte do processo

Por isso, compreender o outro não depende somente de disposição para ouvir. Na reflexão de Karnal, existe ainda um exercício de autoconhecimento, principalmente quando o assunto envolve preconceitos que podem ter sido naturalizados ao longo da vida.

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"Olha no espelho e me pergunto onde eu tenho preconceitos, onde eu não me conheço [...] onde eu posso melhorar a este respeito", afirmou.

A proposta desloca parte da responsabilidade para quem observa. Em vez de questionar apenas por que alguém é diferente, a reflexão passa a incluir outra pergunta: de onde vem o próprio incômodo diante daquela característica?

Portanto, o Dia da Compreensão Mundial também pode servir como convite para observar hábitos, julgamentos e reações automáticas. Afinal, nem sempre é possível concordar com todas as pessoas. Ainda assim, Karnal defende um princípio para orientar as relações, que resumiu durante a palestra em poucas palavras: "Sempre, sem exceção, respeito"

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