Já se perguntou como o cérebro aprende algo novo? Confira as 7 etapas do aprendizado

Especialista explica as sete etapas que transformam informação em conhecimento

12 ago 2026 - 17h05
Resumo
O professor e neurocientista Marcello Lasneaux explica como o cérebro aprende e muda fisicamente por meio da neuroplasticidade. Ele apresenta as sete etapas do aprendizado: estímulo, atenção, engajamento, integração, aquisição, consolidação e reconsolidação, destacando a importância de fatores como emoção, prática e sono para transformar informações em conhecimento duradouro. 🧠✨

Professor e especialista em neurociência mostra como atenção, emoção, prática e sono influenciam a aprendizagem e por que aprender modifica fisicamente o cérebro

Por que algumas informações ficam na memória enquanto outras desaparecem poucos minutos depois? A resposta está na forma como o cérebro processa cada novo aprendizado. Segundo o professor e especialista em neurociência Marcello Lasneaux, transformar uma informação em conhecimento depende de uma sequência de mecanismos que envolvem atenção, engajamento, memória e repetição. Ao longo desse processo, o cérebro cria e fortalece conexões neurais, um fenômeno conhecido como neuroplasticidade, que altera fisicamente sua estrutura.

Foto de Shawn Day na Unsplash
Foto de Shawn Day na Unsplash
Foto: Revista Malu

"O processo de aprendizagem não é só fisiológico. Ele é físico. A estrutura física do cérebro muda com a aprendizagem", explica o professor Marcello Lasneaux, especialista em neurociência, tecnologia educacional e psicanálise. Segundo ele, cerca de 50% da capacidade de aprendizagem é determinada por fatores genéticos, enquanto a outra metade depende do ambiente. "O ambiente interfere intensamente na nossa aprendizagem", afirma o especialista que também é Diretor de Inteligência e Inovação da Heavenly International School, em Brasília.

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Com base em estudos científicos e obras de referência na área, o educador organiza o processo de aprendizagem em sete etapas: estímulo, atenção, engajamento, integração, aquisição, consolidação e reconsolidação. Embora apresentadas em sequência, elas não acontecem necessariamente de forma linear e podem ocorrer em movimentos de ida e volta ao longo do aprendizado.

1. Estímulo

O processo começa quando o cérebro entra em contato com um estímulo do ambiente, recebido pelos sentidos, como visão, audição e tato. Um estudo publicado em 2024 por pesquisadores do California Institute of Technology e divulgado pela Live Science estimou que o sistema nervoso humano seja capaz de captar cerca de 1 bilhão de bits de informação por segundo, embora apenas aproximadamente 10 bits por segundo cheguem à consciência. Para Lasneaux, compreender esse enorme volume de informações ajuda a explicar por que aprender exige esforço cognitivo e por que a atenção é um recurso tão limitado.

2. Atenção

Depois do estímulo, entra em ação a atenção, mecanismo responsável por selecionar quais informações merecem processamento. Na avaliação do especialista, essa é uma das maiores dificuldades da educação contemporânea diante da enorme quantidade de estímulos que competem constantemente pela atenção dos estudantes. "Sem atenção não existe aprendizado. Se eu tivesse dez unidades para investir em aprendizagem, nove eu investiria na manutenção da atenção, porque ela é o pilar de tudo o que vem depois", alerta.

3. Engajamento

Após direcionar a atenção, o cérebro decide se vale a pena continuar investindo energia naquele conteúdo. Segundo Lasneaux, esse engajamento depende principalmente de três fatores: novidade, relevância emocional e significado pessoal. "Não existe aprendizagem sem valor. E esse valor é um valor emocional. Se você não atribui valor, você não aprende", defende. Para o especialista, criar situações novas, despertar emoções e conectar o conteúdo à realidade do estudante são estratégias capazes de aumentar significativamente o envolvimento com a aprendizagem.

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4. Integração

Na quarta etapa, o cérebro relaciona a nova informação aos conhecimentos, memórias e experiências já existentes. Quanto maior essa conexão, maiores as chances de que o conteúdo avance para as etapas seguintes. "Ninguém aprende do zero. Neurobiologicamente, isso simplesmente não acontece", observa Lasneaux.

5. Aquisição

Superadas as etapas anteriores, ocorre a aquisição, conhecida na neurociência como encoding ("codificação", em tradução livre). Nessa fase, o cérebro converte a nova informação em padrões de atividade neural, formando circuitos de neurônios, chamados de engramas, responsáveis por armazenar as experiências e conhecimentos adquiridos. Nesse momento, porém, essas conexões ainda são frágeis e precisam ser fortalecidas.

6. Consolidação

A consolidação é a etapa em que o conhecimento passa de temporário para duradouro. Segundo Lasneaux, isso acontece principalmente por meio da prática, das revisões e da repetição do conteúdo, que fortalecem as conexões neurais formadas durante a aquisição. "O cérebro aprende praticando. Repetição não leva à perfeição. Repetição leva à permanência", enfatiza.

Por isso, o professor alerta que tanto conteúdos bem ensinados quanto erros podem ser consolidados pela repetição. Além da prática, manter uma rotina adequada de sono favorece a consolidação das memórias e do aprendizado.

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7. Reconsolidação

Mesmo depois de consolidada, uma memória não permanece imutável. Sempre que um conhecimento é acessado, ele pode ser reforçado, atualizado ou reorganizado pelo cérebro. Esse processo, chamado reconsolidação, mantém o aprendizado vivo e permite que novas experiências sejam incorporadas ao conhecimento já existente.

"Memória não é um arquivo fixo. É uma reconstrução ativa", conclui o educador. "Educação é um trabalho extraordinário. É esse trabalho que fazemos é o principal acelerador do cérebro."

Revista Malu
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