Impulsionado pelo interesse pela cultura asiática, o matcha expande sua presença da gastronomia para a perfumaria internacional e brasileira. O chá verde japonês renova a família gourmand ao equilibrar notas verdes, amargas e cremosas sem depender do excesso de açúcar, combinando com o clima quente da primavera por seu frescor. A tendência já é explorada por grandes grifes globais, como Le Labo e Maison Margiela, e por marcas nacionais, como O Boticário e L'Envie.
Basta olhar para o cardápio de uma cafeteria ou passar alguns minutos pelas redes sociais para perceber que o matcha conquistou espaço muito além de sua origem tradicional. O chá verde japonês em pó se tornou ingrediente de lattes, doces, receitas e até de diferentes práticas ligadas ao bem-estar. Agora, essa popularidade começa a chegar também a um território menos óbvio: os perfumes.
A tonalidade verde característica pode até ser a primeira associação que vem à cabeça, mas, na perfumaria, é o aroma complexo do matcha que desperta interesse. Frescor, notas vegetais, certa cremosidade e um toque amargo permitem que o ingrediente seja interpretado de maneiras bastante diferentes nas fragrâncias.
Isso significa que um perfume inspirado no matcha não necessariamente terá o mesmo cheiro de outro. Ao lado de notas cítricas, aquáticas ou de folhas, por exemplo, o resultado pode ser mais leve e refrescante. Ervas reforçam sua característica vegetal, enquanto madeiras, musks e acordes terrosos ajudam a construir fragrâncias mais profundas. Já ingredientes como baunilha, sândalo e notas lactônicas ressaltam seu lado macio e cremoso.
Matcha também transforma os perfumes gourmand
A chegada do matcha à perfumaria acontece em um momento de transformação das fragrâncias gourmand. Durante anos, essa família olfativa ficou fortemente associada a ingredientes como baunilha, caramelo, pistache e frutas açucaradas, responsáveis por criar perfumes que remetem diretamente a sobremesas.
Agora, o universo gourmand começa a explorar caminhos menos açucarados. Ingredientes que lembram alimentos e bebidas continuam presentes, mas aparecem acompanhados de notas verdes, amargas, tostadas ou terrosas.
É justamente aí que o matcha encontra espaço. O chá consegue trazer uma sensação cremosa e até gustativa para o perfume sem depender exclusivamente da doçura.
Influência asiática ganha espaço na perfumaria
O fenômeno também acompanha um interesse crescente por referências da cultura asiática no mercado de fragrâncias. Apesar de ter conquistado consumidores ao redor do mundo, o matcha mantém uma forte ligação histórica e cultural com o Japão.
Na perfumaria, ele começa a dividir espaço com outros ingredientes associados a diferentes tradições asiáticas. Arroz, ginseng, hinoki, gergelim e hojicha são alguns exemplos de referências que vêm sendo exploradas na criação de novas experiências olfativas.
Esse movimento amplia as possibilidades dos perfumes inspirados em alimentos. Em vez de reproduzir apenas sobremesas bastante doces, as fragrâncias podem explorar sensações de cremosidade, frescor, amargor e até notas tostadas.
Perfumes de matcha já estão nas prateleiras
Embora esteja ganhando mais atenção agora, o matcha não surgiu na perfumaria em 2026. Algumas marcas já vinham experimentando o ingrediente nos últimos anos. Um dos exemplos mais conhecidos é o Thé Matcha 26, da Le Labo, lançado em 2021. No mesmo ano, a Maison Margiela apresentou Matcha Meditation, da coleção Replica. Mais recentemente, surgiram propostas como Matcha Milk, da Phlur, e Freedom Musk Matcha | 45, da Kayali.
No Brasil, a tendência também começa a aparecer em diferentes interpretações. Uji Matcha, da Becquer Fragrances Lab, trabalha a inspiração no chá verde japonês em uma composição que combina frescor e conforto. Já a linha Matcha & Hinoki, da L'Envie, aproxima o chá da madeira japonesa.
A coleção Matcha 00, da Juicie Rio, traz uma interpretação brasileira da tendência, enquanto Egeo Vanilla Ubesession, de O Boticário, mistura chá, ube - um tubérculo roxo muito utilizado na culinária filipina - e baunilha em uma proposta assumidamente gourmand.
Por que o matcha combina com a primavera?
A ascensão do ingrediente também conversa com uma mudança comum na perfumaria durante os meses mais quentes. Com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas, fragrâncias muito densas e adocicadas costumam dividir espaço com composições mais leves, frescas e arejadas.
Notas cítricas, florais e aquáticas aparecem com frequência nesse período justamente por transmitirem uma sensação de frescor. O matcha entra nessa lógica por unir uma característica verde e vegetal a uma assinatura mais delicada.
A preferência brasileira por perfumes mais intensos e com fundos doces ou amadeirados continua existindo. Porém, temperaturas elevadas podem abrir espaço para versões menos pesadas e concentrações mais leves.
Depois de conquistar cafeterias, sobremesas e redes sociais, portanto, o matcha encontra nos perfumes mais uma maneira de mostrar sua versatilidade - desta vez, não pelo sabor ou pela aparência, mas pelo olfato.