Chupeta para adultos no lugar da meditação? Entenda a tendência e se funciona

Chupeta para adultos: saiba por que virou tendência, os impactos na saúde e alternativas mais seguras para lidar com ansiedade e insônia

14 ago 2025 - 15h33
chupeta para adultos
chupeta para adultos
Foto: Reprodução/TikTok / Personare

Na China, um fenômeno inusitado está chamando atenção: muitas pessoas estão trocando meditação e melatonina por chupetas para adultos.

Vendidas como solução para ansiedade, insônia e até para parar de fumar, elas prometem conforto e segurança em momentos de estresse.

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Mas será que funcionam mesmo — ou apenas mascaram a causa do problema?

Com um olhar que integra psicanálise, psicoembriologia e nutrição emocional, vamos entender o que está por trás dessa moda e como buscar alternativas que cuidem de verdade da saúde física, mental e emocional.

Como a chupeta para adultos virou moda global

O que começou como uma curiosidade no mercado chinês rapidamente se transformou em um fenômeno internacional. 

Segundo o NY Post, milhares de jovens na China estão trocando recursos tradicionais de relaxamento — como meditação e melatonina — por versões de silicone de chupetas para adultos.

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O acessório é vendido como aliado contra ansiedade, insônia e até como apoio para parar de fumar. Muitos usuários afirmam sentir uma sensação de segurança e conforto parecida com a da infância, algo que, para quem vive sob alta pressão, pode soar tentador.

O fenômeno não ficou restrito à China. Com a força do TikTok, a chupeta para adultos apareceu em vídeos de pessoas usando o objeto no trânsito, no escritório ou em momentos de burnout.

Em alguns casos, é apresentada como "dica" para manter o foco ou lidar com sintomas de TDAH.

Esse movimento revela algo importante: há uma busca crescente por soluções rápidas de alívio emocional — mesmo que isso signifique abrir mão de práticas mais profundas e transformadoras, como a meditação, em troca de um recurso imediato e físico.

O olhar da psicanálise e da psicoterapia sobre esse comportamento

O uso da chupeta remete a uma fase inicial da infância, em que a boca é a porta de comunicação com o mundo. É fonte de prazer e segurança — seja mamando ou explorando o ambiente.

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A chupeta, na infância, é usada para acalmar e dar conforto. No entanto, ela é, na essência, um substituto ao seio materno, pois é no seio que através do movimento de sucção e do aconchego com a mãe que o bebê experiencia acolhimento e segurança.

Essa fase oral vai do nascimento até cerca de 18 meses e é marcada pela dependência da função materna. Ela se encerra naturalmente quando a criança começa a falar e andar.

Porém, quando necessidades emocionais dessa fase não são plenamente atendidas, pode ocorrer uma fixação — algo que pode acompanhar a pessoa por toda a vida.

Essa fixação se manifesta em comportamentos ligados à boca, como comer em excesso, fumar, roer unhas ou, nessa nova tendência, chupar chupeta.

Todos esses comportamentos são movimentos regressivos à primeira etapa do desenvolvimento humano.

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Chupetas são atalhos emocionais temporários

A chupeta, especificamente, funciona como atalho para aliviar desconfortos ou angústias — um alívio rápido, mas que não resolve a causa.

É como tomar um analgésico para dores frequentes como alívio momentâneo, mas sem investigar o motivo delas. Ou seja, não resolve o problema nem cura a longo prazo.

Além disso, o hábito pode ser uma forma de evitar lidar com questões mais profundas, de olhar para dentro e ressignificar experiências e sentimentos. 

A psicanálise e outros processos terapêuticos ajudam a revisitar a própria história, compreender padrões e criar recursos internos para lidar com as emoções.

É como curar uma ferida aberta: no início pode arder, mas com o tempo ela se fecha, deixa de doer e pode até deixar uma marca, porém indolor.

Os riscos para o corpo físico

Além das questões emocionais e psicológicos, a chupeta por adultos também traz riscos para o corpo, como, por exemplo:

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  • Alterações na mordida e posicionamento dos dentes.
  • Tensão na mandíbula e problemas de fala.
  • Interferência na respiração e no sono.

No olhar integrativo, o corpo físico reage ao que a mente e as emoções pedem. Cuidar de um sem olhar para os outros pode gerar desequilíbrio.

Por que a meditação pode ser um substituto mais saudável

A meditação é uma prática acessível, gratuita e que não depende de objetos externos. Seus benefícios são duradouros e, quanto mais incorporada ao dia a dia, mais resultados traz para o corpo e para a mente.

Além de reduzir a ansiedade, ela melhora a qualidade do sono, contribui para a regulação emocional e favorece a clareza mental.

Outro ponto positivo é que a meditação pode ser combinada com outras práticas que potencializam o relaxamento e o equilíbrio emocional, como:

  • Respiração consciente - o simples fato de inspirar o ar profundamente, reter por alguns segundos e expirar calmamente por algumas vezes ao longo do dia auxilia a reduzir a tensão. 
  • Mindfulness - trazer atenção plena para atividades simples, como comer ou tomar banho, ajuda a acalmar a mente, sem deixar os pensamentos tomarem conta. 
  • Nutrição equilibrada - evitar excessos de açúcar, gorduras e cafeína favorece a estabilidade emocional e dá mais energia para o corpo.
  • Terapias energéticas e integrativas - Reiki, acupuntura, cromoterapia e outras técnicas auxiliam na harmonização do corpo e das emoções.
  • Objetos sensoriais menos nocivos - almofadas, mantas e aromaterapia podem oferecer conforto e acolhimento sem os riscos físicos de uma chupeta para adultos.

O que essa tendência revela sobre a sociedade atual

Vivemos em uma sociedade marcada pela busca por soluções rápidas, que não exigem esforço emocional — mesmo que seus efeitos não durem a longo prazo.

Essa cultura da gratificação imediata dificulta a construção de recursos internos para lidar com frustrações, com o tempo dos processos da vida e com situações que causam estresse, angústia ou desprazer.

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Sustentar temporariamente um desconforto e elaborar internamente é essencial para superar o que precisa ser revisto, sentido e transformado.

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Monalisa Cavallaro (contato@diariosemlactose.com)

- Psicanalista, Psicoembrióloga e Nutricionista que escolheu atuar na nutrição do corpo físico, mental e emocional. Atua na assistência a pessoas de todas as idades, desde o ventre até a fase adulta, usando como base a Psicanálise, a Psicoembriologia e o olhar integrativo das terapias energéticas.

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