Caridade sem reconhecimento é a verdadeira humildade? Leandro Karnal reflete

Historiador questiona o desejo de reconhecimento por trás das boas ações e aponta como a vaidade pode aparecer até mesmo em gestos anônimos

4 set 2026 - 21h40
Resumo
No Dia Internacional da Caridade, Leandro Karnal refletiu sobre a relação entre altruísmo e vaidade. O historiador questiona a tese de que a ajuda anônima é sempre desinteressada, apontando que a ausência de aplausos externos pode dar lugar a uma satisfação íntima e à falsa sensação de superioridade moral perante quem divulga suas boas ações. Para Karnal, a verdadeira humildade vai além de apenas omitir a publicidade do ato, exigindo uma investigação profunda sobre a real motivação do indivíduo.

Fazer uma boa ação sem contar para ninguém significa agir sem vaidade? No Dia Internacional da Caridade, celebrado em 5 de setembro, Leandro Karnal coloca em dúvida uma ideia aparentemente simples: a de que basta ajudar em silêncio para que um gesto seja completamente desinteressado.

Leandro Karnal questiona o desejo de reconhecimento por trás das boas ações e aponta como a vaidade pode aparecer em gestos anônimos
Leandro Karnal questiona o desejo de reconhecimento por trás das boas ações e aponta como a vaidade pode aparecer em gestos anônimos
Foto: Reprodução/Instagram/@leandro_karnal / Bons Fluidos

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o historiador e pensador parte de um conhecido ensinamento cristão sobre não transformar a solidariedade em espetáculo. Entretanto, ele amplia a discussão ao questionar se a ausência de elogios é suficiente para eliminar o desejo de alimentar uma imagem positiva sobre si mesmo.

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"A verdadeira obra de caridade é aquela que o mundo não nos louva. Porque, se o mundo nos louvar, diz Jesus, nós já recebemos a recompensa. Mas, mesmo que eu, fantasiado ou anônimo, faça o bem a alguém, inclusive através de terceiros, e essa pessoa nunca saiba de onde saiu esse dinheiro, mesmo assim eu saberei", afirmou.

Vaidade para Leandro Karnal

Nesse sentido, a aprovação externa pode dar lugar a uma satisfação particular. Mesmo sem seguidores, amigos ou o próprio beneficiado sabendo da atitude, ainda existe a consciência de ter sido generoso. Para Karnal, é justamente nesse ponto que uma forma mais discreta de vaidade pode aparecer.

"Eu vou dizer: 'Eu não sou como esses fariseus que fazem em público e querem agradar. Não sou como essas pessoas que doam dinheiro para ONGs e publicam no seu Instagram. Eu sou humilde, tão humilde que eu não sou hipócrita ou vaidoso como os outros'. Isso também seria vaidade", explicou.

Fazer o bem anonimamente é suficiente?

A provocação vai além das redes sociais. Karnal menciona também os estoicos, que defendiam que cumprir aquilo que se considera um dever não deveria exigir publicidade. Dessa forma, manter uma atitude generosa em segredo pode ser uma escolha coerente, mas não encerra a questão levantada por ele.

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O ponto central passa, então, pela motivação. Uma pessoa pode esconder uma doação e, ainda assim, enxergar naquele gesto uma razão para se considerar moralmente superior aos demais. É nesse ponto que Karnal amplia a discussão com outra pergunta: "Mas a verdadeira humildade estaria apenas em omitir a publicidade? Não haveria uma humildade mais estrutural do que apenas publicar no Instagram?"

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